Crítica | Everything Sucks!

Ninguém passou a adolescência ileso. São raros os casos de adultos nos dias de hoje que, em algum momento, não passou por bullying, depressão, solidão, descobertas de todos os tipos, principalmente as sexuais. Everything Sucks! da Netflix retrata bem essa fase. CUIDADO, SPOILERS A SEGUIR!

A trama principal é focada em Luke, um garoto de 15 anos que está indo para seu primeiro ano no colegial e nessa mudança, ao lado de seus amigos, Tyler e McQuaid, passam por poucas e boas, se divertem e descobrem coisas das quais jamais imaginariam ser capazes e nesse quesito, os itens vão de se apaixonar, até vencer a timidez e se expor em um filme para o colégio todo ver. Luke é aficionado por cinema e em meio uma confusão com os populares do grupo de teatro, ele vê a chance de mostrar a todos o que conhece e realizar o sonho de ter um filme seu. Nesse processo ele se apaixona por Kate, filha do diretor do colégio. Kate, por sua vez, é um ano mais velha e é tão tímida quanto Luke e ser filha do diretor a coloca num grupo de pessoas com as quais ninguém quer muita amizade. Além de lidar com a impopularidade, Kate tenta entender o que sente pelas pessoas e tenta aceitar que não é uma garota comum; além dos gostos diferentes para música e roupa, Kate está passando por um momento de confusão sobre a própria sexualidade. Além dos protagonista e dos amigos de Luke, somos apresentados ao pseudo vilão da trama, Oliver e a sua namorada, Emaline. A série é gostosa de assistir, embora não seja muito elaborada.

Não é recomendado esperar algo como Stranger Things foi em seu lançamento. A série usa de alguns recursos parecidos, como a nostalgia, por exemplo. Por meio de músicas, tecnologia datada e pôsteres na parede a história é marcada pelo humor dos protagonistas e aí as músicas são importantes. Longe de querer comparar uma série com a outra, mas Everything Sucks! ainda precisa aprender como lidar com uma época tão rica de conteúdo ao seu dispor. A série pouco usa do cenário em volta para evoluir os personagens.

Evolução é uma coisa reservadíssima aos protagonistas; Luke e Kate crescem muito ao decorrer da temporada. Vão de meros adolescentes confusos e perdidos a adolescentes seguros do que querem e satisfeitos com o que se tornaram. A maioria dos outros personagens são usados apenas como escada para os dois, como contraponto da visão de mundo de ambos. Os melhores amigos de Luke passam mais tempo no fundo da cena fazendo graça aleatória do que, realmente, ajudando a história a ser contada. Oliver e Emaline, por outro lado, deixam de ser os algozes dos nerds para se tornarem ídolos e amantes.

No que diz respeito à sexualidade de Kate que, diga-se de passagem, é tratada de maneira leve e não forçada, traz um peso dramático para a série, fazendo com o que ela pareça uma série diferente do quinto episódio em diante. O que é bom, por que a partir desse momento, tudo deixa de soar como uma paródia de todos os filmes dos anos noventa que conhecemos. (uma das cenas mais ‘amorzinho’ é ela tocando Rocket Man para o pai e para o Luke, ao piano e cantando também). Emaline, surpreendentemente, se torna parte dessa evolução. Kate, desde o início, olha para a vilãzinha de maneira diferente e se descobre apaixonada por ela. Depois de Oliver deixar a cidade, Emaline se aproxima da garota e a amizade vai tomando rumos mais íntimos e Kate cresce muito quando começa a se aceitar.

Ao longo da temporada, Luke desenvolve uma paixão platônica por Kate, mas ela não
aguenta por muito tempo e abre o jogo com o amigo. A amizade dos dois ajuda a ambos na evolução da personalidade. Luke se descobre egoísta durante seu processo de se encontrar como diretor do filme e aceitar que não rolará nada entre ele e Kate. Humildemente, ele reconhece o erro e tenta reparar os estragos entre os amigos. O que deixa a série cansativa são as histórias paralelas que servem mais para encher linguiça. Oliver e Tyler, subitamente, se tornam amigos e Tyler se torna discípulo do vilão, herdando o casaco e tudo mais. McQuaid se torna cansativo e irritante durante toda história. O pai de Kate e a mãe de Luke engatam um romance que, mesmo que seja para ajudar – narrativamente – Luke, ele não convence tanto quanto deveria. Luke que, quando criança, fora abandonado pelo pai, o reencontra, mas não consegue interagir com o homem e este, reaparece no final da temporada, sendo esse o gancho para a segunda temporada. Muito provavelmente ele servirá para atrapalhar os pais dos garotos que estão de romance.

Everything Sucks! é uma aventura divertida e gostosa de assistir num domingo de manhã. Os episódios são curtos, um pouco mais de 20 minutos cada. Mesmo sem parecer capaz de segurar uma segunda temporada, a série é leve, mas cheia de momentos onde você se sente arrastado por algo que não vai dar em lugar algum.

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