Uma história baseada em fatos, geralmente, tende a não entreter tanto o público assim, principalmente se a protagonista não é tão conhecida assim. A gente salva um filme ou outro e agora, graças a subestimada Margot Robbie, temos um filme de alguém real que vale a pena assistir. Eu, Tonya.

O filme conta a história de Tonya Harding, patinadora olímpica que, graças ao seu marido problemático, se envolveu num escândalo que acabou com sua carreira. Tonya entrou para as competições muito nova, tendo começado a patinar aos 3 anos de idade e desde então, chamou atenção pela sua dedicação que, muitas vezes era imposta por sua própria mãe, e seu talento natural para aquele esporte gracioso e elegante. Tonya foi crescendo nas competições e se tornou uma adulta “problemática”, reflexo de sua criação e dos abusos físicos de sua mãe. Conheceu seu primeiro namorado e marido, ainda muito nova. E com ele viveu, mais uma vez, uma relação abusiva, sofrendo agressões constantemente, mas sempre revidando aos socos e ponta-pé.  Em um dado momento de sua carreira, Tonya se preparava para as olimpíadas e seu, já ex-marido, Jeff Gillooly, se associou aos homens que seriam responsáveis pela queda de Tonya.

Jeff, Shawn Eckhardt e Shane Stant planejaram um ataque contra a principal concorrente de Tonya, a também atleta de patinação, Nancy Kerrigan. Desse momento em diante, Tonya enfrentou o inferno na terra:  foi julgada alegando não ter nenhum envolvimento com o ataque, foi banida de todas as competições, tentou o boxe e não deu certo.

Margot Robbie, aqui, mostra que tem muito potencial e que só precisava de um papel para mostrar isso e não ser apenas a mocinha indefesa ou a palhacinha maluca da DC. (Fato curioso: o roteiro estava na Blacklist que é um limbo onde vivem os melhores roteiros já escritos nunca produzidos. A própria Margot encontrou  esse roteiro e decidiu produzi-lo).  A atriz mostra o quão expressiva e essencial pode ser. Deu vida ao drama de Tonya e segura muito bem o fardo de interpretá-la. (A mulher fica diabólica rindo com escárnio em algumas cenas). A caracterização é boa, mas não chega a ser nada como Charlize Theron em Monster, então não crie expectativa nesse aspecto.

Alisson Janney interpreta LaVona Harding, a mãe de Tonya, ela entrega uma atuação que beira o caricato e isso não é um defeito para o personagem. Muito pelo contrário. Isso é o que fez com que a atriz conquistasse tantos prêmios nessa temporada de premiações.  A mãe é protagonista no crescimento de Tonya. Insistiu muito para que a filha fosse aceita e crescesse como cresceu no esporte, mesmo com métodos nada ortodoxos, é a maior responsável por Tonya ser quem é.

Sebastian Stan é o mais apagado, em comparação, mas também é outro responsável pelos acontecimentos mais difíceis na vida de Tonya. O que passa por agressão física, tiro pelas costas e o fatalitty contra a carreira dela, arquitetando uma agressão contra a principal concorrente de Tonya para as olimpíadas.

O filme se divide em dois tipos de narrativa: uma como estamos acostumados e com quebras de quarta parede pontuais e “entrevistas” dos protagonistas que, a cada acontecimento, fazem com que a gente sinta certa empatia pelos personagens que usam o artifício (e todos os personagens, praticamente, usam).

Baseado em entrevistas (nesse momento a tela fica em 4:3, como nas TVs de 1900 e antigamente), cada personagem dá seu ponto de vista e suas percepções confundem o telespectador em alguns momentos.  O foco principal é contar a história de alguém que cresce em meio de abusos. O sofrimento de uma mulher que apanhou demais da vida e das pessoas que ela amava e teve a confiança traída. Além disso, mostra o abuso da impressa na vida de uma pessoa publica e principalmente do publico ávido por novidades dessas pessoas.  O filme tem pinceladas cômicas, marcadas por uma trilha sonora divertida e com músicas pop, em meio aos dramas da vida da atleta, com uma narrativa dinâmica que merece sua atenção.

Quando Eu, Tonya acaba, você sente vontade de abraçar a Tonya? Sente sim. Ela foi acusada, ao final de tudo, de obstrução da justiça, por não ter dito logo quem cometeu o crime, mas não foi envolvida como cúmplice na execução.  Margot e Alisson mereciam mais reconhecimento, assim como o filme num todo.

 

REVER GERAL
Nota
9
Amazona, Rebelde, Jedi e Dúnedain disfarçada de Diretora de Arte durante a semana.

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