Crítica | Eu nunca… – 1ª Temporada

Cada ano somos apresentados a várias séries, é notório que sempre aparece uma comédia adolescente, daquelas sem intenção de tramas, mas querendo trazer temas dramáticos com uma certa ironia ou melhor um sarcasmo bem construído. A deste ano, 2020, é Eu Nunca… (Never Have I Ever), série de Mindy Kaling e Lang Fisher que chega à Netflix para falar sobre muitas das coisas pelas quais passamos na juventude, com senso de humor e sem grande artifício, mas de uma maneira muito eficiente, dentro do cotidiano atual.

Segue aqueles clichês com dramas adolescentes, namoricos de escolas, brigas entre amigas e aquelas festas comuns de filmes para adolescentes com piscinas e bebidas. Mas o que diferencia essa série das outras?

Começamos pela sinopse, Devi Vishwakumar (Maitreyi Ramakrishnan) é uma adolescente rica, de origem indiana que vive com sua mãe (Poorna Jagannathan) e sua prima Kamala (Richa Moorjani) em Sherman Oaks, Califórnia. Não lhe falta nada, uma boa aluna, daquelas bem nerd e com um ambiente de amizade seguro, embora não tenha muitos amigos. Ela tem duas amigas, Fabiola (Lee Rodriguez), afro-americana, e Eleanor (Ramona Young), asiática, que estão sempre unidas para apoiá-la após a perda de seu pai, que morrera de um ataque cardíaco. Agora, no segundo ano do ensino médio, ela decidiu mudar sua vida. Cansada de ser uma nerd solteirona, decide ir direto para o garoto mais bonito de sua classe. Será que conseguirá chegar nele enquanto supera os problemas pessoais que a levaram a uma cadeira de rodas no ano anterior?

Sob o título de um célebre jogo de beber da adolescência, “I never …”, traz uma nova proposta para adolescentes da Netflix. A série contém um toque nerd de The Big Bang Theory, certos elementos de Sex Education e um pouco de I Am Not Okay With This. Uma combinação explosiva que funciona, fazendo da série um sucesso do streaming,

A proposta das autoras, Fisher e Kaling (Late night) ganha nossos elogios pela naturalidade e pelo frescor divertido e com alguns toques de originalidade que são apreciados. Mindy Kaling nos leva aos problemas de adaptação que sofreu na adolescência, como descendente de indianos, ficou mais próxima dos costumes ianques dos Estados Unidos do que das tradições da religião hindu que sua família professa. Talvez essa proximidade com sua própria adolescência faça a série funcionar tão bem, não sendo uma história artificial.

Devi e sua mãe (Poorna Jagannathan) e sua prima Kamala (Richa Moorjani)

A série combina perfeitamente seus elementos dramáticos com o humor atrevido de um adolescente que só quer ser “legal” e ficar com o cara mais bonito da escola. Dessa maneira, nos aproximará da parte mais humana da história, sem ser triste, e nos fará desfrutar de seu lado mais engraçado, sem ser frívola e sem conteúdo.

Elenco de apoio, destaque para o milionário Ben (no meio da foto), interpretado por Jaren Lewison.

Outro acerto da série [e a construção da protagonista. Devi não é uma nerd qualquer, que se esconde atrás dos livros e de um par de óculos fundo de garrafa, que foge de tudo que é aquilo que é popular. Em Eu nunca… personagem super carismática e com um excesso de autoconfiança que a torna irresistível, mesmo para o homem mais bonito da escola. Uma moça que mesmo com seus problemas arranja uma coragem a qualquer situação em que não haja nada a resistir. Um personagem com caráter, muito caráter, e que está perfeito na interpretação de Maitreyi Ramakrishnan.

Outro elemento muito legal que contribui com o ritmo da série é a narração que guiará o espectador nos eventos que acontecerão em cada capítulo. Um personagem astuto interpretado pelo próprio tenista profissional John McEnroe, tanto na realidade quanto na ficção. Por sua voz, mergulharemos na vida da jovem, mas teremos que esperar até o último de seus dez episódios para encontrar uma explicação para esse ícone do esporte se apresentando como o onisciente narrador da história.

Para concluir essa crítica a nova série da Netflix, acrescento que a proposta é uma música estimulante para a diversidade e a integração, além de abordar a complicada transição da adolescência para a idade adulta e o difícil processo de luto por um ente querido. O que pode ser colocado como negativo é que um determinado público não dê uma oportunidade ao que possivelmente chamará como feito “para adolescentes”. O capítulo final da série deixa tudo em aberto, apresentando várias possibilidades para o futuro, portanto, uma segunda temporada é mais do que garantida.

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