Crítica | Desventuras em Série (2ª Temporada)

Quando a Netflix, lá em janeiro de 20017, lançou a adaptação dos dos livros de Desventuras Em Série fomos apresentados a esse universo (digamos) peculiar de Daniel Handler, que para escrevê-los usou o pseudônimo de Lemony Snicket e publicou os livros entre 1999 a 2006. Uma aposta que foi recebida com certa descrença por boa parte do público devido a recepção morna do filme de 2004 estrelada por Jim Carrey. Pois bem, a Netflix nos entregou uma primeira temporada cheia de acertos e que logo após o lançamento já foi confirmada a segunda temporada que não decepciona.

Irmãos Baudelaire e Gêmeos Quagmire na Prufrock Preparatory School.

Começamos exatamente de onde paramos, com os Baudelaire na Prufrock Preparatory School; ainda é o mesmo esquema de dois episódios por livro e nesse segundo ano temos Inferno no Colégio Interno, O Elevador Ersatz, A Cidade Sinistra dos Corvos, O Hospital Hostil e O Espetáculo Carnívoro. Ainda vemos o Conde Olaf (Neil Patrick Harris) – que sem comentários, continua sensacional – atrás das crianças e somos apresentados aos gêmeos Quagmire: Duncan e Isadora (Dylan Kingwell e Avi Lake respectivamente) que dão um frescor que a série precisava. Vemos aqui uma cumplicidade entre pessoas atingidas por tragédias similares e pelo mistério envolvendo a morte dos pais, assim um laço de amizade é formado. Vale salientar também Carmelita Spats (Kitana Turnbull) que rouba a cena em certos momentos. Mas assim como novos personagens são apresentados, os mesmo não são desenvolvidos, os gêmeos Quagmire logo são tirados de cena, assim como a Carmelita. Com exceção da bibliotecária (Sara Rue) e de Esmé Squalor (Lucy Punch) nenhum personagem tem um arco satisfatório, o que contorna isso de certa forma são as atuações desse ótimo elenco, são o que tornam essa história tão absurda e tão fácil de se acreditar.

Conde Olaf e sua gangue

Quando se fala de narrativa a série ainda se mantém afiada com uso de metalinguagem, com cenários ainda mais grandiosos e o CGI às vezes propositalmente mal feito, na realidade o grande trunfo da série é não se levar à sério, como nos primeiros diálogo de Klaus (Louis Hynes) e Violet (Malina Weissman) na Prufrock Preparatory Schools sobre o crescimento anormal de Sunny (Presley Smith) é simplesmente maravilhoso, ou sobre o Conde Olaf quebrando a quarta parede fazendo e referência a cultura pop (inclusive de How i Met Your Mother).

Aqui vemos Lemony e Jacques Snicket em uma das cenas mais bacanas da segunda temporada

Um dos maiores acertos dessa temporada continua sendo nosso querido Lemony Snicket (Patrick Warburton) que agora tem maior relevância para história, tornando-o mais que um narrador e fazendo piadas sobre os absurdos da série, sempre salientando a ignorância dos adultos e a inteligência das crianças, somos também apresentado ao seu irmão Jacques Snicket (Nathan Fillion) que tem uma passagem marcante pela série.

Esse segundo ano nos entrega mais sobre o mistério de CSC (VFD no original) e chegamos a (literalmente) um baita de um cliffhanger que nos deixa sedentos por mais aventuras dessas crianças tão desafortunadas que são os Baudelaire. E mesmo com alguns problemas de ritmo e desenvolvimento de personagem a Netflix nos entrega uma boa temporada que vai agradar crianças e adultos, que venha uma terceira e provavelmente última temporada.

Mauricio Tavares
Um dia acordei e decidi ser EU ! Fim da estória. *Cinema *Séries *Livros

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