Crítica | Demolidor (3ª Temporada)

O texto a seguir contém spoilers.

Como poderia a Netflix levar sua principal série de heróis ao nível máximo de qualidade? Demolidor é a prova de que algo que é bom, pode ficar ainda melhor.

ESTE TEXTO CONTÉM SPOILER

As séries vindouras do trabalho da Netflix com a Marvel estão passando por um momento de crise. Punho de Ferro e Luke Cage já foram engavetadas e nada garante que Demolidor, Jessica Jones, Justiceiro e Defensores estão seguros.

Charlie Cox em Demolidor.

Jessica Jones teve uma segunda temporada bem abaixo da qualidade da primeira e isso pode ser um problema para a investigadora encrenqueira. Segundas temporadas têm sido delicadas para a Netflix e Demolidor passou por isso. O segundo ano da série não deixou os fãs satisfeitos em sua maioria, muita reclamação sobre o destaque aos personagens secundários, salvando apenas a participação do Justiceiro. Agora, com o terceiro ano da série, o jogo virou.

Matt Murdock encontrou seu inferno depois do final do segundo ano. Catatônico ele busca abrigo no lugar onde se sente melhor, a igreja. Precisando de tempo para recuperação, Matt se resguarda enquanto Wilson Fisk planeja algo grandioso. Somos agraciados com viradas e viradas de roteiro que não são forçadas, personagens novos bem trabalhados e os velhos coadjuvantes dando um show com o holofote que recebem.

Confronto entre Demolidores em Demolidor.

Conhecemos Ray Nadeem, um agente do FBI que precisa se auto afirmar dentro do trabalho e toma a frente no processo contra Wilson Fisk. Um pai de família preocupado e com dividas por cuidar da família, louco por reconhecimento e um ego ferido pode ser capaz de qualquer coisa, não é mesmo? Nadeem é um personagem a ser observado com atenção. Somos apresentados ao Mercenário, um dos grandes inimigos do Diabo de Hell’s Kitchen e assim como Nadeem, ele tem suas frustrações e muitas camadas a serem exploradas e ele é responsável por boa parte das cenas de ação nessa temporada. Outros personagens novos e menores são apresentados, mesmo com pouco tempo de tela e fala, eles são tão bem desenvolvidos que você se satisfaz com suas ações e não questiona as origens de seus ímpetos.

Foggy (Elden Henson) é um dos grandes destaques dessa temporada. O personagem que, anteriormente, era mostrado quase como um sidekick descartável ou um personagem não tão inteligente como o protagonista. Nessa temporada, Foggy tem em si um potencial tão grande de nos contar uma história que seus momentos de tela são extremamente importantes para o desenrolar da trama. Assim como Karen (Deborah Ann Woll) que tem costurado a trama para os espectadores desde o princípio. Dessa vez ela nos entrega um episódio inteiro de mãos beijadas. Episódio necessário para entender porque as coisas têm um peso diferente na balança moral da jornalista e porque pra ela é tão importante a busca por justiça.

Wilson Fisk e seu Demolidor particular.

Wilson Fisk é um dos rostos mais recorrentes nessa temporada. Vemos o quão frágil um homem como ele pode ser ao se imaginar sem o amor de sua vida. O plano dele para se tornar o dono de Nova Iorque é bem arquitetado, mas o roteiro vai nos dando pistas de que tudo pode ser diferente do que estamos vendo, mas sem nos tratar como burros. Até seu momento final, Fisk é grandioso e amedrontador, mesmo vulnerável. E Vincent D’onofrio é, mais uma vez, o maior destaque no quesito “atuação” na temporada. Temos todas as nuances possíveis da personalidade do vilão que abraça seu codinome de Rei do Crime como nunca antes.

A temporada para Matt Murdock é decisiva em todos os aspectos. Ele precisa reavaliar sua relação com o Demolidor, entender que ele e o vigilante não precisam ser duas pessoas diferentes e distantes. Ele precisa resolver sua situação com Karen e Foggy também, pessoas das quais ele tenta se afastar o máximo possível. O momento crítico para Matt é descobrir quem é sua mãe e como ela esteve embaixo de seu nariz o tempo todo.

Karen Page e Matt Murdock em cena icônica em Demolidor.

A relação de Matt com a fé também é posta em xeque em diversos momentos de muita emoção e dramaticidade. Charlie Cox nos dá o seu melhor no papel nessa temporada. É possível viver essa montanha russa de emoções, todas as oscilações de humor e é extremamente possível se afeiçoar ainda mais ao personagem. Nessa temporada a raiva de Murdock é mais latente e muito mais voraz, isso é completamente visível em seu jeito de lutar e na brutalidade como ele enfrenta seus inimigos.

Os aspectos técnicos da série estão ainda melhores. O nível de agora em diante é altíssimo. A estética da série deixa de ter aquele estilo de série de super-herói com orçamento limitado e chega a beirar um ar mais cinematográfico. Vilões são mostrados, com frequência, de baixo para cima, fazendo com o que o personagem pareça ainda mais grandioso e perigoso. O vermelho está ainda mais presente, dando ainda mais urgência aos problemas de Matt e trazendo um ar violento aos momentos de luta. ]

Falando em lutas, como não destacar a brutalidade? Essa temporada é ainda mais violenta e sanguinária do que as outras, com cenas de plano sequência em meio briga e não poderia deixar de ter a tão famosa luta em um corredor que vemos sempre em Demolidor.

De maneira geral a série apresenta 100% de maturidade. Muito mais coerente e completa com o mérito total do elenco e da história desenvolvida para cada um dos personagens. Poderia ser mais enxuta? Poderia sim. Assim como tudo que tem mais de 10 episódios, a série tem uma barriga narrativa, um momento em que tudo parece não levar a nada, mas isso é irrisório perto da grandiosidade da temporada num todo.

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