Para quem gosta de filmes de terror soturnos, claustrofóbicos, sem jump-scares baratos, onde nada está muito explícito, aqui está um bom exemplar. Vindo da Irlanda, A Dark Song (em uma tradução livre seria Uma Canção Obscura, mas o filme não tem previsão de vir para o Brasil) teve exibição em alguns festivais europeus e americanos durante 2016 e obteve ótima repercussão.

Sophia (Catherine Walker) está em um terrível momento após o falecimento de seu filho, se julgando a culpada do que aconteceu, e decide apelar para um caminho mais obscuro para encontrar conforto, ela pede ajuda a um suposto mestre de rituais, Joseph Solomon (Steve Oram) para conseguir contato com seu filho morto.

Joseph, um tipo de Constantine menos sacana, mas com a mesma percepção de realidade e oculto, e que irá guiá-la rumo aos caminhos escuros, toda uma extensa purificação é feita com ela, e com a casa, para que esteja apta a percorrer o caminho proibido.

Não espere cabeças rodando, vômitos verdes, pentagramas em chamas e o demônio de tridente, rabo e capa vermelha. Aqui o terror é psicológico, ele está lá em todo canto escuro, no silêncio que permeia as salas da casa.

Os rituais, não acontecem em apenas uma noite em meio à raios e trovões. Há toda uma preparação, um longo envolvimento com o obscuro. Para contatar o outro mundo, ela precisa de toda a proteção e conhecimento possível, e o mais importante, sinceridade, segundo o próprio ritualista, qualquer mentira ou intenção escondida pode desencadear situações extremamente hostis.

E claro, o que Sophia faz? Esconde seus objetivos.  A verdadeira intenção não era contatar o filho morto e sim executar uma vingança contra quem o matou. A partir daí tudo é ladeira abaixo, o outro mundo custa a se revelar, acontecendo apenas nos momentos finais, e tenebrosamente real, perturbador e imponente. O que gera, na minha opinião, um final que o filme não merecia.

Foi justamente o que impediu o filme de ganhar uma nota mais alta, depois de tudo que foi feito, todo esse arrependimento que a protagonista nos mostra, penso que deveria haver consequências e não um final Ex Machina desse. Mas vale, e muito, assistir!

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