Crítica | Atômica

Baseado na HQ “A Cidade Mais Fria” (The Coldest City), criada por Antony Johnson e Sam Hart, Atômica (Atomic Blonde) mergulha nos caos dos acontecimentos do ano de 1989 na turbulenta Berlim, Alemanha, dias antes da queda do famoso muro que não apenas dividia a cidade, como também era um dos símbolos da Guerra Fria, a famigerada disputa econômica e militar entre os Estados Unidos e a União Soviética que quase arrastou o mundo para uma guerra nuclear. Quase! E é nesse contexto histórico que conhecemos Lorraine Broughton – interpretada pela vencedora do Oscar Charlize Theron – uma espiã da MI-6, a agência de espionagem inglesa (altamente conhecida pelos filmes da franquia 007).

Fugindo a regra de uma história linear, o filme começa pelo fim, quando vemos a agente ser interrogada por seus superiores e também pela CIA (o serviço secreto americano), a fim de esclarecer os fatos de uma missão na cidade alemã. Na missão em questão, Lorraine deveria recuperar uma lista de espiões perdida depois que um agente do MI-6 havia sido assassinado durante um confronto com um agente da KGB, a agência secreta russa. Além de encontrar a preciosa lista, desejada por ambos os lados, a espiã deveria descobrir a identidade de um agente duplo que havia arquitetado toda a trama.

Como dito acima, o roteiro de Kurt Johnstead não é nada convencional, cheio de idas e vindas, com diversos personagens e reviravoltas que podem ser pouco desconfortavel para o grande público. Isso de fato pode ser um ponto negativo para a maioria, mas com certeza é um prato cheio para aqueles que curtem histórias que precisam ser montadas como um quebra-cabeça. Por isso, é necessário ter um pouco de paciência e ficar atento ao que está sendo mostrado na tela. O seu “esforço” vai valer a pena!

Muito dessa recompensa garantida vem do talento do diretor David Leitch (de “John Wick” e Deadpool 2“), que consegue transformar o texto complexo em uma viagem visual, não apenas com a belo fotografia de Jonathan Sela e a boa escolha de cenários e locações, como também com o uso de um jogo de câmeras de tirar o fôlego, principalmente nas cenas de luta. Em uma dessas cenas, Lorraine entra num combate visceral em um prédio da cidade dividida que dura quase e ininterruptos 15 minutos (o que confirma o valor do seu ingresso com gosto… Eu garanto!). Essa cena faz com que algumas cenas de luta em ambientes fechados já vistas antes em outros filmes e séries tenham que se curvar ante a maestria com que foi executada e dirigida… Simplemente épica!

Outra viagem em que embarcamos com o filme é uma experiência sonora das mais espetaculares (James Gunn e seu Guardiões da Galáxia fizeram escola!). Cada música de sua trilha com certeza foi escolhida a dedo, pois cada uma serve como referência ao que está acontecendo na tela. A song list de incríveis 39 faixas vai de Bob Dylan a Genesis, passando por Queen, David Bowie, Beatles, Sting, The Cure, The Clash, entre outros clássicos de nostalgia pura!

Além de Theron, Atômica conta com as atuações de James McAvoy, que interpreta um controverso agente britânico que ajuda Lorraine em sua missão, de Sofia Boutella, que tem se tornado onipresente nas atuais produções hollywoodianas, e dos veteranos Toby Jones e John Goodman. Poucos nomes de peso, mas que com certeza dão conta do recado.

E entre flashbacks e vários litros de Vodka, Atômica nos brinda com cenas cheias de sensualidade sob a luz de neons, de brutalidade das lutas sangrentas, às vezes sem qualquer diálogo para emplacar um ínfimo momento cômico ou todo o suspense e drama do letal jogo de espiões, e tudo isso é pontuado por alguns headshots que nos deixam bem satisfeitos com o que vimos e ansiosos por uma nova missão da bela, platinada e “Furiosa” agente secreta. E eu já estou ansioso!

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