Crítica | Aquaman

Aquaman finalmente chega aos cinemas depois de uma breve participação em Liga Da Justiça, um dos heróis mais clássicos da DC ganha sua chance nos cinemas e é a grande única aposta da DC esse ano. Criado por Paul Norris e Mort Weisinger, o personagem estreou na More Fun Comics #73. Aquaman (Arthur Curry) é um híbrido do humano Tom Cury (Temuera Morrison) com Atlanna (Nicole Kidman), a princesa de Atlantis. Quando se torna adulto Arthur reluta em tomar seu lugar como Rei De Atlantis.

O principal responsável pelo grande evento que se tornou Aquaman é, sem dúvidas, James Wan (Invocação Do Mal e Velozes e Furiosos 7), que torna o filme uma obra memorável, pois se o longa peca em certos aspectos, todos os defeitos quase passam despercebidos durante suas 2,5 horas. O visual é fantástico, seja no cuidado com a construção do ambiente dentro d’água, como as lutas ou até mesmo nos mais simples movimentos. Toda a construção da mitologia do filme, incluindo os diferentes tipos de criaturas que vivem nos oceanos compõem uma escala que pode até ser comparada à mitologia de Star Wars, de tão refinada e bem feita que é a ambientação, visto que a cada frame é perceptível o cuidado com tudo que acerca a produção.

Fotos do Set.

 

A fotografia e direção de arte merecem total destaque. Tudo é feito de forma grandiosa e com escala épica, o que dá personalidade e faz jus ao mundo de Aquaman, em que  várias tomadas dos mundos aquáticos enchem nossos olhos. James Wan opta por cenas longas, uma peculiar forma de trabalhar com cenas em travellings e ângulos inusitados, incluindo transições entre presente e passado, que são sempre muito criativas, fluidas e totalmente justificadas. Apesar de o filme ter muito computação gráfica, principalmente nas cenas debaixo d’água, não incomoda tanto o espectador – por outro lado, nas cenas externas, fica claro o uso de cenários em Chroma Key. Vale a pena salientar a grande competência do diretor nas incríveis cenas de ação; nenhum take ou cena é desnecessário no filme.

Arraia Negra em Aquaman.

O roteiro é o maior problema do filme. O primeiro ato é muito dinâmico, com uma avalanche de acontecimentos que nos dá um bom vislumbre da personalidade do Aquaman. Já o segundo ato torna o filme uma quest no  melhor estilo Indiana Jones, que leva a uma queda em seu desenvolvimento, mas no último ato longa recuperar seu ritmo com louvor e encerra da forma mais épica possível, se tornando uma das maiores cenas de ação já feita pela DC. Jason Momoa reafirma sua personificação como Aquaman e não há como negar:  apesar de ser um ator limitado, entrega um personagem com camadas e se sai muito bem. Já uma questão problemática é sua dinâmica com a Mera (Amber Heard), que  não funciona e, apesar de o segundo ato tentar desenvolver a relação entre ambos, só rende piadas que não funcionam e, no mínimo, gera um riso involuntário pelos motivos errados.

Aquaman.

È importante notar que todo personagem tem a função de impulsionar o Aquaman de alguma forma na trama e, na maior parte dela, é a função base da personagem de Amber Heard, que lembra mais um cosplay, que apesar de ser claramente uma mulher forte, se perde em meio a um elenco com nomes como o de Nicole Kidman e Patrick Wilson,  e não consegue se destacar e mostrar a que veio. Willem Dafoe interpreta o mentor de Aquaman, mas não tem muito destaque e acaba tornando uma atuação genérica. Nicole Kidman, como Atlanna, mãe do protagonista, entrega as cenas mais emotivas e é impressionante como a atriz é dinâmica e atrai a atenção quando está em cena – é dela, aliás, uma das melhores cenas de luta do filme. Patrick Wilson como Rei Orm abraça o tom exagerado do filme e acerta muito o tom do personagem. Yahya Abdul-Mateen II como Arraia Negra é um vilão com muito potencial, mas que é usado como ferramenta nesse primeiro filme.

O maior acerto de Aquaman é exatamente se distanciar da estética imposta por Zack Snyder, que indiretamente interfere até ao filme da Mulher Maravilha, e aposta em um tom brega e auto reverenciando o personagem tão zombado ao longo dos anos em outras mídias. Mesmo com um roteiro problemático e previsível aliado a uma montagem confusa, o filme de James Wan é divertido e excêntrico e finalmente traz certo frescor às produções da DC e nos dá esperança em próximas produções do estúdio.

 

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