Crítica | Aniquilação

Esse texto tem spoilers. Lembre-se disso antes de ler.

Dredd, Ex-Machina, Extermínio e DMC: Devil May Cry são parte do currículo de Alex Garland. Em cada filme que faz, ele mostra de um jeito peculiar, uma reflexão sobre o comportamento humano e o desenvolvimento da sociedade a partir disso. Em Aniquilação, Alex Galard, não faz diferente e a reflexão é sobre autodestruição do ser humano.

O filme é uma adaptação do livro homônimo que faz parte de uma trilogia (Trilogia Área X). No livro, assim como no filme, somos levados para mais uma expedição rumo ao desconhecido. Cinco voluntárias de várias áreas diferentes de pesquisa, são enviadas para uma redoma apelidada de Brilho e lá são expostas aos mais diferentes tipos de mutação.

“Eu diria que está confundindo suicídio com autodestruição. Quase nenhum de nós comete suicídio e quase todos nós nos destruímos. De alguma maneira, em algum momento de nossas vidas. Nós bebemos ou fumamos, desestabilizamos um bom trabalho ou um bom casamento. Não são decisões, são impulsos.”

Antes disso, Lena (Natalie Portman), esposa do sargento Kane (Oscar Isaac) descobre que seu marido não morreu, ou ao menos é o que parece. Ao ser exposta ao marido retornado dos mortos, Lena é levada até a Área X, a região em torno do Brilho, onde o governo tenta, sem sucesso, investigar o que é aquela redoma que se expande e engole tudo o que está em sua volta, tornando a comunicação com o lado de dentro impossível. Então, para descobrir o que, de fato, aconteceu com seu amado, Lena se voluntaria para o grupo que irá sair em expedição. Lena é bióloga e nesse processo ela aplica todo seu conhecimento para entender o que o Brilho é. Na busca por respostas, ela e a personagem da Tessa Thompson, Josie Radek, entendem que a cúpula nada mais é do que um prisma que reflete e cruza toda informação, fundindo DNA de plantas, bichos e humanos. Vemos plantas diferentes nascendo do mesmo caule, jacarés com dentes de tubarão e um urso com mutações indefinidas, capaz de emular o grito de socorro da sua vítima mais recente. No começo do filme já sabemos que ela é a única sobrevivente, o que surpreende são as maneiras como as outras personagens morrem.

O exame de consciência que o filme traz é justamente sobre o que estamos fazendo com nós mesmos. No fim das contas, a Aniquilação da raça humana é de responsabilidade nossa mesmo e não de uma força além, somente. A força além surge como provedor do recurso da reconstrução.

Todas as personagens possuem qualidades que, ao longo da narrativa, adicionam algo a mais ao que acontece ali dentro da redoma. Os destaques ficam mesmo para Natalie Portman, Tessa Thompson e Jennifer Jason Leigh. As espectativas e experiências de vida delas são importantes para o destino de cada uma e, claro, o conhecimento técnico delas: biologia, física e psicológia, ajudam na busca das respostas pelas quais elas toparam viver aquilo.

Aniquilação tem um visual perturbador. Numa primeira olhada, em um plano aberto, parece uma paisagem edificante, natural e orgânica, mas quando vista nos detalhes, é de tirar a gente da cadeira por um instante. Tudo é feito para incomodar, para tirar a gente da zona de conforto. Isso se aplica ao modo de falar de algumas personagens (principalmente a da Tessa Thompson), ao som do ambiente, a movimentação de câmera e a trilha sonora também entra nesse quadrante. Principalmente por ela ser calma que, em vários momentos, condiz com o visual, mas não com a experiência, fazendo com que fiquemos desconfiados a todo momento.

Diferentemente de muita ficção científica dos anos 2000 (2005 para cá), Aniquilação foge do lugar comum é tão pouco se escora em clássico da ficção científica, tem os pés mais próximos de H.P. Lovecraft do que de Isaac Asimov, forcando quem assistir a refletir e avaliar cada aspecto apresentado. O único problema que, pode ser resolvido num futuro próximo, numa continuação: mesmo com as personagens sendo como são, ainda sim, são exploradas de maneira superficial. Vemos, claramente, que a personagem da Tessa Thompson tem muito a oferecer, sendo aquele personagem que elucida o público dos acontecimentos.

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