Crítica | American Horror Story: Apocalypse

Ao passar dos anos American Horror Story se tornou mais que uma série, se tornou um evento televisivo e mesmo após sete temporada ainda segue forte como referência em série no seu gênero. Tratando de temas relevantes através do horror tais como psicopatia (Asylum), histeria coletiva (Cult). mas talvez nenhuma de suas temporadas tivesse tido a repercussão que a primeira temporada (Murder House) e muito se deve aquele finale quando Constance (Jessica Lange)  encontra o bebê Michael cheio de sangue e a babá degolada ao seu lado. Eis que sete anos depois chega American Horror Story: Apocalypse se aproveitando justamente desse gancho deixado há tantos anos.

American Horror Story: Apocalypse assim reacende uma expectativa sobre esse crossover entre a primeira (Murder House) e a terceira (Coven) temporadas, apesar de durante seus primeiros anos a série ser tratada como antologia a partir da quarto (Freak Show) que aconteceu de fato a primeira aparição de personagens de antigas temporadas, mas é em Apocalypse pela primeira vez que o universo de duas temporadas se cruzam e o resultado acaba funcionando para a narrativa.

American Horror Story: Apocalypse

Também idealizada por Brad Falchuk, Ryan Murphy  a oitava temporada chega com uma trama de proporções globais que ainda não havia sido abordada na série, começamos a temporada com um ataque nuclear, quando os sobreviventes são obrigados a viver em alguns abrigos antibombas espalhados pelo mundo, e é nesse cenário que a primeira parte da temporada se desenrola, acompanhamos Venable (Sarah Paulson) e Mead (Kathy Bates), que comandam um desses abrigos, onde entre alguns sobreviventes, entre eles estão a blogueira Coco (Leslie Grossman), sua assistente Mallory (Billie Lourd), seu cabeleireiro Gallant (Evan Peters) e a avó dele, Envie (Joan Collins), a apresentadora Dinah (Adina Porter) e um casal que aparentemente tem o dna perfeito para a continuação da raça humana. E mais tarde  Michael Langdon (Cody Fern) o filho do Rubber man lá da primeira temporada se juntam a eles no abrigo, aparentemente para dar início ao seu plano de reorganização do mundo.

A série aposta em um clima claustrofóbico, com ângulos inusitados que causam certo desconforto, os ambientes são sempre escuros com luzes de vela o que ajuda nessa sensação, a certos elementos de tortura que também que intensificam o desconforto. Como a maioria das temporadas de AHS, Apocalypse também é contada através de blocos temporais o que torna a condução da temporada mais interessante e vemos todo um trabalho acerca do personagem de Cody Fern, mas é quando as bruxas de Coven estão em cena que a temporada realmente se destaca.

American Horror Story: Apocalypse

Como essa temporada traz elementos de duas temporadas distintas, ela só não  as mantêm como se misturam na nova narrativa, seja na fotografia com o branco predominante presente em Coven, assim como a inconfundível música tema, e também como já mencionado os ângulos em diagonal presentes em Murder House. O roteiro trabalha a volta de muitos personagens de ambas temporadas de uma forma criativa e que faz sentido dentro da narrativa apresentada durante a série , é bom também reparar o cuidado com a mitologia criada nas temporadas anteriores e que justificam certos acontecimentos na trama. Mesmo que certos acontecimentos percam carga dramática com o uso excessivo de algumas ferramentas narrativas.

Quando finalmente o clã das bruxas com Lily Rabe, Taissa Farmiga, Gabourey Sidibe, Jamie Brewer, Frances Conroy, Emma Roberts, Sarah Paulson está em cena vemos o trabalho de aprofundamentos dessas relações e uma certa rivalidade com os feiticeiros, mostrando como que Murphy consegue trabalhar bem personagens femininos e com toda a certeza toda a mitologia de Coven e o seu núcleo é que mais cresce na temporada e nos deixa com uma certa curiosidade sobre esse universo.

American Horror Story: Apocalypse

Outra grande expectativa era o episódio dirigido por Sarah Paulson, o episódio em questão foi o também tão aguardado Return to The Murder House, onde as bruxas retornam à mansão para investigar o passado do tão temido filho de Satanás, Paulson mostra certa desenvoltura para a direção mas acaba sendo limitada por uma estética que já havia sido pré determinada e acaba assim “engessada” , fazendo com que esse episódio seja mais como um exercício de direção do que uma chance para ela demonstrar sua capacidade como diretora. Outro ponto alto com toda certeza é o retorno da musa das primeiras temporadas Jessica Lange  como Constance que inclusive ganhou o Emmy pela mesma personagem não decepciona e mesmo o episódio sendo mediano a performance dela enche a tela.

Na reta final Murphy abusa de seu  humor característico com críticas a sociedade americana e seu modo de vida, seu humor ácido e talvez  trave um pouco a narrativa e ela perca o foco, principalmente quando é preciso nos mostrar como o ataque nuclear aconteceu e devido a esse texto tão peculiar de Murphy a série quase cai em certos momentos em um tom de paródia nos remetendo alguns de seus antigos trabalhos como Scream Queens.

American Horror Story: Apocalypse

Com um finale com cara de despedida Ryan Murphy nos entrega uma temporada carregada de auto referências e que mais funciona como uma celebração da mitologias criadas nas temporadas anteriores. O final acaba sendo meio apressado em meio a tantos retornos que mereciam mais destaques como a personagem de Angela Basset, que apesar de empolgante tem poucos minutos em cena, ainda sobre o elenco é impossível não se render ao incrível talento de Sarah Paulson (Que faz 3 personagens nessa temporada) , e a cena final com um diálogo sensacional entre Cordelia com o Michael.

Talvez o maior problema de American Horror Story: Apocalypse tenha sido a expectativa criada em torno dessa temporada que tinha a possibilidade de ser algo sensacional e que no fim das contas não teve um clímax a sua altura, e mesmo sendo uma temporada de extremos, provou que ainda tem relevância na Televisão e segue como referência no gênero.

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