Crítica | Alias Grace

Inocente ou culpada; Grace Marks merece sua atenção.

Como acreditar que uma garota de 16 anos, doce e com um ar puro, pode ter assassinado seu patrão e a governanta da casa? Bem, esse questionamento cerca a trama de Alias Grace. Porém, nem só de crime vive a série exclusiva da Netflix.

https://images.contentful.com/22n7d68fswlw/2SRjYaCzSwusAukoi8WUii/3f505c85890bb579aab1783c3d0a0df8/Alias_Grace_01.jpg?w=1200&h=600

A série é uma adaptação de um dos maiores sucessos de Margareth Atwood, Vulgo Grace (seu primeiro livro). Você conhece esse nome, não é? É a mesma autora de O Conto da Aia, que recebeu recentemente uma adaptação incrível e devoradora de prêmios.

O livro e a minissérie tratam de uma ingênua menina que chega ao Canadá, buscando melhorias de vida, vindo da Irlanda com sua família que acaba trabalhando como empregada na casa de fazendeiros e homens empossados (depois da morte da  mãe e assédio cometido pelo pai). O crime em questão ocorre quando Grace Marks  vai para uma nova casa (depois da morte de sua única amiga), onde seu patrão (Paul Gross) é um homem controverso e cheio de dedos em cima das empregadas e a outra empregada (Anna Paquin) que, agora  age como dona da casa, é petulante e intransigente. Além disso, ela conhece o ajudante que, mais tarde, viria a ser seu cúmplice (Kerr Logan).

Toda a história é contada apenas do ponto de vista de Grace, o que já causa uma estranheza. Não temos a versão real para refletir sobre a inocência ou culpa. Conhecemos a versão de Grace durante sessões com o psicólogo Dr. Jordan (Edward Holcroft) que, em dado momento, vê Grace com outros olhos e deixa que isso atrapalhe seu julgamento. Dr. Jordan foi enviado para provar, por A+B, que Grace é inocente e sendo assim, liberta da sua pena de 30 anos. Grace passou 15 anos sem contar o seu lado da história.

“Once you are found with a man in your room, you are the guilty one, no matter how they get it.”
— Grace Marks

Sarah Gadon como Grace Marks demora a parecer tão grandiosa e complexa como a personagem exige, mas do terceiro episódio em diante você vai começar a se questionar se o crime realmente aconteceu e se ela realmente é culpada. Grace se mantém concentrada com seu tom de voz suave, o que dificulta ainda mais o julgamento.

É falado de aborto, da visão do homem sobre a mulher e do lugar onde a mulher ocupava naquela sociedade; sendo menosprezada, impossibilitada de usufruir algum direito sequer. Os debates são do século 19, mas não deixam de ser tratados com atualidade que o assunto necessita. Grace poderia ser inocente, poderia ser culpada, mas nunca tinha sido escutada e seu período de reclusão, tanto no hospício  quanto na prisão, só mostraram que para aquela sociedade, o importante era o circo montado em volta e não os fatos, de fato. (parece que não estamos falando do século 19, né?)

https://cdn1.i-scmp.com/sites/default/files/styles/980x551/public/images/methode/2017/11/06/54b300a6-c07a-11e7-b942-6d23cbdef96a_1280x720_131319.JPG?itok=vDbWqUr9
Você tá vendo o Lemmy Kilmister do Motörhead na foto?

Todos os personagens são importantes para a narrativa fantasiosa de Grace. Cada um deles é usado para construir as relações e as reações de Grace. A série faz você torcer, no fim das contas, para que a assassina seja inocente e que fique tudo bem. É difícil desejar o contrário.

O final é extremamente agridoce. Não é esperado, mas em um sentido onde, na verdade, você espera que algo aconteça e bem, acontece… Mas não é nada espetacular. Além disso, a série tem um ritmo bem lento e é difícil acompanhar até certo momento, mas quando engata… Dá pra assistir muito tranquilamente.

Flávia Viana
Amazona, Rebelde, Jedi e Dúnedain disfarçada de Diretora de Arte durante a semana.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here