Crítica | A Star Is Born (Nasce Uma Estrela)

“A Star Is Born” é, sem dúvidas, um dos filmes mais queridos de 2018 até agora. O sucesso é tanto que está em cartaz há mais de um mês e se espera um lançamento em Blu-ray em breve, para a felicidade daqueles que querem vê-lo novamente ou ainda não tiveram a oportunidade.

Dirigido e estrelado por Bradley Cooper, Nasce Uma Estrela conta a história de ascensão de Ally (Stefani Germanotta – nome de nascimento de Lady Gaga) ao mesmo tempo que mostra o declínio de Jackson, interpretado pelo diretor da trama.

O enredo não tem nada que chame muito a atenção do espectador logo de cara, mas ignorá-la pode ser um erro. Bradley Cooper provavelmente colocou neste projeto o maior empenho de sua carreira e o trabalho bem feito é nítido.

A trilha sonora foi toda escrita do zero – por Cooper e Gaga. Bradley aprendeu a cantar e tocar, além de ter feito aulas para controlar melhor o tom de sua voz, fazendo com que Jackson soasse diferente do ator. O personagem tem uma voz mais grossa, característica e única.

O filme já se inicia com “Black Eyes”, música escrita, tocada e interpretada por Cooper. A cena foi o suficiente para me convencer de que o filme seria excelente pelas próximas duas horas e quatorze minutos.

Stefani Germanotta despiu-se totalmente de seu personagem artístico como Lady Gaga e deu abertura para Ally entrar em ação. Ally é uma cantora jovem, tímida, que se apresenta em uma casa noturna voltada para o público drag queen nos Estados Unidos, enquanto Jackson Maine é um artista experiente que por acaso aparece no bar e assiste uma de suas apresentações.

Tal música foi um cover de “La Vie En Rose” cantado na íntegra por Gaga. A delicadeza se casou bem com a voz forte de Gaga e o resultado foi emocionante; não é apenas a Jackson que ela encanta, mas também ao público. Esse é o ritmo que a trama mostra durante todo o longa.

Ally canta “La Vie En Rose” logo no início do longa.

Nasce Uma Estrela não se deixa cair na mesmice nem por um segundo e mantem um roteiro constante, interessante e que consegue prender o público sem entendiar em momento algum. As cenas musicais não são aleatórias e quase todas tem um significado importante para serem apresentadas.

Como se não bastasse, Stefani e Bradley Cooper mostram em cena uma química incontestável.  O casal se conheceu de forma inusitada e se apaixonou de forma leve e inesperada. Não há como negar a sintonia de Ally e Jack.

O relacionamento dos dois cresce rapidamente, e junto, a estrela – Ally, nasce. A jovem ganha fama e reconhecimento, enquanto Jackson lamentavelmente se afunda no álcool e nas drogas, o que pode apresentar diversos riscos tanto para sua carreira quanto para seu relacionamento.

A obra impressiona ainda por tratar com naturalidade o show business americano, de forma que nos parece crível e tem arrancado elogios de jornalistas e críticos por onde as estrelas do filme aparecem para promovê-lo.

São tantos bons elementos que não falta espaço para elogios. Fotografia, direção, roteiro, trilha sonora – que ainda está em primeiro lugar na Billboard, cenas reais dos shows, são componentes quase que executados com perfeição no longa e há uma grande expectativa que sejam reconhecidos dessa forma em premiações como Oscar e Globo de Ouro.

Já as atuações de Lady Gaga e Bradley Cooper merecem um destaque um pouco maior, principalmente a de Cooper. Muitos têm se impressionado com Gaga atuando, mas isso não é novidade – ela estreou como atriz em American Horror Story há dois anos e recebeu críticas positivas por isso. O que surpreendeu mesmo foi Bradley Cooper.

“A Star Is Born” foi a estreia do ator como diretor e roteirista, e não reconhecer a maestria de seu trabalho seria tremenda injustiça.

A história conseguiu trazer várias novidades mesmo sendo o terceiro reboot do filme original, trouxe conceitos novos como a própria forma de tratar o mercado musical nos Estados Unidos, além da simplicidade cativante da história de amor do casal protagonista e da humanidade por trás da fama.

Ao contrário do que se poderia esperar vindo de um rockstar, Jackson Maine é um cavalheiro e o relacionamento dele com Ally chega a ser utópico de tão fofo. Essas e todas as outras características já citadas, foram ingredientes cruciais para o sucesso do filme tanto com o público quanto com a crítica especializada.

A Star Is Born é um dos filmes mais leves e fáceis de se assistir de 2018, mas trouxe consigo uma responsabilidade e carismas inegáveis.

Ouça as músicas da trilha sonora:

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