Crítica | A Freira

O texto a seguir é livre de spoilers; pode ler em segurança.

A Freira vem para acrescentar mais um demônio ao hall de fenômenos sobrenaturais do universo de Invocação do Mal.

James Wan começou esse universo alguns anos atrás com um filme feito na medida correta de terror e suspense (Ed e Lorrayne enfrentando demônios no primeiro filme de Invocação do Mal). A partir dali o universo de Wan só cresceu com a adição de Annabelle e a sequencia de Invocação do mal, além disso, existe O Homem Torto saindo do papel e o terceiro filme da Annabelle. Como todo universo expandido o de Wan, não passa totalmente ileso aos problemas de construção. A Freira é responsável por isso tanto quanto Annabelle.

As freiras da Romênia em A Freira

A Freira nos leva ao ano de 1950 (20 anos antes do primeiro Invocação do Mal) e nos mostra a história de uma noviça (Taissa Farmiga) e um Padre (Demián Bichir) que são enviados para o interior da Romênia para investigar um misterioso suicídio e ao chegar lá, com a ajuda de um fazendeiro local (Jonas Bloquet), dentro da Abadia eles descobrem que o suicídio da freira era apenas a ponta do iceberg. A missão principal é descobrir se aquele território ainda é sagrado.

A estrutura do filme é muito parecida com o que a franquia faz de um modo geral, assim como todo filme que precisa explicar algo desconhecido do público (tem alguns filmes de herói que caem na mesma cilada) e nos deparamos com um roteiro básico: ameaça e problemas aumentando a medida que o filme desenrola até a solução repentina – trabalho medíocre (medíocre significa mediano, nada além disso) não é tão negativo assim, mas é meio do caminho.

Não necessariamente você precisa assistir toda a franquia para assistir A Freira. Tanto no inicio do filme quanto no final, existem incursões da franquia: Lorrayne falando sobre a figura da Freira e mostrando o início do primeiro filme de Wan.

Um ponto forte é a ambientação. O castelo na Romênia agrega um aspecto de horror e mistério em torno da história e isso faz com que o filme não se torne mais do mesmo dentro daquele universo. Faz lembrar os clássicos de terror mixados a narrativa mais moderna. Nesse momento a direção também acrescenta muito no trabalho fotográfico, usando o cenário e a luz para contar uma história além daquela que estamos vendo. A Romênia em si agregar um valor histórico e narrativo muito grande ao filme.

Taissa Farmiga em A Freira

As atuações são um ponto a favor do longa. Taissa Farmiga, que é irmã de Vera Farmiga (a Lorrayne) entrega a personagem mais crível dos três que conhecemos: a noviça traumatizada com coisas da infância e ingênua com sua fé latente. É inspiradora. O Padre, interpretado por Demián Bichir, lembra em vários momentos o Padre Callahan do universo de Stephen King, aquele padre meio desconfiado, beberrão e com um passado cheio de problemas com a própria igreja, e é um ótimo personagem. O que era para ser o alivio cômico, o fazendeiro interpretado por Jonas Bloquet, acaba indo do canto para o centro da tela em alguns momentos e se destaca bastante durante a trama com o senso de humor deslocado e seu carisma.

Os jumpscares estão presentes no filme – o susto acaba sempre sendo esperado e previsível, mas escapa pela construção das cenas em si. Eles surgem de momentos tensos e bem dirigidos, nos envolvendo naquele momento a ponto de ser difícil não se assustar na cena toda. Várias sequencias são bem aterrorizantes e entretém, prendem nossa atenção e nos fazem ansiar pelo bem dos personagens envolvidos. Boa parte das cenas causam agonia e aflição, mesmo com aqueles elementos clichês das possessões como cruzes invertidas, pentagramas e exorcismos malsucedidos.

Perto dos dois filmes de Invocação do Mal, A Freira não é um filme perfeito, mas ele não falha na missão de entreter e assustar. O filme não tem o mesmo peso que a direção de James Wan tem e é dirigido por um cara ‘meio verde’, Corin Hardy. O filme se desloca para longe da franquia em si e acaba sendo muito bem-humorado com investigação rodeada de horrores.

O filme é tão destacado do universo de Wan que quando, no final, Lorrayne e Ed aparecem novamente, o filme muda completamente de ares. Então, se o filme lhe desagradar, lembre-se: é um spinoff, um capitulo a parte e não tem a obrigação necessária de ser exatamente igual ao filme que deu origem, exceto na qualidade de roteiro que é onde o filme deixa a desejar e prejudica bastante o filme em alguns momentos.

 

Flávia Viana
Amazona, Rebelde, Jedi e Dúnedain disfarçada de Diretora de Arte durante a semana.

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