Crítica | Black Mirror: Bandersnatch

Black Mirror: Bandersnatch foi lançado na última sexta-feira, 28, pela Netflix e trouxe pela primeira vez um filme interativo para o público da plataforma.

Dirigido por David Slade, que também é responsável pelo thriller MeninaMa.com e por diversos videoclipes de bandas bem sucedidas como Muse e System of a Down, Bandersnatch é diferente de tudo o que você já viu.

O longa não é linear – traz mais de 5 finais alternativos que variam de acordo com o que o espectador decide para o personagem principal, permite que o usuário interaja diretamente com o protagonista em uma das cenas e traz diversos assuntos importantes.

Nem mesmo a duração do novo material de Black Mirror é predefinida. O mínimo que você pode encontrar são 40 minutos, sendo que toda a história tem 5 horas de gravação, o que justifica a escolha da Netflix em lançar um único filme ao invés de toda uma temporada.

No longa, Fionn Whitehead (Dunkirk) é Stefan Butler, jovem programador que desenvolve um jogo baseado em Bandersnatch, livro interativo que levou seu autor à loucura.

Os passos seguidos por Stefan acabam não sendo muito diferentes, já que na busca pela perfeição de seu jogo o garoto supera seus próprios limites.

Bandersnatch aborda temas importantíssimos como a saúde mental e tem até um desfecho todo relacionado a isso.

A importância das escolhas certas são o ponto principal do filme: Black Mirror trouxe em todo o seu longa oportunidades para que o público pudesse guiar a vida de Stefan da melhor maneira possível e até questionou diversas vezes se tais decisões eram realmente as que deveriam ser tomadas.

Em certos momentos, as escolhas são tão difíceis que Black Mirror faz com que questionemos nossa própria moral e ética antes de decidir. E mais: se demoramos muito tempo para isso, o filme simplesmente faz a escolha por nós – como na vida real: quantas vezes já foi tarde demais para tomar alguma atitude?

A todo tempo Bandersnatch instiga seus espectadores a refletir sobre como é bom ter o controle de algumas situações e como em outras é mais fácil deixar que alguém tenha o controle por nós, tomando as decisões mais difíceis e que não queremos fazer.

Em uma das primeiras cenas já é possível começar a decidir no lugar de Stefan. Mas será que as escolhas são tão simples quanto qual cereal comer no café da manhã?

Um dos momentos mais interessantes é quando a Netflix é inserida no contexto do filme – que se passa nos anos 80 – e os personagens especulam tudo sobre a existência do serviço de streamming, exceto que ele de fato exista.

Tal acontecimento abre portas para mais um debate sobre os avanços tecnológicos do século 21, assim como questionamentos de até onde esses avanços podem chegar.

Inúmeras obras de ficção (incluindo a própria Black Mirror) levantam hipóteses sobre a influência da tecnologia na rotina das pessoas em um futuro próximo, mas a sociedade ainda parece acreditar que tudo não passa de suposições. Bandersnatch tenta provar que não necessariamente.

Em 1980 era inaceitável que algo como a Netflix existisse. No entanto, cá estamos nós, discutindo através de uma tela sobre um filme que é exibido online e permite que o público escolha o destino do protagonista através do clique de um mouse.

Black Mirror: Bandersnatch é repleto de reflexões e problemáticas que por vezes não são ao menos apresentadas abertamente, conduzindo o público a fazer essas observações inconscientemente.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Dificil entender o que é tudo isto que este filme propõe só lendo esta resenha. Mas ela me despertou a curiosidade. Pelo jeito esta é e evolução do Black Mirror. Antes eramos telespectadores. Agora vamos virar personagens?? Um pouco assustador.

  2. A crítica explica muito bem o episódio/filme sem dar nenhum spoiler e, ainda, nos deixa com vontade de assistir ao longa.

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