Crítica | Tolkien

A figura de Tolkien não é muito conhecida. Mesmo que todos conheçam como o criador de O Senhor dos Anéis, quem foi realmente John Ronald Reuel Tolkien, o autor de um dos principais universos fictícios da humanidade e tantas outras obras literárias e filológicas?Tentando responder essa e outras perguntas, chegou recentemente ao cinema, o filme que mostra uma parte da vida de Tolkien, da infância à maturidade, o tempo no qual foi construído como uma pessoa e que influenciou-o para o que iria escrever no futuro.

Tolkien é uma cinebiografia que explora os anos de formação e juventude do famoso autor enquanto fala da amizade, da coragem e da inspiração entre um grupo de escritores e artistas, todos amigos e companheiros de estudo. A fraternidade entre eles evolui, se tornando mais forte à medida que amadurecem juntos. Sentem o amor e a perda, incluindo o romance entre Tolkien e Edith Bratt, até a eclosão da Primeira Guerra Mundial. Experiências que serviriam como fonte de inspiração para escrever seus famosos romances ambientados na Terra-média.

O filme aborda as dificuldades familiares e econômicas, até que ele obteve uma bolsa de estudos em Oxford, onde descobriu sua verdadeira paixão: a linguagem. Também a história de amor vivida com aquela que seria sua única companheira de toda a vida, Edith Bratt, foi retratada no filme. Uma história que resistiria a muitos contratempos, como a Primeira Guerra Mundial, ao amor proibido pelos mais velhos, e que levaria a uma das mais belas criações deste autor. Além disso, no filme, conhecemos a camaradagem que Tolkien pôde desfrutar em sua juventude, com a criação do Tea Club and Barrowian Society, onde se encontrou com três amigos seus para falar sobre arte, sociedade, cultura … para mudar o mundo.

O filme dirigido pelo finlandês Dome Karukoski aborda uma história de amor e amizade, e nada sobre a criação de uma obra literária. Embora tenha referências, adaptadas de maneira bem livre, de sua obra principal, o filme nos mostra como o escritor, o homem foi formado. E é nesse ponto, que encontramos o maior defeito quanto a maior virtude do filme. O roteiro de David Gleeson e a direção de Karukoski levam a biografia de Tolkien ao público, que, como tratamos no início do artigo, só o conhece como “o autor de …”. E, nesse sentido, acho que até consegue, entretanto fica negligente para aqueles que conhecem mais profundamente sobre a história pessoal de JRR Tolkien.

São quase duas horas, mostrando sua infância e juventude, porém de uma maneira um tanto apressada e, focando demais em alguns fatos para deixar “órfãos” outros mais importantes. Temos cenas da Primeira Guerra Mundial como um fio condutor, mas o filme teria ganho mais sentimento se fosse dedicado à importância do Cristianismo na vida e na obra de Tolkien, como também a figura de sua mãe e de seu mentor e protetor, o Padre Francis Xavier Morgan.

Outro ponto que não foi retratado, foi o a sua história de amor com Edith. Não foi tão doce como está no filme, na verdade era algo muito mais difícil, mesmo intuito, não foi profundo como deveria.

Por outro lado, tanto o seu fascínio com a linguagem, como sua relação com os outros três membros do TCBS, foi bem bem capturado no roteiro e na tela. E isso deve-se, acima de tudo, ao protagonista, Nicholas Hoult, que faz uma interpretação tenra e realista (embora um tanto melosa), o que nos aproxima da biografia. Por outro lado, Lily Collins, que interpreta Edith faz um bom trabalho, mas seu papel não reflete a importância que teve na vida do autor. Algo que ocorre também com Colm Meaney como o padre Francis Morgan e com Laura Donnelly que interpretou a mãe de Tolkien, cujos minutos na tela não seguiram o papel do padre em Tolkien.

Para quem conhece a vida de JRR Tolkien, o resultado da crítica é esse que comentamos. Mas para o público em geral, o resultado é notável: uma biografia válida, muito bem interpretada, que nos dará uma ideia de quem foi esse professor de Oxford que conseguiu conceber um mundo tão vasto e belo, como é a Terra Média de O Hobbit e O Senhor dos Anéis.  Para quem gosta do trabalho de Tolkien, é bem interessante uma visita a este filme, mesmo mostrando incompletamente, como o autor, a pessoa, foi construído.

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