Crítica | O Retorno de Mary Poppins

O Retorno de Mary Poppins chega em um momento onde a Disney se mostra cada vez mais empenhada em capitalizar em cima da nostalgia, a maioria das produções dos últimos anos foram Live actions de grandes clássicos da animação como Bela e a Fera, Mogli  e ainda pegando carona nessa tendência chega 54 anos depois a continuação de Mary Poppins um dos maiores clássicos do cinema musical, aclamado e cultuado por pessoas até hoje.

Criada pela Pamela Lyndon Travers, uma escritora australiana em meados de 1934, Mary Poppins é uma babá com poderes mágicos que ajuda a Família Banks durante uma época difícil. E em 1954 ganhou as telas do cinema pelas mãos de Robert Stevenson, o filme foi indicado a 13 Oscars e ganhou 5 deles, inclusive melhor atriz para Julie Andrews que interpretou a personagem título. Chega então O Retorno de Mary Poppins com uma grande responsabilidade de respeitar o filme de 64 e ainda sim se mostrar relevante para a nova geração.

Elenco afiado em O Retorno de Mary Poppins.

Já experiente no gênero o diretor Rob Marshall (Chicago, Into the woods)  consegue captar bem o clima do primeiro filme e trazer um tom muito evocativo ao clássico de 54, mas não espere nenhum vislumbre ou inovação em O Retorno de Mary Poppins, Marshal usa grandes cenários como no  primeiro filme, os números musicais não chamam a atenção a não ser o que mistura animação e atores que é fantástico, empolgante e colorido. É muito interessante como o diretor consegue trabalhar as transições entre realidade e a fantasia, sempre de um jeito muito orgânico, bonito e criativo.

Mistura de animação e atores.

O design de produção e cenários são lindos e é impressionante como a mansão dos Banks é recriada, e toda a vizinhança em si. O roteiro foca na relação entre as crianças e a Mary Poppins o que prejudica todo o resto do ótimo elenco, Tais como os Ben Whishaw e Emily Mortimer no papel de Michael e Jane Banks, respectivamente, os personagens são interessantes e mereciam mais tempo de tela, a personagem de Meryl Streep é fantástica a atriz talentosíssima, mas não precisava estar ali. Lin-Manuel Miranda, que interpreta um acendedor de postes, espelhando o papel que Dick Van Dyke interpreta no original, que aliás também está no filme, além de Julie Walters reprisando o papel da empregada Ellen.

Emily Blunt não poderia ter sido uma escolha melhor para a Mary Poppins, em nenhum momento ela imita a interpretação da Julie Andrews, e entrega uma Mary Poppins mais atrevida e sarcástica na medida certa, nas cenas musicais ela não fica devendo em nada a Andrews, e é ciente do legado que ela tem nas mãos e consegue transparecer isso em tela. A caracterização ajuda muito em um figurino mais lindo que outro. Não é a toa que o filme tem 4 indicações ao Globo de Ouro incluindo melhor atriz para Emily Blunt, ator para Lin-Manuel Miranda, melhor trilha sonora e melhor filme de comédia ou musical.

Emily Blunt como Mary Poppins.

Talvez o excesso de referências ao primeiro filme torne O Retorno de Mary Poppins uma produção presa a uma linguagem estabelecida décadas atrás, a preocupação não é criar uma continuação e sim honrar o legado do primeiro filme, e se torna um filme no melhor  estilo Disney de ser, tem uma visão sonhadora e menos ludibriada. E nos dá lições sobre empatia e esperança, já que vivemos em uma sociedade onde parece já não existir tais sentimentos, e nos dá também a certeza de que Mary Poppins sempre retornará em tempos difíceis.

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