Crítica | Bird Box agrada mais quem não leu o livro

Bird Box estreou na última semana na Netflix e vem dividindo a opinião do público quanto a qualidade da obra.

Na trama Sandra Bullock é Malorie Hayes, uma mulher que aparentemente é focada em qualquer coisa, menos no desejo de ser mãe, mas se pega de surpresa ao engravidar.

Pouco tempo depois, a população mundial sofre com uma epidemia misteriosa que faz com que as pessoas se suicidem, queiram matar outras pessoas ou apenas infectá-las para que elas vejam a “verdade”.

Não é dito durante a adaptação qual é a causa do surto, mas o que se sabe é que o “ser” que a causa infecta através da visão. Por isso os personagens usam vendas para cobrir seus olhos.

A comparação com “Um Lugar Silencioso” é inevitável, já que os dois longas foram lançados no mesmo ano e tem a origem básica similar: em um o som e a fala devem ser evitados para preservar a vida, enquanto no outro é a visão.

Ter que viver no escuro torna tudo mais difícil e o filme mostra muito esses obstáculos de forma eficaz.

A fotografia da obra traz imagens bem bonitas e a trilha sonora causa o suspense desejado, de forma não exagerada.

A maternidade

Logo no início de Bird Box temos uma Sandra Bullock séria e passando instruções pesadas, sem rodeios, para crianças tão novas e Bullock mantém sua ação firme em todo o longa, o que é um ponto positivo.

É muito interessante ver quem é Bullock além dos filmes de comédia e ela entrega uma atuação muito boa para a personagem que o roteiro pede. Vale ressaltar que eu não li o livro, então não posso fazer tal comparação.

Se considerar dessa forma, não contrastando com a obra literária, o longa funciona bem: o enredo é sim bem amarrado e mostra como Malorie lida com o apocalipse e ao se render a seus filhos e perceber como os ama.

Malorie não faz o que faz apenas para protegê-los, mas também pela esperança de que um dia eles poderão ver como o mundo é belo e apreciar a simplicidade da visão.

Parágrafo com spoiler

Na maior parte de Bird Box não sabemos qual das duas crianças é o filho biológico de Malorie. Em uma das cenas mais cruciais da história, a personagem chega à conclusão de que não há como escolher entre os dois. De sua forma e dadas as circunstâncias, Malorie os criou da melhor forma que pôde e os ama de forma igual.

Malorie e seus filhos em cena de Bird Box

Livre de spoilers 

Bird Box é então mais que um filme sobre o fim do mundo que finalmente traz as imagens de um surto apocalíptico que tanto sentimos falta no cinema.

O longa mostra desde o primeiro surto, quando os norte-americanos, por exemplo, ainda não estavam sendo atingidos pelo fenômeno inexplicável que se originou na Rússia. Traz desde o desespero para tentar se livrar do ser maligno, até o seu salto temporal de cinco anos, que mostra o pós-apocalipse.

Bird Box é, mais que tudo, sobre a maternidade e sobre o amor incondicional e genuíno de uma família nada convencional.

Não há dúvidas de que as grandes estrelas da obra são Sandra Bullock, Julian Edwards (Garoto) e Vivien Lyra Blair (Garota). Os pequenos, principalmente Garota, merecem destaque por suas atuações, já que carregam uma missão importante.

Se analisado por alguém que não leu o livro, portanto, Bird Box cumpre bem a proposta de um thriller dramático.

Para quem leu, pode deixar a desejar. Muitos fãs reclamaram do mesmo problema: a adaptação é rasa perto do que o livro narra.

Leia aqui a crítica do livro “Caixa de Pássaros”, que deu origem ao filme.

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4 COMENTÁRIOS

  1. Acabei de ver o filme e gostei muito. Eu acho até que foi bem fiel ao livro. Adorei o roteiro, e o clima de suspense. A cena do parto, no livro é mais horrenda, mas no filme ficou bem tensa também. Já Sandra Bullock foi a escolha perfeita para o papel. Impossível não se emocionar com esta mulher. Vendo este filme, nem lembro que algum dia na vida ela só fez comedia. Sensacional atuação.

  2. Amei o filme, mesmo não tendo lido o livro. Senti falta de mais filmes com essa temática esse ano (que fossem realmente bons).

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