Crítica | Volver

Ainda que lançado em 2006, Volver do diretor Pedro Almodóvar é um filme que se faz bastante atual e necessário quando se trata de cinema feito de forma poética, de sua cinematografia e da sua visão sobre o feminino.

Os filmes de Almodóvar eu costumo dizer que é uma bela fotografia da minha alma, do meu feminino mais intimo e sincero. Posso afirmar que somente o cinema de Pedro Almodóvar, a musicalidade de Chico Buarque e a escrita única de Clarice Lispector são capazes de me falar a alma e revelar esse meu certo feminino.

Imagem ilustrativa do filme.
Imagem ilustrativa do filme.

Sinopse:

Ao saberem da morte da tia, Raimunda (Penélope Cruz), sua filha Paula (Yohana Cobo) e a irmã Sole (Lola Dueñas) retornam à sua cidade natal no interior da Espanha. Suas vidas são transformadas quando o fantasma da mãe morta aparece para ajudá-las a resolver questões do passado.

O diretor Pedro Almodóvar, Penélope Cruz a direita, Lola Duenãs a esquerda e na ponta da mesa Yohana Cobo.
O diretor Pedro Almodóvar, Penélope Cruz a direita, Lola Duenãs a esquerda e na ponta da mesa Yohana Cobo.

O filme se inicia com as irmãs Raimunda e Sole limpando os tumulo dos pais, que faleceram vitimas de um incêndio 4 anos atrás. Nesse inicio temos uma tradição muito peculiar para nossos costumes, todo esse cuidado com os mortos. Almodóvar parece nos mostrar mulheres que cuidam em vida e em morte.

A personagem de Penélope Cruz é uma mulher forte em gênero e em sua vida, uma mulher batalhadora que trabalha de segunda a sábado e que enfrenta certos traumas de cabeça erguida. Inegável a homenagem de Almodóvar a personagens do cinema italiano e sobretudo a Sophia Loren.

 Uma cena bastante Hitchcokiana diga se de passagem!
Uma cena bastante Hitchcokiana diga se de passagem!

   Almodóvar trás uma história com amor, sexo, morte e segredos. Para quem conhece o cinema do diretor sabe que sua veia de novelas com melodramas é grande e que sua necessidade de sair do convencional é maior ainda. Os segredos de sua trama parece melodramas de novelas mexicanas mas isso não atrapalha em nada pois seu roteiro é tão brilhante e os personagens tão bem construídos que afeiçoamos a todos com amor e compreensão.

As cores que já são marcantes em seus filmes aqui aparecem com beleza maior, o vermelho se faz mais presente. E é um vermelho tão único seja na cor de um tomate, numa faca suja de sangue ou em um carro, o olhar sobre o feminino é de compreensão. Nessa historia os homens não são nem coadjuvantes, Almdóvar sabe que no fim quem faz tudo são as mulheres.

Cenas lindas e com tanta sensibilidades são construídas e nos deixam até respirando profundo, outras sorrindo levemente. Por exemplo, a cena das compras e toda aquela carisma da personagem da Penélope e a cena que mais amo que é a personagem da Penélope dublando Volver da Estrella Morente, dublagem tão perfeita que por tempos acreditei que era a atriz que realmente cantava no filme.

Volver (Retorno em espanhol), talvez possa ser interpretado de diversas formas. Volver é o retorno do Almodóvar em suas parcerias de sucesso com Penélope Cruz e Carmem Maura, ou até mesmo dentro da película onde uma mãe retorna para acertar seu passado pesado e assim ”morrer” em paz.

Almodóvar nos entrega aqui um filme feito com seriedade, um cinema profissional diferente de suas primeiras fases. O tempo tem ajudado ao diretor a se aperfeiçoar cada vez mais, Almodóvar vem de um cinema feito na raça e na coragem, o diretor nunca fez faculdade de cinema e tudo que sabe foi aprendido durante anos.

Almodóvar é transgressor por natureza, seus personagens ainda que possam parecer caricatos ou criaturas fora de padrões são personagens bem construídos e relatam o verdadeiro humano. Mulheres viúvas, prostitutas, simples cabeleireira ou até mesmo mães que mediante a demandas lutam e protegem.

O cinema do diretor é sempre biográfico, sempre uma homenagem as mulheres, ele consegue tratar do feminino que é algo tão ”complexo” para alguns com leveza e poesia.

No fim o que faz do diretor um dos mais famosos cineasta espanhol é sua força de construção de histórias que fogem do óbvio, o que faz de Volver um filme único e belo é sua construção em roteiro, fotografias, cores e principalmente elenco.

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