Crítica | Vingadores: Ultimato (Sem spoilers)

Parte da jornada é o fim...

São com muitas lágrimas e despedidas que chegamos ao fim de um período de 11 anos, que iniciou lá em 2008 com o primeiro longa do Homem de Ferro, encarnado na persona de Robert Downey Jr.. Moldando assim o que veríamos nos próximos 22 filmes que fariam parte do que ficou determinado como Marvel Cinematic Universe ou MCU.

Cada novo filme e cada novo personagem inserido nessa imensa teia que foi se formando tinha uma importância, culminando na primeira união dos heróis em Vingadores em 2012, em 2015 tivemos em Vingadores: Era de Ultron um novo embate, contra o robô Ultron e finalmente após pequenas citações e aparições entre sombras, fomos oficialmente apresentados ao vilão maior, em Guerra Infinita de 2018, o titã louco Thanos.

A ameaça que sempre esteve por trás nas maquinações e planos dos adversários anteriores se mostrava aqui sem precedentes, um poder que nenhum dos heróis poderia superar, uma iminente ameaça da destruição de metade do universo se consuma e temos a triste despedida de alguns dos principais protagonistas, temos em Ultimato a vingança que todos querem ver, onde a melancolia precisa dar lugar a esperança, a vingança cega em estratégia e unir novamente todos para enfrentar pela última vez o vilão.

Tentaremos não entrar no campo de spoilers, e comentar apenas a experiência do filme. Ultimato inicia com os Vingadores remanescentes do estalo de dedos de Thanos que exterminou metade do universo tentando se recompor e encontrarem um modo de seguir em frente, nesse interim temos também o paradeiro de Clint Barton/Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) revelado, sumido desde os acontecimentos da Guerra Civil e de Scott Lang/Homem Formiga (Paul Rudd) preso no mundo quântico ao final de Homem Formiga e a Vespa.

Esse reagrupar estratégico mostra também o apoio galáctico que chega com a força da Capitã Marvel (Brie Larson), mesmo com um filme aquém da qualidade que merecia, aqui a personagem aparece pontualmente em alguns dos momentos de maior necessidade e mostra o motivo dela ser o “plano B” de Nick Fury, outro que não pode deixar de ser citado é Robert Downey Jr., que incorpora Tony Stark de um modo que fica difícil imaginar outro ator no papel de Homem de Ferro, do mesmo modo de Chris Evans e seu amargurado Capitão América e não podemos esquecer de Thor (Chris Hemsworth), se sentindo extremamente culpado pois poderia ter evitado a tragédia se acertasse a cabeça de Thanos.

O tom pesado que serve de pano de fundo se mantêm durante as 3 horas de filme, que passam rapidamente, quando temos a impressão que o filme ficará arrastado temos um ponto de retorno que é digno de palmas, mesmo nas cenas em que temos um viés cômico, o filme se mantém sombrio, afinal, vários personagens estão mortos, as decisões do primeiro ato do filme começam a gerar as tentativas de virar o jogo contra o fatídico fim do filme anterior.

Após a grande aposta estratégica ter início é um misto de frenesi e ansiedade que toma todos, personagens sabiamente divididos em grupos para cada um receber a devida atenção e carga dramática, e o público que acompanha aos nervos cada núcleo em sua tentativa desesperada de prosseguir para o épico desfecho. Homenagens e reencontros que emocionam até mesmo o fã mais frio, e isso que ainda não estamos no ápice, mas chegaremos lá, pois a consciência de cada um estar fazendo seu papel e dando o máximo de si transparece em cada uma das ações.

E finalmente chegamos ao embate final, alguns personagens mereciam mais tempo em tela? Claro que sim! Temos alguns tropeços? Temos, mas devido ao roteiro bem trabalhado e bem estruturado, conseguimos seguir sem problemas, temos que entender essa decisão para não afetar toda a importância deste encerramento, ou o filme teria mais de 5 horas, um conflito muito bem rodado pelos irmãos Anthony e Joe Russo, cada movimento, cada golpe desferido e cada golpe recebido é carregado de uma emoção sem precedentes, de fazer os cinemas do mundo explodirem em lágrimas e aplausos, a ação desenfreada e as decisões tomadas pelos personagens nesse grandioso momento nos mostra a celebração final de todos os filmes que acompanhamos, um desfecho digno e que todos os fãs de todas as idades esperavam ansiosamente para celebrar, o caminho que foi pavimentado em 22 filmes e 11 anos nos trouxe à esse evento que todos acompanharam emocionados.

A consciência de dever cumprido de cada personagem após os acontecimentos deixa uma sensação de despedida, mas apenas de um até logo e não de adeus, um sentimento de alívio e também de “passagem de bastão”, teremos uma nova geração de heróis (e filmes) nos próximos anos? Apenas o futuro poderá dizer, pois o passado já está escrito e em letras de ouro pela Marvel.

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