Crítica | Tudo bem não ser normal

Tudo bem não ser normal é uma série coreana – conhecido como dorama – que foge das histórias convencionais típicas do gênero. Essa série aborda o relacionamento entre 3 personagens, cada um com problemas e questões à sua maneira.

Moon Gang-tae (Kim Soo-hyun) é um trabalhador comunitário na ala psiquiátrica e que não tem tempo para amar. Ko Mun-yeong (Seo Ye-ji) é uma autora bem sucedida de livros infantis, mas que sofre de transtorno de personalidade anti-social e nunca conheceu o amor. E Moon Sang-tae (Oh Jung-se) que é o irmão mais velho autista de Gang-tae.

A relação entre esse três personagens é conturbada, problemática e tóxica em alguns momentos. Porém, vemos na série como transtornos psicológicos e traumas do passado podem influenciar na vida das pessoas.

It's Okay to Not Be Okay | Tudo Bem Não Ser Normal em 2020 | Melhores  doramas, Series e filmes, Dramas

Ko Mun-yeong é uma personagem cheia de problemas, pois tem dificuldade em estabelecer laços afetivos, gostando de dominar todos ao seu redor, e que é capaz de fazer qualquer coisa MESMO para conseguir o que quer. Tanto que ela faz com que Moon Sang-tae assine um contrato que o obriga a morar com ela, sabendo que Gang-tae jamais abandonaria o irmão, de modo que seu objeto de desejo também passe a morar com ela. Apesar disso, Mun-yeong traz traumas fortes da infância, pois é assombrada pela presença de sua mãe que foi morta e pelo pai que tentou assassina-la quando jovem.

Moon Sang-tae teve um arco bem interessante de se acompanhar na série. Ele, que tem dificuldade de se expressar e de entender o mundo da maneira como entendemos, conseguiu se desprender das amarras da necessidade de convivência com o irmão, e aos poucos, com a ajuda do diretor do hospital, conseguiu superar seus medos e seu passado envolvendo uma específica borboleta.

Agora, para mim, quem teve todo o trabalho de carregar a série nas costas foi Kim Soo-hyun como Moon Gang-tae. Que personagem incrível! Por mais que questionasse muitas das atitudes de Gang-tae, inclusive sua devoção cega e irrestrita ao irmão, vemos ao longo dos episódios porque isso acontece e que, por mais que não pareça, é uma carga bem pesada que o cuidador carrega. O ator conseguiu cativar de forma que mostrou um personagem completamente humano, machucado, culpado, que carrega traumas e o peso do mundo nas costas. A cena da briga dos dois irmãos no hospital realmente acabou comigo.

Primeiras Impressões | Tudo bem não ser normal • Mundo Hype
Kim Soo-hyun como Moon Gang-tae

Falei muito dos protagonistas mas temos incríveis personagens secundários que roubam a cena. Nam Ju-ri (Park Kyu-young) passou por poucas e boas correndo atrás de seu amado, mas teve um desfecho bem divertido com o CEO de Mun-yeong, Lee Sang-In (Kim Ju-hun). Kim Ju-hun e Kang Ki-Doong (Jo Sae Joo) garantiram o espaço de alívio cômico na série, de forma bem leve, sem serem forçados. A amizade deles no fim de tudo é uma coisa maravilhosa de se assistir.

O diretor Oh Ji Wang (Kim Chang-wan) merece um destaque especial. O personagem consegue transitar na linha tênue entre entender e ser próximo de seus pacientes, e ainda consegue ter aquele discernimento crítico de saber lidar com as situações atípicas como um bom médico. É aquele seu confidente que consegue te ajudar a dar rumo na vida. O personagem muitas vezes se misturava com seus pacientes, arrancando risos, e outras agia como o terapeuta que era, gerando momentos de reflexões.

netflixbrasil on Twitter: "Sobre meu novo dorama Tudo Bem Não Ser Normal: -  Tem episódios semanais - Uma escritora de livros infantis que não gosta de  crianças mas sim de facas -

Além de toda a questão interna dos personagens principais, temos também os mistérios que fazem com que a trama se desenvolva: por que o pai de Mun-yeong tentou mata-la quando criança? Por que ele tem tanto medo da mãe de Mun-yeong? Por que Sang-tae tem medo de borboletas? Quem matou a mãe dos rapazes? A mãe de Mun-yeong realemnte está morta?

E, o diretor soube como e quando entregar esses mistérios. Cada episódio nos dá uma peça diferente do quebra cabeça, que vai sendo montado pouco a pouco. Eles não tentam te enganar, as coisas estão abertas nos nossos olhos, mas só com o tempo vamos percebendo isso. E sim, todas as perguntas que fiz no Primeiras Impressões foram respondidas.

Voltando aos personagens principais, todos eles aprendem que precisam mudar certas coisas em si para continuarem juntos como uma família, Eles precisaram crescer, mudar e se adaptarem para conseguir entender como o outro funciona, e isso ficou bem claro na série – bem que poderiam colocar a Mun-yeong fazendo tratamento de forma clara e explícita.

Finalizei a série bem feliz com os rumos finais que os personagens tomaram, mas com uma certeza na vida: se todos os personagens, inclusive as mães dos personagens principais tivessem feito terapia, a história da série não existiria. Terapia para todo mundo teria resolvido muitos problemas.

Tudo bem não ser normal. 🥀 | • Doramas Brasil • Amino

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