Crítica | Thor: Amor e Trovão

Quando estreou nos cinemas, em 2011, Thor trazia uma aventura rasa, mas com muita pompa e uma pitada de drama shakespeariano. Em 2013, a sequência Thor: O Mundo Sombrio entregou uma aventura mais genérica, com alguns momentos interessantes, mas se levava a sério demais e é marcado por ser considerado um dos piores filmes de todo o MCU, o Universo Cinematográfico da Marvel. Quando nada parecia funcionar, o criativo diretor Taika Waititi entregou Thor: Ragnarok de 2017, com uma proposta de ser mais leve e divertido, mesmo em momentos dramáticos. Funcionou! Ragnarok fez com o personagem elevasse seu nível de carisma a um patamar jamais esteve. Agora Waititi nos entrega Thor: Amor e Trovão.

Na história, acompanhamos Thor em uma jornada de autoconhecimento em busca da paz interior. A busca é interrompida com o surgimento de Gorr, o Carniceiro dos Deuses, que, como a alcunha sugere, vem assassinando divindades em busca de vingança.

E quem disse que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar? O diretor e roteirista consegue, mais uma vez, impor sua assinatura e nos entrega um filme bonito, divertido e emotivo.

O trabalho com as cores é fenomenal! Tanto quando há uma explosão delas na tela – o que geralmente acontece – como quando elas não estão presentes. As cenas de ação agora consolidam o estilo que já havia sido introduzido no filme anterior, com muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, slow motions pontuais e bem utilizados, tudo embalado pela trilha sonora.

A trilha é um show à parte. Formada por sucessos da banda Guns N’ Roses, que encaixam perfeitamente com as cenas que ajudam a ilustrar e por uma ótima trilha incidental que, com a ajuda de corais, dá o tom certo de epicidade que a trama pede.

A assinatura de Taika Waititi como roteirista também é evidenciada por uma trama que, mesmo quando é galhofa, consegue emocionar. É um deleite observar a habilidade com que ele consegue sensibilizar com pequenos detalhes e nuances de interpretação. Algumas pessoas podem até considerar que certos acontecimentos dramáticos não receberam o devido tratamento, mas é inegável que, de acordo com a proposta do filme, é um grande feito conseguir provocar certas emoções no público.

O elenco faz um bom trabalho e todos parecem estar bem à vontade nos seus papéis. O destaque fica para o, sempre competente, Christian Bale, no papel do antagonista. Entrega determinação e ódio na medida certa para um personagem profundamente perturbado, mas com alguns trejeitos um tanto exagerados. A jornada da personagem de Natalie Portman, Jane Foster, toma rumos inesperados e é muito bem conduzida.

Thor: Amor e Trovão não é complexo, pelo contrário, é um filme rápido e uma aventura muito mais contida em si do que preocupada em fazer conexões com a gigantesca franquia do Universo Marvel, algo que pode decepcionar quem espera por essas ligações. No entanto, considero essa abordagem um acerto já que a jornada interior é o verdadeiro plot aqui.

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