Produções de baixo orçamento rendem obras interessantes, os idealizadores com poucos recursos devem extrair o melhor dos atores e dos cenários que possuem gerando assim filmes muitas vezes com uma qualidade notável, a improvisação no uso de cenários, iluminação, fotografia eficiente, e claro, criatividade e talento dos envolvidos.

E isso é exatamente o que temos em The Devil’s Candy, do diretor australiano Sean Byrne, mesmo diretor de Entes Queridos, atores inspirados, uma ótima fotografia, uma trilha sonora impecável com hinos do heavy metal tradicional e uma atmosfera carregada de elementos de terror que em vários momentos nos deixa com uma tensão e uma sensação de que algo muito errado está acontecendo.

O filme inicia com a perturbada apresentação do personagem Ray Smilie, vivido assustadoramente por Pruitt Taylor Vince (Constantine, Assassinos por Natureza) em meio a vozes lhe perturbando a noite ele sofre um terrível surto com sua mãe e o terror têm realmente início. Um detalhe, o único modo dele diminuir as vozes em sua cabeça é tocando guitarra em um volume ensurdecedor.

A clássica trama da família que procura uma nova casa, acompanhamos o pintor Jesse Hellman que está à procura de uma moradia para se mudar com sua esposa e filha, e claro, a casa ideal é a de Ray, que não se encontra mais no local. Após a mudança da família a casa foi colocada à venda, e os novos moradores mesmo avisados dos sinistros acontecimentos resolvem ficar com a casa.

Parece um clichê de todos os filmes de terror certo? Sim, porém temos alguns fatos ocorrendo nas entrelinhas aqui, as perturbações que os Hellman começam a sofrer não são sobrenaturais, são reais, e muito reais, vindas diretamente de Ray que acredita que ainda mora na casa, e mais, ele não é somente um doente mental, notamos uma frieza em suas ações, todas elas, vale destacar aqui a tensa cena em que ele observa crianças brincando em um parque e os momentos em seu quarto de hotel assistindo aos programas religiosos.

Após o primeiro encontro com Ray, o patriarca Jesse está fazendo uma pintura encomendada para um banco, e gradativamente começamos a perceber as mudanças em seu comportamento, visões terríveis, “apagões” e tudo refletido nas suas pinturas, mensagens de horror que chamam a atenção de uma galeria que ele tenta vender suas obras, galeria esta que facilmente poderia ser uma interpretação de uma entrada para o inferno, com a guardiã e tudo mais.

Jesse recebe uma proposta do dono dessa galeria, Leonard (Tony Amendola), e no momento do encontro para os acertos temos a clara sensação de um pacto de sangue, a escuridão da cena, a bebida que facilmente poderia ser confundida com o sangue de um nefasto acordo, e o próprio Leonard, como o Diabo por trás das ações, curiosamente aqui Jesse está de branco, e na única faixa de luz da sala, como se tentasse se manter do lado bom.

Porém como foi dito no início, temos que ter consciência de se tratar de um filme de baixo orçamento, e notamos isso na cena final, claro que os efeitos poderiam ser melhores, mas não condena tudo que foi feito durante sua projeção, uma ótima opção para os fãs de um bom terror, e também de uma boa música pois o filme inteiro é recheado de ótimas músicas.

REVER GERAL
nota
7,5
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Músico, ator e viciado em tudo que rodeia a sétima arte, colecionador de livros e HQ’s em excesso algumas vezes.

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