Critíca | Stargirl (DC, 2020)

Apesar do choque do que ocorreu com a série do Monstro do Pântano, frente ao seu lançamento e cancelamento, e o envolvimento que a série Patrulha do Destino conduziu para nos deixar animados, não é que a DC nos surpreendem com mais uma aposta, Stargirl. Enquanto esperávamos o retorno do singelo grupo de desajustados que adquiriu superpoderes, a série chegou surpreendendo.

Geoff Johns e Brec Bassinger nos bastidores da série da Stargirl.

A série é uma co-produção da Berlanti Productions (“Arrowverse”), Mad Ghost Productions (a productora de Geoff Johns), DC e Warner Bros Television; mas é a mão de Johns que está mais presente, tratando como um projeto pessoal, já que Stargirl é uma re-interpretação do personagem clássico de Starman. Courtney, o alter ego da super-heroína, é criação do roteirista, baseada na irmã que Johns perdeu em um trágico acidente. E aqui apresenta uma abordagem familiar para o confronto entre o bem e o mal, com toda aquela magia da Era Heroica, conhecida como a Era de Ouro dos Quadrinhos (1938-1956). Dentro do primeiro arco de episódios temos uma retomada de umas das épocas mais criativas e diversas da história dos quadrinhos, trazendo um pouco do que era a Sociedade da Justiça da América, influência para muito do que ia surgir na indústria.

Alguém pode até confundir a garota das estrelas com Supergirl e outros produtos do canal The CW, mas como Patrulha do Destino cria um universo interessante para acompanhar, recuperando parte da essência que Arrow trouxe há dez anos. E mesmo com as limitações que ocorrem com séries que seguem o mesmo parâmetro narrativo acerta em manter a qualidade das demais séries do CW.

Mas vamos tratar dessa nova garota que chega na cidade, mais precisamente em Blue Valley. Courtney Whitmore (Brec Bassinger) se muda para a pequena cidade do Nebraska como parte da nova família que sua mãe Barbara (Amy Smart) e Pat Dugan (Luke Wilson) formaram. A mudança traz a tona a ansiedade tão característica de alguns adolescentes já vistos em outras produções, desencantados por deixarem a cidade grande para o interior dos EUA. Mas o seu padrasto tem um passado secreto, que levará a Courtney a encontrar o cajado do falecido Starman, que lhe confere poderes e formará uma equipe de jovens super-heróis para enfrentar um grupo de vilões do passado.

Após uma pequena aparição no crossover “Crisis on Infinite Earth”, Stargirl abre com um episódio brilhante e muito distinto como foi com Flash, Supergirl ou Titans, com uma produção que não perde para um bom filme de ação. Logo no início, temos uma batalha brutal entre heróis e vilões, que resulta no fim dos vigilantes que mantinham a ordem até então. Somos apresentados ao cânone da DC, aos primeiros super-heróis e supervilões da editora, uma conhecida paixão do roteirista que está a frente da série. Nesta adaptação, Johns não segue a origem do Starman de Ted Knight, evitando a história muito confusa de Starman ao longo de seus quase 80 anos de existência e baseando mais no trabalho de Johns para a HQ Sideral e F.A.I.X.A (Stars and S.T.R.I.P.E.) e onde Courtney fez sua estréia original.

Luke Wilson e seu robô, F.A.I.X.A

Serão 13 episódios, os que já saíram são divertidos e inquietantes em tramas e segredos que incrementam a narrativa e o interesse pela série; e diferentemente dos clichês apresentados nos trailers e nas sinopses, brilha pela abordagem heróica, nostálgica e moderna. Stargirl tem uma reverência e amor por um tempo mais simples, que se planta firmemente no moderno com um senso de otimismo semelhante, mas mais cauteloso.

Pode parecer meio novelesca, com os clichês comuns e um drama familiarádolescente em excesso, mas com uma atmosfera bastante interessante, para fãs de quadrinhos ou não, um pano de fundo que aborda os anos 1950-1060, com efeitos visuais que funcionam, trilha sonora que pega composições da era de ouro do Rock N Roll incorporadas com o lado moderno de Pinar Toprak (Captain Marvel, Krypton)om uma produção notável e uma história que permanece fiel ao material de origem, conforme necessário para manter a essência do personagem. Uma série divertida que esculpe seu lugar além do Arrowverso, recomendo.

Sobre o autor

Cadorno Teles
Professor de Ciências Biológicas e Física, Historiador, idealizador do Canto do Piririguá, astrônomo amador e curte Mestrar RPG e jogar um bom boardgame/videogame.

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