Review | Star Wars: Estrelas Perdidas de Claudia Gray, Fábio Fernandes & Zé Oliboni

Estrelas Perdidas
Star
Wars geração Jogos Vorazes
Estrelas
Perdidas começa em Jelucan, um planeta árido. Óbvio, qualquer história que se
preze de Star Wars tem que começar em um planeta desértico. Seja pela
identidade com o início de Uma Nova Esperança, seja por mostrar o protagonista
isolado de todos os problemas da galáxia para fazer o “chamado do herói” soar
mais alto e mais improvável… É fato que Estrelas Perdidas é um livro que se
apega fortemente às lembranças de todos que acompanharam a trilogia clássica…
Nem sempre isso é bom.
        O livro começa com o encontro do jovem
Thane Kyrrel com a jovem Ciena Ree. Os dois nutrem uma paixão incontrolável e
um desejo inextinguível por voar, fato que faz com que rapidamente eles se
tornem amigos durante um evento que ocorre quando o seu planeta natal, Jelucan,
está finalmente sendo anexado ao império. Após um encontro com o Grao-Moff
Tarkin ambos decidem que irão se tornar pilotos imperiais.
        A partir deste começo a trama começa a
mostrar suas verdadeiras formas, mostrando os dois indo para a academia
imperial e treinando para realizar seus sonhos. O primeiro ato ocorre de
maneira muito interessante, mostrando a amizade verdadeira entre duas crianças,
que se entendem e se respeitam embora sejam muito diferentes uma da outra. Toda
esta parte é super bem conduzida até que, de repente, a amizade de ambos se
torna outra coisa…
        É necessário “abrir um parênteses” aqui
para debater um pouco sobre romances em Star Wars. Desde quando Han Solo
demonstrou que sabia que a princesa Léia o amava, passamos por momentos
terríveis, principalmente quando Anakin resolveu dar uma de Don Juan das
galáxias e conquistou o coração de Padmé em momentos nada memoráveis na
trilogia prequel… Star Wars mais do que em qualquer outra franquia precisa
não só que seus romances façam sentido para a trama, mas que este romance seja
bem escrito e infelizmente este não é o caso aqui.
        O romance entre Thane e Ciena, que passa
pelos mais diversos obstáculos, aparece aqui obviamente para chamar para a
franquia os fãs de romances juvenis que vem fazendo sucesso com títulos como
Crepúsculo, a saga divergente, Jogos Vorazes entre outros. Para
contrabalancear, a história tem como pano de fundo acontecimentos como as batalhas
de Yavin IV, Hoth e Endor, bem como uma batalha no final que serve para
explicar certas situações de O Despertar da Força. Estas referências, porém, se
tornam outro tiro no pé da obra, uma vez que ela se torna tão refém de locais e
personagens já descritos que se perde a chance de criar algo realmente novo
para este universo expandido.
        Há porém bons momentos. Além do primeiro
ato, a parte era apenas uma amizade, a trama consegue criar uma situação
interessante que gera tensão nas batalhas que, por já conhecermos seus
resultados finais, não criariam nenhuma tensão. Acontece que Thane, após ver o
poder da Estrela da Morte em ação, resolve desertar do serviço do império e
acaba por se aliar à Aliança rebelde. Isto possibilita que todas as batalhas
sejam não só contadas do ponto de vista dos pilotos de X-Wing, mas também pelos
de Tie Fighters e Star Destroyers… levando um pouco de humanidade e carisma
para os vilões da saga, além do fato de que, apesar do romance mal escrito, Thane e Ciena tem o seu charme…
        Por fim, Star Wars: Estrelas Perdidas é
um livro que prova que a Disney tem completo controle do que será feito com a
saga, não só mostrando situações que serão exploradas posteriormente (em
determinado momento, há uma consternação entre os imperiais em descobrir que alguns
rebeldes suicidas entraram em combate contra o império e sobreviveram… O
conteúdo levado por eles é um mistério que será resolvido em Rogue One) além de
demonstrar novas situações a serem exploradas (humanizar e dar rosto aos
vilões, relações amorosas, mostrar que tudo o que será desta nova trilogia é
reflexo do que já foi…). Só deve haver cuidado para que estas amarras não se
tornem correntes para o universo expandido.
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Fundador - CEO - Designer - Líder da casa Mundo Hype! Desenvolvedor Front End, Designer e Fotógrafo. Apaixonado por cinema, viciado em séries e colecionador de HQs. Super-Heróis favoritos: Iron Man e Spider-Man.

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