Novo filme misterioso produzido por J. J. Abrams funciona tanto como continuação quanto reboot do filme de 2008

 Anos atrás muitos estúdios de Hollywood começaram a olhar para seu catálogo de clássicos e começaram a criar um subgênero de filme, os remakes. Logo, devido a qualidade duvidosa de muitos deles o público começou a criar repúdio por esta palavra. Estava óbvio que era necessário criar uma nova forma de reviver franquias antigas sem descartar a lembrança que estes filmes têm em seus fãs. Foi apenas com Star Trek, dirigido por J.J. Abrams por intermédio de sua produtora Bad Robot, que começamos a entender como isto poderia dar certo: Não descartar o que já foi, apenas crie uma história em um tempo distinto.
Com experiência em trabalhar em projetos onde os spoilers estragariam a experiência, como Lost e Alias, a Bad Robot se tornou em especialista em criar uma aura de mistério envolto de seus mistérios, fazendo trailers que, de modo geral, não entregam nada além do visual de seus filmes. Esta prática começou com o filme Cloverfield, que se utilizou enormemente de vídeos virais para se promover, revivendo uma prática que criou um dos maiores clássicos do terror moderno, As bruxas de Blair.
Em Rua Cloverfield, 10, estas duas tendências modernas se unem em um único filme. O longa funciona como um recomeço para uma franquia que, embora tenha obtido sucesso com o público, tinha uma história fechada em si mesma que não parecia ter muito para onde ir. Até por isso ninguém esperava por este filme, que foi revelado para o mundo apenas durante o superbowl deste ano. Deste modo todo o filme se tornou um grande mistério. Qual a sua ligação com o original? Ele vai querer explicar o que aconteceu no final do primeiro filme? E, talvez a maior pergunta, ele vai explicar o que diabos era aquele monstro?
Saber a resposta para qualquer uma destas perguntas estragaria em muito a experiência, e não serei eu a fazer isto com você. O que cabe salientar aqui é que sim, o filme está no universo do Cloverfield original, mas não é necessário te-lo assistido para entender o que se passa, muito porque o escopo do filme é completamente distinto. Se no original estávamos vendo um filme-catástrofe com a mecânica dos Found Footage, aqui nos aproximamos mais dos terrores claustrofóbicos e os dramas de mundos pós –apocalípticos. Isso me fez me perguntar se o filme realmente nasceu com o propósito de ser o que é ou se era apenas mais um roteiro onde os produtores viram a chance de chamar a atenção de quem viu o longa de 2008; Na história, Michelle (Mary Elizabeth Winstead, a mítica Ramona Flowers de Scott Pilgrim) fugia de seu esposo após uma discussão quando sofre um acidente de carro. Ao acordar, se vê amarrada em um pequeno quarto e conhece Howard (John Goodman, de Argo, Jurassic Park, Inside Llewyn Davies e outros clássicos), um homem que diz que a salvou após o acidente, uma vez que a Terra foi atacada e a atmosfera tornou-se venenosa. Neste local também encontra-se Emmet, outra figura misteriosa.
O filme brinca todo o tempo com a questão do terror de lugar fechado, usando e abusando de closes para dar a impressão de desconforto e aperto, além de uma fotografia escura e opressora, fazendo qualquer raio de Sol que aparece explodir na tela. O roteiro consegue levar bem seu ritmo, uma vez que há apenas 3 personagens em cena na maior parte do filme, seus diálogos servem para criar empatia e, rapidamente, dar um aspecto de tensão em perigo. Ainda que não vá se tornar um clássico do gênero, o filme consegue ter nestes diálogos bons momentos, mostrando que momentos assustadores podem nascer mais de como a cena é composta do que um aparecimento repentino.
E assim, Rua Cloverfield, 10 mostra-se ser mais um acerto no catálogo de filmes misteriosos com a mão de J. J. Abrams. Se você for ver, aconselho que não veja nem sequer o trailer e vá com a mente aberta para um filme que faz da reviravolta seu sobrenome. Porque pode ser que o longa não vá se tornar um grande clássico, mas ainda assim ele faz valer a pipoca.
REVER GERAL
Roteiro
8
Efeitos Visuais
7
Fotografia
7
Atuação
8
Direção
8.5
Trilha Sonora
8
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Fundador – CEO – Designer – Líder da casa Mundo Hype! Desenvolvedor Front End, Designer e Fotógrafo. Apaixonado por cinema, viciado em séries e colecionador de HQs. Super-Heróis favoritos: Iron Man e Spider-Man.

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