Crítica | Porco Rosso: O Último Herói Romântico

Faz 28 anos que Hayao Miyazaki nos fez sobrevoar com o céu com Kurenai no Buta, ou conhecido como Porco Rosso: O Porquinho Voador ou Porco Rosso: O Último Herói Romântico. Uma animação que só poderia ter sido por Miyasaki, cuja filmografia sempre trouxe personagens estranhos, com uma diversidade de monstros e criaturas que fogem da normalidade. Na maioria de suas histórias esses seres resultam surpresa, tanto para o espectador como para os próprios personagens. Não é o caso do Porco Rosso. Um personagem que é apresentado com completa naturalidade como um piloto que foi transformado em um porco após uma experiência mística. É curioso o seu desenvolvimento, tanto que não notamos que seja um porco, tornando assim o feitiço que o transformou como uma mera curiosidade para a trama. Ou como uma anedota que o mesmo fala: “Sim, um porco. Mas, por favor, falemos de outra coisa”.

Hayao Miyazaki nos insinua a deixar passar esse aspecto de seu personagem, a animação nos leva a mensagens importantes que são evocadas pelos próprios personagens, pela força da história, pela situação política e até pela posição que as mulheres representam. Estamos diante de um trabalho que não oculta a qualquer momento e ousa postular questões através da Itália ditatorial sob o punho de Benito Mussolini ou a igualdade de mulheres contra homens. Aspectos que exaltam não apenas a Porco Rosso como tal, mas a mente por trás disso. E o melhor, como se vê, agora que entro no catálogo da Netfliz, o tempo tem sido particularmente gentil com esse.

Baseado em uma histórias em quadrinhos também escrito por Hayao, Porco Rosso é situado na década de 1930, antes da Segunda Guerra Mundial, apresenta a história de Marco Porcelino Rosso, um exímio piloto que desbrava os céus, voando pelo mar Adriático, aposentado da Força Aérea italiana, após a experiência de traumas e conflitos da Primeira Guerra e vive voando para si como um caçador de recompensas. Seus inimigos são piratas que atacam embarcações e sequestram turistas em seus aviões, que trazem um antagonista para enfrentá-lo após inúmeras derrotas. Em seu primeiro embate, seu avião falha, forçando-o a voltar para a Itália para atualizar sua máquina e se livrar do americano de uma vez por todas. Lá, encontra Fio, uma jovem arquiteta que o ajuda em sua missão.

A animação não é muito densa como poderia ser esperado. A estrutura da narrativa é fácil de compreender e parece não levar tão a sério a ambientação utilizada no filme. Claro que vindo da Ghibli não teríamos um filme simples só por ter uma estrutura fácil, Porco Rosso é recheado com tantas informações e referências que é difícil pegar tudo de uma vez. Conhecer um pouquinho da história da Itália pode ajudar a compreender muitas informações presentes no filme.

A animação tem virtudes que a colocam longe de ser considerada uma das obras menores de Miyazaki. Uma singularidade que explora bem a simplicidade que lhe dá um charme único, criando um filme incrivelmente bonito. Todos os seus personagens, do Porco aos mercenários, são realmente divertidos. Diálogos, lembranças, cenas de ação fascinantes e belas paisagens.

Porco Rosso found the perfect getaway.

O céu azul, o cenário romântico italiano e a incrível atenção aos detalhes que caracterizam os filmes de Ghibli são um deleite visual. Acrescente a isso os designs atrevidos e divertidos de personagens e algumas cenas adoráveis ​​no ar e você pode ter certeza de que a magia gvbnyn sk]~dlçdcf ç. está totalmente presente, mesmo sem todos os extras fantásticos.

 

A trilha sonora também é essencial na criação da atmosfera. Joe Hisaishi retornou com uma de suas melhores e mais reconhecidas partituras de Ghibli, e complementa por algumas faixas clássicas dos anos 30 que capturam e aprimoram perfeitamente o cenário italiano.

Podemos classificar as obras de Miyazaki em duas categorias. Aqueles épicos e espirituosos (A Viagem de ChihiroPrincesa MononokeO Castelo Animado) e seus filmes menores, encantadores (Ponyo: Uma Amizade que Veio do MarMeu Amigo TotoroO Serviço de Entregas da Kiki). Porco Rosso tem características de um épico, mas este é realmente um dos filmes mais alegres do mestre. É´simples, mas é bom o tempo todo, com perigos e drama, mas jamais colocados ameaçadores ou sérios para os personagens, mesmo sendo por se tratar de aviões de guerra e ser entre guerra (surgimento do fascismo).

É divertido, suave e descontrai, a figura do protagonista num avião italiano se tornou um ícone do estúdio Ghibli. Resumindo, o filme poderia ter sido um drama militar como parece, mas é uma aventura sobre um insólito aviador que tenta viver livremente pelo céu. Um filme que fará pensar “se for para eu virar um porco, que seja o Porco Rosso!”.

Sobre o autor

Cadorno Teles
Professor de Ciências Biológicas e Física, Historiador, idealizador do Canto do Piririguá, astrônomo amador e curte Mestrar RPG e jogar um bom boardgame/videogame.

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