Crítica | Planeta Proibido (Forbidden Planet, 1956)

Para quem acompanha o Mundo Hype, em especial quem gosta de filmes de ficção científica galáctica, conhece bem das franquias space opera. Jornada nas Estrelas (Star Trek), Guerra nas Estrelas (Star Wars) ou Alien o 8º Passageiro são exemplos do gênero e destacados na atualidade pela popularidade. Mas antes do Capitão Kirk assumir o comando da Entreprise; antes de Luke Skywalker dá seus primeiros passos para se tornar um Cavaleiro Jedi; ou um parasita alienígena causar estragos na Nostromo, um filme abordou uma narrativa que merecia ganhar destaque nos dias atuais.

O filme no caso é o Planeta Proibido (Forbidden Planet, 1956), inspirado em A Tempestade de William Shakespeare. Também há referência do livro 20.000 Léguas Submarinas, de Julio Verne, de uma maneira que um dos principais personagens refletem o mesmo espírito como o Capitão Nemo. O longa consegue ser um marco para o período que foi desenvolvido mesmo com um roteiro descritivo, personagens simples e um romance piegas. Além disso é um retrato da tensão da Guerra Fria e do conflito humano com as tecnologias que apareciam.

Dirigido por Fred M. Wilcox (1907-1964), com o seguinte elenco: Walter Pidgeon (como Dr. Edward Morbius); Anne Francis (no papel de Altaira Morbius); Leslie Nielsen (o capitão John J. Adams ); Warren Stevens que interpreta o tenente dr Ostrow; Jack Kelly (tenente Jerry Farman); Richard Anderson (o engenheiro-chefe Quinn) e Earl Holliman. Também vale destacar o trabalho de Frankie Darro e Marvin Miller, já que o primeiro estava sob o traje metálico do robô Robby , enquanto o segundo colocava a voz no idioma original.

Dr. Edward Morbius o cientista interpretado por Walter Pidgeon (1897-1984), um ator shakespeariano reconhecido.

A filha do Dr. Morbius, Ann Francis (1930-1984), belíssima e sempre seminua.

Leslie Nielsen in Forbidden Planet 1956
O futuro humorista Leslie Nielsen (1926-2010) como o capitão da missão, em sua estreia como ator.

Nielsen (no centro), Jack Kelly (1927-1992), mais atrás e Warren Stevens (1919-1984), sentado

SINOPSE: Uma expedição terrestre é enviada para o Sistema Estela de Altair (a cerca de 17 anos-luz da Terra) para descobrir o que aconteceu com uma colônia de colonos em seu quarto planeta.

Estamos no século XIII, uma nave dos Planetas Unidos da Terra inicia uma missão ao planeta Altair IV. O planeta era um mundo com condições semelhantes ao nosso planeta, a misão estava em busca de uma expedição enviada vinte anos antes. No entanto, ao chegar lá, descobrem que há um único sobrevivente, o cientista Edward Morbius, junto com sua filha Altaria e seu robô Robby. O dr vive bem ali e não tem intenção de retornar à Terra… Mas as coisas começam a ficar complicadas quando uma estranha criatura, que parece possuir o dom da invisibilidade, começa a causar baixas na tripulação da missão.

Análise

Existem poucos filmes que conseguiram construir influências ao longo do tempo quanto Planeta Proibido. As atuais produções de ficção científica e seus enormes orçamentos tem uma grande dívida com este filme. O gênero raramente tinha sido levado a sério pelos executivos dos estúdios, e os filmes de ficção científica geralmente recebiam os orçamentos mais escassos. O Dia em que a Terra parou (1951), se destacou como um filme maduro e sério, abrindo caminho para o desenvolvimento de Planeta Proibido. E filmado ambiciosamente em CinemaScope, provou que narrativas podem ser instigantes.

Forbidden Planet foi o primeiro filme de ficção científica a ter um grande orçamento, permitindo efeitos especiais extraordinários que encantaram sua audiência. Muitos dos elementos encontrados neste filme foram usados ​​inúmeras vezes e abriram o caminho para tudo, de Star Trek, Star Wars e Alien.

Temos o primeiro robô baseado em personalidade que não seja um empregado e, com um papel tão proeminente que provavelmente nunca teríamos sido presenteados com R2D2 e C3P0. E sem dúvida, ofusca qualquer ator com quem ele compartilhe a cena em cada uma de suas aparições.

Sua narrativa sobre exploração espacial e confrontos com inteligências alienígenas mais desenvolvidas tem sido usada diversas vezes desde então. É impossível ver Forbidden Planet sem perceber os precedentes das franquias já citadas, além de outras como Predator ou Blade Runner. De fato, o enredo do filme tem algumas semelhanças com o filme Prometheus (2012), apesar da estética a la Metropolis (1927).

Apesar de ser um longa-metragem de ficção científica, as cenas de diálogo se destacam das cenas de ação, algo que não é muito comum no gênero, mas é exatamente isso que dá esse aspecto novo ao filme. Em seu enredo, elementos da peça mais fantástica de William Shakespeare, A Tempestade. E dentro da narrativa do filme, o enredo se afasta de maneira inteligente e filosófica da proposta de Shakespeare (na peça, havia uma ilha em vez de um planeta e um espírito em vez de um robô).

Os efeitos especiais foram desenvolvidos pelo artista da Walt Disney Studios, Joshua Meador (Pinóquio, Fantasia, Dumbo e Bambi).

A história é fascinante em sua profundidade e probabilidade que, juntamente com os efeitos especiais excepcionais da época, resultam em uma experiência bem agradável. Hoje, os efeitos especiais são extremamente simples, mas conseguem invocar uma sensação realista do conto fantástico, mediante o respeito à obra de Shakespeare.

A atuação do elenco é boa, com Pidgeon se destacando em seu papel. Tirando uma parte relacionada à equipe da missão, que passam a maior parte do tempo conterjando a filha do dr. Morbius, Altaira, tentando beijá-la e coisas assim. Mas o coração do filme pertence a Robbie, o robô, que encarna uma personalidade usada inúmeras vezes depois em personagens não humanos em vários filmes do gênero de ficção científica.

As maravilhas e o potencial da aventura na exploração espacial mostrada no filme abriram as portas para um noo universo de maravilhas que conheceríamos. Um filme influente que ainda se destaca hoje, como uma experiência divertida.

CURIOSIDADES

Os escritores e artistas de efeitos especiais Irving Block e Allen Adler originalmente conceberam esse filme para uma produção B e a levaram ao Allied Artist – um conhecido estúdio “B” – que a recusou. Assim, decidiram tentar a sorte na Metro-Goldwyn-Mayer (MGM), então o estúdio de maior prestígio de Hollywood, que não produzia um filme de ficção científica desde a Ilha Misteriosa (1929). Para sua surpresa, o chefe do estúdio, Dore Schary, deu luz verde ao projeto, imediatamente catapultando o filme para o status de uma grande produção.

Foi filmado no mesmo set de O Mágico de Oz (1939); o conjunto do jardim de Altaira é uma reutilização do conjunto Munchkin Village.

Planeta Proibido foi o primeiro filme a ser ambientado inteiramente em um planeta alienígena.

Foi o primeiro filme a ter músicas totalmente eletrônica; composta por Bebe e Louis Barron, pioneiros no campo da música eletrônica e da música concreta. Seus sons sobrenaturais, impregnaram o filme com uma tensão inquietante. O público nunca ouvira nada parecido antes.

Embora o filme seja de 1956, houve censura em alguns países como no caso da Espanha, que estreia só em 1967. Censura ocorrida devido às cenas com Anne Francis e as vestes usadas pela personagem interpretada por Anne Francis, como na cena acima acima, o que parece ser provocativo demais para a censura da época.

O céu verde prestou homenagem ao romance de 1933 “When Worlds Collide”, de Philip Wylie e Edwin Balmer. Nele, o céu era verde. Uma espécie de alga verde usava a luz do sol para separar a água em hidrogênio e oxigênio e armazenava o hidrogênio em sacos, permitindo que flutuasse no ar.

O principal designer e construtor não creditado de Robby, Robert Kinoshita, era um projetista industrial que começou a trabalhar com cinema e fez fama com suas criações.

Foi indicado ao Oscar em 1957, pelos efeitos especiais.

Robbie, o robô reapareceu em filmes e na TV diversas vezes (quase sempre com algumas modificações em seu desenho), entre os quais “My Little Margie, “Columbo”, “A Família Addams”, “Perdidos no Espaço”, “Além da Imaginação”, “O Agente da UNCLE”, “Mork & Mindy”, “Projeto UFO” , “Ark II”, “Banana Split”, “Mulher Maravilha” e “Os Simpsons”.

Em novembro de 2017, o traje de Robby the Robot foram vendidos, por um recorde de leilão para uma memorabilia de cinema, por US $ 5,375 milhões.

No início dos anos 1990, um remake foi anunciado várias vezes com a direção de Irvin Kershner, de Star Wars, Episódio V: O Império Contra-Ataca (1980), e Anthony Hopkins como Dr. Morbius, mas o projeto não conseguiu financiamento.

 

Sobre o autor

Cadorno Teles
Professor de Ciências Biológicas e Física, Historiador, idealizador do Canto do Piririguá, astrônomo amador e curte Mestrar RPG e jogar um bom boardgame/videogame.

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