Crítica | Pandora (1ªTemporada)

O canal The CW nos últimos anos está em alta. Produzindo algumas das melhores séries baseadas em quadrinhos da televisão, lembrando de Arrow, Flash e as demais séries de super-heróis e a expansão para além do universo da DC com Riverdale, Charmed e outros, o canal sem ser perfeito se estabeleceu como o canal de séries para entreter. recentemente, produziu The Outpost (2018) um drama de fantasia que segue a linha de Game of Thrones só que mais juvenil, e em análise desse artigo, Pandora (2019), uma série de ficção-científica que encontrei pela Net e acabei assistindo, na qual analisaremos a primeira temporada.

SINOPSE: AMBIENTADA NO ANO DE 2199, PANDORA ACOMPANHA A JOVEM JAX, ALUNA DA ACADEMIA DE TREINAMENTO ESPACIAL DA TERRA, UMA FORÇA QUE LUTA PARA DEFENDER A GALÁXIA DE AMEAÇAS HUMANAS E ALIENÍGENAS. ENQUANTO ISSO, ELA DESCOBRIRÁ A VERDADE DE SUA IDENTIDADE, QUE A TRANSFORMARÁ NA SALVADORA DA TERRA OU NO PRENÚNCIO DE SUA DESTRUIÇÃO.

Embora seja difícil enumerar nas últimas décadas um período em que Star Wars ou Star Trek não estejam no centro da cultura pop,  consideramos que as franquias ganhou novos olhares, nunca saiu de moda. De filmes a séries de TV a livros e quadrinhos, foram produzidos em um fluxo constante de novas histórias para fãs antigos quanto para novos.

Com todo esse conteúdo influenciando o cenário, não seria comum aparecer novas histórias inspiradas em uma dessas franquias gigantes, e lógico, lutarem para destacarem no mercado. Ao contrário do excesso de livro/filmes/séries de Young Adult (YA) que se seguiram após Jogos Vorazes que capitalizaram o gênero. As produções tiveram que se aventurar fora do mundo de Panem e adquirir elementos de outras franquias para poderem, quem sabe, se destacarem.

Esta pode ser a falha desta nova série futurista do The CW, Pandora, ao propor ser uma espécie de ‘Jornada nas Estrelas: Academia da Frota Estela’ e não se amparar no seu contexto young adult e construir uma nova linha dentro da ficção científica. A sequência do episódio piloto, “Shelter From the Storm” mostra bem isso, somos apresentados a protagonista Jacqueline ‘Jax’ Zhou (Priscilla Quintana de Traffik – Liberdade Roubada). Estamos em 2199, na pequena colônia de New Portland, num planeta arenoso, Jax mora com seus pais. A jovem sai correndo de casa, faz uma pausa para olhar os sóis gêmeos do planeta, para ver rajadas de uma fonte invisível que obliteram seu lar, deixando-a como a única sobrevivente. Depois de uma breve cena em que vagueia como pelas cinzas e escombros, a série salta para uma nave levando Jax de volta à Terra, onde entrará na Academia de Treinamento da Frota Espacial (Fleet Training Academy) sob a supervisão de seu tio, o professor Donovan Osborn (Noah Huntley de Drácula: A História Nunca Contada).

Noah Huntley como o professor Donovan Osborn.

Em pouco tempo, Jax é apresentado ao assistente de Osborn, Xander Duvall (Oliver Dench), aos colegas Atria (Raechelle Banno), Thomas (Martin Bobb-Semple), Greg (John Harlan Kim) e Ralen (Ben Radcliffe), e sua companheira de quarto, Delaney (Banita Sandhu). Para quem segue a franquia de Star Trek poderá reconhecer com facilidade alguns arquétipos familiares entre o grupo de amigos de Jax. Greg é o charmoso patife; Tom parece humano, mas possui habilidades telepáticas, herdadas de seu pai; Ralen é o único zatariano da Academia, uma espécie que Delaney descreve como “violenta”, “bélica” e “traiçoeira”; e Delaney tem implantes cibernéticos que recebeu quando criança. Atria é a única do grupo que não tem semelhança com algum personagem de Star Trek – uma clone Adari, um refugiado de um planeta no qual era considerada propriedade – e é uma figura refrescante em meios aos clichês, determinada a absorver tudo que seus mestres a deixaram perder.

Atria Nine (Raechelle Banno

No entanto, enquanto a série desenvolve uma compreensão decente de como seria o elenco de Star Trek em idade universitária, o produtor e roteirista Mark A. Altman (The Librarians) demonstra que não tem ideia do que fazer com essa diversificado de personagens. Enquanto Jax, cuja verdadeira natureza é ostensivamente o mistério central da série, apesar que o início não mostrar para nos indagar sobre sua identidade, fica durante todo o primeiro episódio sendo uma típica adolescente (felizmente, ela se equilibra um pouco a cada segundo), Xander não recebe nenhuma personalidade além de ser o “protetor”; o tio de Jax possui falas que parece que foram escritas para um dos vampiros de mil anos no The Originals; Tom passa de cena em cena como se nem tivesse muita certeza do porquê de estar lá; o único objetivo de Greg parece flertar com Jax, e todas as cenas em que Delaney se parece com uma reflexão tardia, como se Altman tivesse esquecido que ela existia até que os roteiros estivessem quase completos. Já Ralen se beneficia de sua caracterização, como um peixe fora d’água, em sua contrariedade dos estereótipos zatarianos. O único dos estudantes que se sente mais ou menos como uma pessoa real é, ironicamente, Atria, aquela que não seria considerada uma pessoa em seu planeta natal.

Altman imagina um futuro distante no qual os personagens falam como se tivessem sido criados assistindo a dramas da Warber de vinte anos atrás, e as referências levam para o final dos anos 90. Uma série que poderia seguir o caminho de outras produções do canal The CW, que mesmo com diálogos expressivos demais e até mesmo superficiais, roteiros meio exagerados, conseguiram marcar bem o cenário televisivo. Felizmente ao longo dos 13 episódios, após um início arrastado, temos um ritmo melhor na narrativa, que se suaviza ao longo dos capítulos e que trazem boas convergências de tramas. Porém algumas cenas sem sentido nenhum, como um banho de Jax, aparentemente por nenhuma outra razão senão para os espectadores contemplarem a silhueta de seu corpo que dura exatamente dez segundos.

Pandora é uma série com a dinâmica que funcionou bem em muitos outras séries da CW, de The Vampire Diaries a Riverdale, mas aqui ficou desaprendida, solicitando audiência sem se preocupar em fazer a lição de casa. Mesmo assim, a série tem algo a dizer, há reflexões importantes sobre tolerância e diversidade, de se manifestar e defender os marginalizados e de entender aqueles que são diferentes antes de julgar,  sobre os limites da liberdade de expressão. Temas e tramas que lembram Jornada nas Estrelas e a maneira que Jax será a Escolhida de um segredo que poderá salvar a Terra, mas uma narrativa precisa mais do que um grupo de personagens diversificado e uma frota espacial para ser o próximo Star Trek, e mais do que um Escolhido e um monte de alienígenas para o próximo Guerra nas Estrelas. Tanto Star Trek quanto Star Wars ainda estão em voga não apenas por causa da construção de seu universo, mas também pela força com que o público se identificou com seus personagens e histórias.

Como um Starship Troopers genérico, Pandora pega dois aspectos das duas franquias e cria uma Hogwarts espacial, sem bruxos ou feitiços, com uma sociedade secreta que ficou estagnada. Mas não é de toda ruim, lembrando que a série não recebeu nem metade do orçamento da CW de outras séries, entretém legal, apesar do que foi exposto, os arquétipos estão convincentes, a narrativa ganha um valor gradual ao longo dos episódios, há boas cenas de ação em batalhas espaciais, como em campanhas em solo e é interessante que os títulos de cada episódio serem canções de Bob Dylan. Tem um potencial, tanto que já renovou para a segunda temporada, merecendo sua atenção.

a bela atriz Priscilla Quintana como Jax, codinome Pandora.

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