Critica | Os Saltimbancos Trapalhões – Rumo a Hollywood

Hoje bateram duas nostalgias.

Uma da década de 80 e outra de 3 anos atrás.

Na década de 80 , na época de natal sempre tínhamos um especial de Natal do Roberto Carlos, o comercial natalino da turma da Mônica e um novo filme dos Trapalhões.

O de 1981 foi os Saltimbancos Trapalhões, baseado numa peça musical escrita e musicada por Chico Buarque e Edu Lobo

O filme tinha uma sinopse simples: Quatro amigos humildes viram a grande atração de um circo com a sua capacidade de fazer o público dar gargalhadas. Porém, o sucesso desperta a inveja de um mágico e a ganância do dono do circo.

Os Saltimbancos Trapalhões de 1981
Os Saltimbancos Trapalhões de 1981

Naquela época os Trapalhões ainda estavam completos, e contaram com a ajuda de Lucinha Lins, que na época era uma loira com cara de princesa da Disney e cantava junto com eles musicas que acabaram se tornando atemporais.

Capa do LP do filme de 1981
Capa do LP do filme de 1981

Eu tinha 8 anos naquele Natal e aquele foi um filme que marcou minha vida, tanto que em meu aniversário no ano seguinte ganhei até o LP com a trilha sonora do filme.

O tempo passou.

Cresci, casei, tive filhos e eis que em 2017, 36 anos após aquele Natal, decidiram fazer um “remake” daquele meu clássico de infância.

Sei que muitas pessoas até se perguntaram se valia a pena ir ao cinema depois de tantos anos rever um filme dos Trapalhões.

No meu caso a decisão foi tomada de maneira mais fácil, pois eu tinha a desculpa perfeita para ir ao cinema: Dois filhos pequenos.

Então que tal apresentar Os Trapalhões para esta nova geração??

E lá fomos nós, eu, esposa e filhos assistir a Os Saltimbancos Trapalhões – Rumo a Hollywood.

Agora não temos mais os 4 Trapalhões. Somente Didi e Dedé estão vivos. Lucinha Lins já não está mais na moda, então vamos pegar a galera que está bombando na novela da Globo

Os novos Saltimbancos Trapalhões de 2016
Os novos Saltimbancos Trapalhões de 2016

Como cinema, nota 6,0. COMO EXPERIÊNCIA,  NECESSÁRIO PARA A SUA VIDA, nota 9,0.

Assistir Os Trapalhões com 44 anos foi muito diferente de vê-los aos 8.

Com certeza, estes 36 anos mataram muitas crianças dentro de mim e me tornaram um adulto chato, mas sei que não é só isso.

Como filme, é tudo muito fraco. As piadas são bobas, o roteiro é quase nulo e muita gente está lá sem nada para fazer.

Aline Moraes e Rafael Vitti são bonitos e só, quase figurantes.

Mas dá para ver que todo mundo ali está feliz por estar participando de um filme dos Trapalhões e é aí que entra outro lado, que torna aquelas duas horas de cinema como algo obrigatório.

Os Saltimbancos Trapalhões - Rumo a Hollywood
Os Saltimbancos Trapalhões – Rumo a Hollywood

É estranho dizer isso, mas Os Saltimbancos Trapalhões – Rumo a Hollywood não é um filme para crianças.

Não para as crianças atuais.

Nossas crianças de hoje são elétricas demais para o que vemos ali.

Meu menor, na época com 3 anos, era muito pequeno e aquilo ainda não prendia sua atenção. Na versão de hoje, faltam tombos e palhaçadas.  O maior, tinha 8, já estava acostumado com super-heróis muito mais rápidos e barulhentos, aí aquela estória mambembe ficou lenta e cansativa. Faltam explosões e tiros.

Mas para nós que passamos dos 40 anos e por mais que o tempo tenha nos acelerado, lá no fundo ainda lembramos de como o tempo passava antes de existirem cronogramas, diversos canais a cabo ,streaming e cinemas multiplex, é uma linda experiência.

O excesso de opções no mundo nos tornou dependentes e sempre atrasados. Hoje é impossível absorver tudo.  Mas de repente, tanto a gente, quanto meu filho mais velho em seus 8 anos percebemos que aquilo que estamos vendo ali é uma homenagem, e deve ser respeitada.

Os Saltimbancos Trapalhões - Rumo a Hollywood
Os Saltimbancos Trapalhões – Rumo a Hollywood

Existe algo de especial naquela ingenuidade toda.

É nossa vida passando por nossos olhos e bate uma puta melancolia.

Em tempos de internet com pessoas se atacando sempre cheias de razão e pessoas vivendo a base de likes, bate uma saudade enorme de outros tempos quando ouvimos Didi cantando “Uma Pirueta, duas piruetas, bravo, bravo”.

E quando começa “História de Uma Gata” os olhos começam a encher de lagrimas, e no final quando a nova mocinha começa a cantar Hollywood com “Oi nós aqui…” a gente já embarcou numa máquina do tempo e está ali no cinema ao lado de nossos pais, que hoje já não saem mais de casa, mas que um dia se esforçaram para que pudéssemos ver o novo filme de Natal dos Trapalhões, mesmo que eles dormissem no cinema enquanto a gente ria demais com aquelas trapalhadas.

É muito estranho ver como o tempo passou e o mundo mudou, e difícil não ser melancólico e achar que esta mudança foi para pior.

Saudades de ser uma boa pessoa. De ter bons pensamentos. De ter tempo. De ser criança com sonhos básicos e possíveis.

Quando Hollywood era ali tão perto, e só não via quem tinha um olho aberto.

Permitam-se este momento e dividam isso com seus filhos.

E deixem a lágrima rolar.

No fundo, eles entenderão.

Uma pirueta, duas piruetas.

Bravo, Bravo!!

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