Crítica | Os Bridgertons

Dia 25 foi comemorado o Natal, nascimento de Jesus, mas também foi um dia muito aguardado pelos fãs da autora Julia Quinn porque também foi o dia do lançamento da série Os Bridgertons na Netflix.

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O clã Bridgerton, composto por Violet Bridgertons, a matriarca, seguida por seus filhos Anthony, Benedict, Colin, Daphne, Eloise, Francesca, Gregory e Hyacinth, da esquerda para a direita

Mas, a série é tudo isso?

Bem, eu assisti em menos de 24 horas, indo pela madrugada até o final do episódio 5.

Nessa primeira temporada de 8 episódios, conhecemos a história do primeiro livro da série, O duque e eu, onde temos no centro da história Daphne Bridgerton (Phoebe Dynevor) e Simon, o Duque de Hastings (Regé-Jean Page). Resumindo de forma bem genérica, Daphne é apresentada para a rainha, que a define como a principal jóia da temporada, porém seu irmão Anthony Bridgerton (Jonathan Bailey) conseguiu afugentar todos os seus pretendentes e ainda arrumou para ela um noivo que faz qualquer um questionar a sanidade de seu irmão. Daphne acaba se aproximando do Duque de Hastings e os dois personagens acabam se envolvendo em um acordo: o duque finge cortejar Daphne para que outros cavalheiros da sociedade proponham casamento a ela, já que seu irmão mais velho,

A imagem pode conter: 5 pessoas, atividades ao ar livre, texto que diz "Se me cortejasse de verdade, compraria todas as flores da cidade. Se estivesse tecortejando mesmo, não precisaria de flores, só de cinco minutos sozinho com você em uma sala de estar."

Paralela à trama de Daphne e Simon, os outros irmãos Bridgertons tem as tramas de seus livros também iniciadas. Temos Anthony, com seu caso com uma cantora de ópera, que precisa decidir entre assumir de vez a responsabilidade de visconde e responsável pela família e seu caso amoroso. Temos Benedict (Luke Thompson) que, como segundo filho, ainda não sabe bem qual caminho seguir.

Colin (Luke Newton), que acaba se envolvendo com Marina Thompson (Ruby Barker) e, Eloise (Claudia Jessie), que sabe que não pertence àquele mundo, está disposta a quebrar o status quo, mas não sabe como. Temos Gregory e Hyacinth, irmãos mais novos. Francesca (Ruby Stokes) só aparece no final da temporada. Comandando toda essa trupe, temos Violet Bridgerton (Ruth Gemmell), matriarca da família, que precisa lidar com toda a família maluca, a sociedade, a rainha (Golda Rosheuvel) e Lady Whistledown (Julia Andrews).

Por mais que seja uma história que tenha como tema principal o romance, romance esse que não é instantaneo, mas que surge também com uma bonita amizade, Os Bridgertonss conseguiu ir além do superficial e tratar de diversos temas, seja de forma sutil, ou de forma mais aberta. Temos aqui críticas claras ao papel da mulher na sociedade, principalmente naquela época, onde ser bonita e garantir um bom casamento era mais importante do que ser feliz ou independente. Temos crítica ao preconceito racial, visto claramente em uma conversa entre Simon e Lady Danbury, à aceitação da orientação sexual, à papeis e diferenças sociais. Pode até parecer que não, mas nem mesmo a rainha está livre de ter problemas em sua vida pessoal.

Outro assunto bem trabalhado, mas que eu esperava ver um pouco mais, é a relação próxima entre os irmãos Bridgertons. Nota-se que são uma família muito unida, onde estão dispostos a fazer de tudo uns pelos outros. E, além dessa entrega, os diálogos entre eles rendem ótimas cenas da série. A imagem pode conter: 15 pessoas, texto que diz "Vocês devem saber. Como uma mulher engravida? Não olhe para mim. @escandalosdeumalady Já foi a uma fazenda, El? Espero que não incentivem assuntos impróprios. @escandalosdeumalady Dejeito Dejeitonenhum,mãe. Na verdade, estávamos indo pôr... as espadas para fora. COLIN BRIDGERTON! Para a esgrima!"

A série da produtora Shondaland, que tinha sofrido duras críticas por causa da escolha dos atores, quando os mesmos foram anunciados. Algumas dessas críticas tiveram até um fundo racista, pois muitos disseram que ‘no período onde a série se passa, não haviam negros na Inglaterra’. Então, estão historicamente enganados e mais redondamente enganados quanto aos atores. Todos entregaram atuações perfeitas e convincentes, pois garanto que, depois que assisti Adjoa Andoh como Lady Dandury, essa é a imagem que eu terei da personagem pelo resto dos meus dias.

A imagem pode conter: 9 pessoas, barba, texto que diz "Por mais que eu aprecie seu gradioso convite, Lady Danbury, Escândalos de uma Lady peço que aceite minhas desculpas. Suas desculpas, foram recusadas. @escandalosdeumalady Suponho que posso aparecer rapidamente... Excelente!"

Falando da atuação, Lady Danbury roubou todas as cenas que aparecia. FATO. Essa atriz entregou uma personagem incrível, cheia de força, determinada, mas que sabe o modo certo de agir. Outras duas atrizes que me encantaram foi Claudia Jessie como Eloise Bridgerton, que conseguiu caminhar com tranquilidade entre a inocencia de uma jovem com aquela rebeldia de mulher, e Nicola Coughlan como Penelope Featherington, que tinha uma personagem maravilhosa em mãos, preocupada com a família, seu possível casamento e seu amor por Colin Bridgerton e dedicação à amiga Eloise.

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Eu achei todas as atuações incríveis. Phoebe Dynevor e Regé-Jean Page mostraram uma química maravilhosa e calaram, ao meu ver, a crítica que vi diversos fãs fazendo à escolha de elenco. Todo o núcleo dos Featheringtons e dos Bridgentons entregaram exatamente o necessário para chamar a atenção e marcar com seus personagens. No núcleo dos Hastings, Regé e Adjoa foram incríveis. E, só para me repetir sim, Lady Danbury estava perfeita.

A imagem pode conter: 14 pessoas, texto que diz "Escândalos de Uma Lady Dispersem! PAXC Tarde demais. Eu já os vi. -Lady Danbury. -Boa Noite."

Em relação à caracterização, adorei os pequenos detalhes que tiveram com os personagens. A abelha nas roupas dos Bridgertons, as cores cítricas dos Featheringtons, as roupas dos empregados e até os detalhes dos cortes das moças debutantes e das que ainda não debutaram.

Como nada é perfeito, os efeitos especiais de uma série que já vem sendo anunciada a algum tempo e com bastante estardalhaço deixaram a desejar. Os efeitos das casas dos personagens dava uma impressão de casa de massinha, e alguns momentos, como a corrida para o duelo em um episódio, é tão mal feito que não é nem risível, é ridículo.

A classificação de Os Bridgertons é de 16 anos, então saibam que eles fizeram uso da classificação devida. Se você tem vergonha de assistir cenas mais quentes perto dos seus pais ou amigos, melhor ver sozinho.

A imagem pode conter: 1 pessoa, dormindo, texto que diz "Eu preciso ir. @escandalosdeumalady Para ser duquesa de tudo isso, eu devo aprender a rotina. Você já é duquesa de tudo isto."

No geral, eu gostei muito da história. Não li o livro O duque e eu, então falo como uma pessoa que está vendo a história pela primeira vez. Sei que uma cena polêmica do livro foi alterada, para a alegria de alguns fãs, algumas personalidades foram amenizadas, mas, no geral Shonda Rhymes entregou sim uma linda história da Julia Quinn em Os Bridgertons. Recomendo a série a quem leu os livros, a quem não leu, a quem não tem nada pra ver e a quem esperou um ano inteiro para ver tudo em um único dia.

Agora aguardo ansiosamente pela segunda temporada, com a história do Anthony Bridgerton, a terceira do Benedict, a quarta do Colin e já sabemos bem quando vai acabar.

P.S. Para quem não gosta de spoiler, saia da internet pelas próximas 4 semanas e leia pelo menos até o livro 4 da série para não ter nenhuma surpresa estragada, já que produtor ama colocar spoiler de 4 livro logo no inicio da história (aqui está no final, mas fez diferença).

 

As imagens usadas no post foram retiradas da página Escândalos de uma Lady

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