O mau, o mau, o mau, o mau, o mau, o mau, o mau e a má.
Quentin Tarantino é um diretor conhecido pela maneira como ele utiliza suas referências, chegando muitas vezes a ser acusado de estar plagiando cenas (e não homenageando, como ele diz). Embora seja fato a cópia, logo, é preciso saber não só copiar, mas sim saber como usar estas cópias para fazer algo totalmente original. Os 8 Odiados é um longa que copia muitas coisas de outras obras, mas o que faz com que ele seja um ponto fora da curva é justamente o fato de ser a maior inspiração para que Tarantino seja o próprio Tarantino.
É muito gratificante ver como um diretor – que começou a carreira no ano em que eu nasci – tenha alcançado este nível em sua obra, ou seja, a capacidade de se auto referenciar sem repetir fórmulas. Tarantino cria um roteiro baseado no “who does it?”, como em Cães de Aluguel, do qual os créditos remetem à tipografia de Pulp Fiction. Também vemos a questão do racismo em voga como em Jackie Brown, violento como Kill Bill, dividido em capítulos como Bastardos Inglórios e se passando próximo da guerra civil como Django Livre. Ainda assim, nenhum desses elementos parecem despropositados e nem a identificação mácula o filme, já que Tarantino quer que você as veja (caso contrário, ele não colocaria nos créditos a tagline do filme, o 8° filme de Tarantino). Ainda assim, é divertido encontrar as referências a clássicos como Sete Homens e um Destino e Três Homens em Conflito.
A trama conta como oito pessoas perigosíssimas são obrigadas a passar a noite dentro de um pequeno chalé nas montanhas para escapar de uma nevasca. A tensão entre os oito personagens é muito bem formada, graças aos diálogos que transitam com elegância entre as palavras ríspidas e mais comedidas. Logo, isso dá todo o ritmo do filme, que só tem alguma ação de fato pela metade do mesmo.
A Edição do longa, aliás, merece um parágrafo a parte. A primeira metade beira o cansativo e arrastado, como dito, temos praticamente apenas diálogos nesta sequência, que correspondem aos três primeiros capítulos do filme. Porém, essa cadência parece premeditada – é como se buscassem alcançar o ritmo da prequel de Star Wars -, onde grande parte do longa era apenas criar a atmosfera para quando o mesmo acelera em sua conclusão. Um exemplo disto é justamente o início do filme (contendo o mais lento zoom out que eu já vi na minha vida…), mas quando chega a segunda metade do filme, temos certeza de que é uma obra de Tarantino. Ainda assim, o longa poderia ter um corte mais curto, na minha opinião…
A fotografia também está belíssima! A direção sabe levar o filme bem, o roteiro é competentíssimo, mas o que rouba a cena aqui são as atuações, principalmente a de Jennifer Jason Leigh. Sem dar spoilers que possam comprometer a experiência, mas é interessante ver como ela engole atores como Tim Roth e Michael Madsen, figurinhas carimbadas nos filmes de Tarantino.
Apesar de tudo, fica o aviso de que este filme não é um filme para todos. Como dito, o começo arrastado pode ser cansativo para quem não é familiar com o ritmo dos Westerns, além da violência gráfica que, às vezes, chega a ser grotesca. O longa também tem tudo para causar polêmica e ser acusado de “xenófobo” por olhos desatentos, porém, o mesmo acaba com a impressão de que o assistimos mais socialmente engajado de um dos melhores diretores da atualidade.
REVER GERAL
Nota
9.5
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Fundador – CEO – Designer – Líder da casa Mundo Hype! Desenvolvedor Front End, Designer e Fotógrafo. Apaixonado por cinema, viciado em séries e colecionador de HQs. Super-Heróis favoritos: Iron Man e Spider-Man.

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