Critica | O Rei (2019)

Coração Valente de Mel Gibson. Cruzada (Kingdom of Heaven) de Ridely Scott. Joana d’Arc de Luc Besson. São alguns filmes que marcam pelas cenas épicas de batalha e pela configuração histórica. E a História tem de sobra, batalhas para o cinema adaptar. E recentemente o filme O Rei, da Netflix, apresenta uma boa história sobre um período da Guerra dos 100 anos.

SINOPSE: Após a morte de seu pai, Henrique V é coroado rei, obrigado a comandar a Inglaterra. O governante precisa amadurecer rapidamente para manter o país consideravelmente seguro durante a Guerra dos 100 Anos, contra a França.

O Rei (The King) é com certeza o que o streaming precisa fazer para continuar aguardando a todos os gostos. Com longas metragens como esse e em breve The Irishman, a Netflix segue uma linha de produção no estilo cult. O serviço de fluxo de mídia fundada em 1997, era reconhecida principalmente por séries e filmes para adolescentes, mas com Roma, vencedor de dois Globo de Ouro no ano passado, as produções começaram a ganhar mais possibilidades em especial na temporada que antevem a temporada de premiação.

O diretor David Michôd repassando instruções para o ator Timothée Chalamet

Seguimos o príncipe herdeiro da Inglaterra, Hal, que leva uma vida desregrada, com drogas, mulheres e muito álcool, mas tudo muda no dia que seu pai morre e terá que assumir a coroa do rei, tornando-se Henrique V. Com um roteiro duro, verossímil e expressivo, Joel Edgerton e David Michôd apesar de trazerem uma história bem linear,  sua dramaticidade e densidade leva o longa para um caminho que dimensiona a Netflix para um estilo mais maduro.

Baseando-se em Shakespeare, o filme dirigido pelo australiano David Michôd foca no período final da Guerra dos Cem Anos, apresentando personagens históricos como Henrique IV e Henrique V, especialmente o último que aprenderá como na Tetralogia do Bardo do Avon que os caminhos da paz são duros, crués e dolorosos.

A fotografia é épica, com sequências belíssimas de planos abertos dos exércitos e campos de batalha; o design de produção e, claro, os figurinos são as principais características do filme, levando-nos a submergir no tempo, com as armaduras dos cavaleiros, as ruas das cidades e vilas medievais, a lama, as tripas e o sangue das batalhas. Há uma cena bem parecida com a aquela de Game of Thrones na Batalha dos Bastardos, mas com mais realismo, sem edição, e mostrando a crueldade da Batalha de Agincourt.

A performance de Timothée Chalamet (Me chame pelo seu nome) é a ancora do filme, seu talento traz ao personagem Hal ou Henrique V sobriedade e magnetismo, mas parece que ele não tem emoções ou, pelo menos, é um problema que o ator precisa se expressar. E por outro lado, encontramos Robert Pattinson que não é o protagonista, mas uma breve participação do delfim da França, mas que sai muito bem. Um pouco caricaturado, com um sotaque francês carregado, mas que faz bem ao filme, pois alivia pela comicidade. Controverso em geral fica a construção do potencial destes personagens com os demais, fica meio aleatório como acontece as coisas.

O Rei é uma ótima produção, de grande orçamento, épico, sangrento, que consegue compor uma história sobre herança e corrupção, mas que perde o foco no núcleo narrativo, poderia ter desenvolvido melhor. A atmosfera shakespearriana, Chalamet, Pattinson salvam o filme, e ajuda a Netflix a amadurecer mais ainda.

 

 

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