Crítica | O Primeiro Homem

Saiba o que esperar do filme que conta história de Neil Armstrong

O Primeiro Homem, estrelando Ryan Gosling no papel de Neil Armstrong, é mais sobre o drama e os perigos reais enfrentados pelo astronauta do que um filme de espaço, por assim dizer.

A prioridade do diretor Damien Chazelle, que também assinou “Whiplash” e “La La Land”, foi, de fato, contar a história de Armstrong, abordando desde a morte de sua filha mais nova até os desafios que Neil e seus colegas da NASA encontraram profissionalmente para chegar até a Lua.

Josh Singer (“Spotlight”) baseou-se no livro homônimo de James R. Hansen para escrever o roteiro de O Primeiro Homem. No livro, o autor documentava todos os eventos profissionais e pessoais de Neil Armstrong na missão Apollo 11.

Se o objetivo foi se aprofundar nos dramas tivemos 2h21 de uma rápida menção a vários problemas que a NASA enfrentou, como o investimento do governo em projetos que não estavam dando certo, as manifestações contra a aplicação do dinheiro público em pesquisas espaciais, os sacrifícios de sua equipe e, acima de tudo: porquê a NASA julgava importante aprender sobre o inexplorado. Nesse ponto a icônica frase de Armstrong sobre ser um grande passo para a humanidade nos faz refletir como tais viagens espaciais foram e ainda são marcos na história.

Mas quem pretende ir ao cinema esperando um filme sobre o espaço no estilo de nomeados ao Oscar como “Interestelar”“Gravidade” ou “Perdido em Marte”, pode se decepcionar, pois as cenas em que o desconhecido é o principal elemento são quase inexistentes.

Há até uma referência a “2001 – Uma Odisseia no Espaço” (que foi lançado por Kubrick em 1968) digna de se emocionar, mas é só. Não há dúvidas de que os obstáculos e a vida pessoal de Neil Armstrong sejam o foco do filme, o que fica mais evidente através dos planos fechados e nada épicos.

A atuação de Claire Foy, de The Crown, como sempre, não decepcionou – ela interpreta Janet Shearon, mulher de Armstrong. Ryan Gosling, por sua vez, vem sendo muito elogiado por alguns críticos por fugir de seu carisma e representar com apatia, fazendo com que Neil seja compreendido como o incrível engenheiro e astronauta que foi, mas nada simpático.

A meu ver, se comparado com papéis menos famosos que já interpretou, como o piloto em “Drive” (2012) e o violento David Marks de “Entre Segredos e Mentiras” (2010), não entregou nada fora do comum e está longe de ter sido a melhor atuação de sua carreira, como foi dito em alguns sites.

trilha sonora, de Justin Hurwitz (“La La Land”), também teve seus momentos de falha ao, em algumas cenas, retratar os famosos barulhos de motores rangendo no espaço – algo que em 2018 já sabemos que não acontece: o som não se propaga no vácuo.

Já a fotografia impecável ficou por conta de Linus Sandgren e deu conta de chamar a atenção necessária durante o longa e causar os efeitos propostos pelo roteiro, como nos deixar enjoados nas cenas em que os astronautas também o fazem.

O Primeiro Homem cumpre o prometido: retrata a história de Neil Armstrong até o momento em que pisou na lua, mas não passa disso. Não traz nada de extraordinário e tampouco faz jus à tamanha expectativa que foi criada. É um bom filme de entretenimento e fan service para quem gosta do astronauta.

Assista ao trailer:

Foto: Divulgação

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