Crítica | O Predador: A Caçada

Em 1987 era lançado O Predador, um sci-fi de ação com elementos de terror, que parecia um típico filme de ação “brucutu” típico dos anos 80, que tinha o astro Arnold Schwarzenegger encabeçando o elenco. No entanto o filme surpreendeu ao apresentar uma ameaça à altura do astro, que caçava e eliminava os personagens no melhor estilo slasher (de filmes como Sexta-Feira 13 e Halloween) e com um visual marcante. Tão marcante que virou uma longeva franquia multimídia. 35 anos depois e precisando de novo fôlego, somos apresentados a O Predador: A Caçada.

A história se passa 300 anos antes do primeiro filme e nela acompanhamos Naru, uma guerreira Comanche que, para provar o seu valor, planeja caçar um misterioso predador que tem usado o entorno de sua aldeia como área de caça, até o momento em que não fica muito claro se ela é realmente caçadora ou presa.

De antemão é notório que a preocupação com o refinamento do filme atingiu um nível nunca antes observado na franquia. A fotografia explora muito bem os cenários naturais com belíssimas tomadas. No entanto, já nesse quesito, fica evidente que faltou dinheiro para atender todo o potencial dos envolvidos. Mas tudo o que puderam fazer, fizeram.

O roteiro aposta no básico “jogo de gato e rato” que marcou a franquia, mas ao mesmo tempo trabalha questões culturais dos nativos norte-americanos, contrapõe os papéis “presa e predador” em vários momentos e constrói seus personagens de forma rara nesse tipo de filme. O final pode ser um tanto apressado, comparado ao restante do filme, mas não chega a diminuir o seu brilho.

O diretor Dan Trachtenberg, do ótimo ”Rua Cloverfield, 10”, entregou um excelente trabalho, principalmente levando em consideração as limitações orçamentárias. Suas tomadas mostram a abundante natureza em toda a sua plenitude, ao mesmo tempo em que ela soa opressora. As cenas de ação são bem construídas e as ameaças são estabelecidas de forma precisa. Há um ótimo plano sequência de ação que impressiona pela sua complexidade.

Impossível falar nesse filme sem citar o trabalho de sua atriz principal, Amber Midthunder, que é uma verdadeira força da natureza. Além de ser dona de um carisma enorme e um magnetismo raro, ela emprega uma fisicalidade precisa à sua personagem, além de equilibrar determinação e medo de forma ímpar. A criatura é apresentada com novidades e com um visual que combina com a atmosfera do filme.

O Predador: A Caçada nos presenteia com uma história envolvente do início ao fim, tecnicamente muito bom apesar das limitações de verba, além de ampliar a mitologia dessa rica e, ainda, subaproveitada franquia.

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