Crítica | O Justiceiro (2ª Temporada)

O Justiceiro perde fôlego na Netflix.

Depois de uma primeira temporada surpreendente, O Justiceiro volta para seu segundo ano com uma responsabilidade muito grande, mas deixa a desejar.

A segunda temporada coloca Frank Castle no caminho de uma jovem trapaceira envolvida com chantagem. Além de ajudar a garota a se livrar de seus algozes, Frank tem que lidar com Billy Russo mais uma vez e o Justiceiro precisa entrar em ação novamente.

A série mostra Frank tentando se afastar de encrenca, mas o ex-fuzileiro se vê obrigado a proteger uma garota desconhecida em um bar, distante de Nova Iorque. O vigilante não consegue viver sem uma guerra e mesmo quando encontra uma garota bacana e a chance de recomeçar, perde por conta de suas escolhas que sempre apontam pro caminho mais sangrento.

Dinah Madani em O Justiceiro
Dinah Madani

O Justiceiro não perde em qualidade de produção. Continua crível visualmente, com a mesma quantidade de sangue da primeira temporada, mas ainda mais violenta e mais explicita. É o que esperamos de algo com Frank Castle como protagonista. O grande problema da segunda temporada é que não há desenvolvimento.

A série se desenrola em duas frentes. A trama de Frank Castle protegente a chantagista e salvando a vida da garota constantemente e a trama de Frank Castle vs. Billy Russo. Em boa parte dos episódios, nada acontece. Se enxugarmos, tirando esses episódios que causam essa sensação, a série deveria ter pelo menos 8 episódios e não 13, como tem originalmente.

O Justiceiro
Billy Russo e sua psicologa, Dra. Drumont.

Além desse ‘problema’ onde a série não se desenvolve e se enrola ao tentar contar duas histórias diferentes, tornando a narrativa cansativa, existem pontos nas personalidades dos personagens e histórias individuais que deixam toda aquela loucura menos crível possível.

Billy Russo e Dinah Madani são dois personagens que passam muito por isso. Ambas as jornadas estão confusas, a de Madani mais ainda. Billy Russo sofre por algo que, visualmente, não soa tão grave e ainda consegue um interesse amoroso extremamente forçado que, no final das contas, não acrescenta muita coisa em sua jornada e, aparentemente, era para mostrar a humanidade do vilão, mas isso se perde (essa parte vamos deixar para você ver na série. Sem spoilers aqui).

Amy em um dos episódios mais eletrizantes da temporada

Alguns personagens, por outro lado, conseguem instigar o espectador e Amy é um deles. A garota que ninguém sabe de onde veio e para onde vai, entra na vida de Castle para despertar o lado paterno do Punisher e também nos mostrar a humanidade no personagem, mostrar que ele não é uma maquina de matar e que ainda se importa com os outros. Além dela, Curtis e Mahoney ganham destaque na temporada. Curtis entra como um apoio emocional ao personagem e Mahoney vem para mostrar que Nova Iorque não foi entregue aos vigilantes como poderia parecer. Além disso, a participação de Karen Page é completamente dispensável.

Frank Castle, O Justiceiro

Além de Billy Russo, Castle tem que lidar com uma trama política pouco clara, onde há chantagem e muito jogo de poder. É inserindo aqui John Pilgrim, nas HQs de Garth Ennis é um ex-nazista que se tornou Padre, mas assim como Billy Russo, o personagem é extremamente mal utilizado, não consegue ter espaço e seus objetivos só parecem ser perseguir Amy, as fotos e Castle. Mesmo mostrando sua família e seus contratantes, a história de Pilgrim fica nebulosa demais para o espectador.

A série chega ao fim de sua segunda temporada com duas conclusões, uma bem fajuta e outra bem ao nível da série, humanizando o antagonista #2 de Castle nesse segundo ano. Claramente a série não está no mesmo nível ou no nível que a maioria dos espectadores esperavam. No lugar de ação e trama continua, recebemos uma temporada cheia de lacunas e barrigas narrativas, dando muito espaço para o ‘nada’ acontecer em vez de desenvolver a história de maneira mais interessante.

Ainda sim, parece que a Netflix ainda não vai desistir de Frank Castle e a temporada termina com um gancho para mais um ano, deixando o personagem na ativa, assumindo de vez o manto do Justiceiro.

1 COMENTÁRIO

  1. Tengo gusto de la información valiosa que usted proporciona en sus artículos. Voy a marcar su blog y comprobar de nuevo aquí regularmente. Buena suerte para la próxima!

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