Crítica | O Escândalo

Charlize, Nicole e Margot em cena emblemática do filme.

O Escândalo chega aos cinemas pegando carona em fórmulas que foram bem sucedidas em filmes como Vice e A Grande Aposta (ambos de Adam McKay), onde se tem uma quebra da quarta parede, com um tom irônico e até debochado ao contar a história real sobre um dos maiores casos de denúncia de assédio já visto nos EUA onde o grande CEO da Fox News Roger Ailes (Interpretado aqui por John Lithgow, de The Crown) é inicialmente processado por Gretchen Carlson (Nicole Kidman, Destroyer: O Peso do Passado) e dando início a uma denuncia de um ambiente tóxico e machista dentro dos corredores da Fox News.

Dirigido por Jay Roach mais conhecido por filmes como Trumbo – Lista Negra (2015) e Austin Powers: 000, um Agente Nada Discreto (1997), O Escândalo é a tentativa de Roach de migrar para um drama político, e a tarefa não é nada simples. O diretor transita entre vários tipos de abordagem e o tom irônico as vezes se distancia da seriedade que o assunto merecia, horas parecia quase um filme documentário e horas como uma série no melhor estilo The Office, quando os personagens olham para a câmera em certos momentos aleatórios.Toda essa mistura atrapalha o resultado de O escândalo que tinha potencial de ser uma grande obra política se perde em meia tantas referências e a inexperiência do diretor acaba sendo algo que definitivamente afeta o resultado final.

O Escândalo conta com várias participações de atrizes importantes.

O roteiro escrito Charles Randolph (A Grande Aposta) também tem sérios problemas principalmente quando tenta retratar o personagem de Roger Ailes (John Lithgow) e é feito de uma forma extremamente caricata, tornando o personagem um comedor compulsivo, paranoico e a parte de ser um assediador acaba se tornando mais uma de suas “manias” o que torna a retratação extremamente problemática.

Talvez a personagem que mais sofra com o andar do filme é a Kayla Pospisil interpretada por Margot Robbie ( Eu, Tonya de 2017) que diga se de passagem foi criada especialmente para o filme (que não decepciona) e tem algumas cenas bem desconfortantes com o Roger Alies (John Lithgow) os dois se saem muito bem nessa dinâmica devido ao talento que os dois tem, já Nicole Kidman como Gretchen Carlson e Charlize Theron como Megyn Kelly brilham em seus respectivos papéis e também são retratadas de uma forma mais crua e verdadeiras. É valido também salientar que durante o filme mesmo as personagens se cruzando apenas uma vez é possível ver a sororidade entre as mulheres mesmo que essa ainda seja meio que “não visível”.

Margot Robbie indicada ao Oscar pelo seu papel em O Escândalo.

Ao fim a sensação é que mesmo com todos os seus problemas o filme é extremamente necessário para o momento mundial atual, talvez o que mais prejudicou o filme foi a falta de um olhar feminino, e apesar de infelizmente mesmo cheio de boas intenções o filme sofre exatamente por isso.

O Escândalo chega ao Oscar de 2020 concorrendo em três categorias: além de melhor maquiagem, tem melhor atriz para a Charlize Theron e melhor atriz coadjuvante para a Margot Robbie, todas elas justificadas.

Assista ao trailer:

 

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