Crítica | Missão no Mar Vermelho

Ninguém fica para trás.

Missão no Mar Vermelho é um dos últimos lançamentos da Netflix e tem como carro chefe a presença de Chris Evans, o já eterno Capitão América como ator principal.

Missão no Mar Vermelho - Chris Evans
Missão no Mar Vermelho – Chris Evans

E acredito que exatamente pela presença do grande astro o filme vem recebendo muitas criticas negativas.

Muitos dizem que é só um filme para o astro mostrar que é algo além do Capitão América e muita gente está reclamando que é um filme sobre um conflito negro, porém contado somente sobre o ponto de vista de brancos, o que a internet chama de Movie White Savior, ou o Salvador Branco, onde personagens brancos salvam personagens negros em situações complicadas.

Um filme que levantou muito esta polêmica do White Savior este ano foi o ganhador do Oscar Green Book, mas será que isso aqui é realmente relevante?

E o filme? É bom ou é ruim?

Primeiro vamos à história.

O filme é baseado em uma história verídica, que virou um livro e agora foi adaptada para o cinema pelo diretor Gideon Raff (responsável por uma série chamada Prisioneiros de Guerra, que serviu de base para a criação da serie Homeland, americana).

No começo da década de 80, foi deflagrada uma guerra civil na Etiópia. Além de lutarem entre eles, os que mais sofriam eram os etíopes judeus, que passaram a ser eliminados pelas guerrilhas.

Em Israel, a Mossad, serviço secreto Israelense, monta um plano para trazer estes judeus etíopes para Israel. Estas remoções foram feitas durante anos, e este filme conta uma das partes mais interessantes, pois neste momento foi um criado um plano mirabolante para realizar estas extradições.

E ai entra Chris Evans. Em Missão no Mar Vermelho ele é Ari Levinson, um espião da MOssad especialista em realizar fuga de refugiados. Pelo que vi, ele é um personagem fictício.

Missão no Mar Vermelho - Fuga da Etiópia para o Sudão
Missão no Mar Vermelho – Fuga da Etiópia para o Sudão

Depois de um problema na primeira fase de suas expedições ele é expulso da Etiópia, mas parece que o objetivo de sua vida é salvar judeus refugiados. Inconformado com sua expulsão, ele cria um plano mirabolante para conseguir salvar mais judeus e apresenta para seu chefe, o sempre bom Ben Kingsley (Gandhi).

A Etiópia nesta época era um dos locais mais atrasados do mundo o que dificultava até o acesso de ajudas humanitárias. Sendo assim, Ari acredita que a melhor opção seja retirar as pessoas pelo mar do Sudão, pais vizinho, porém de predominância muçulmana e que também se encontrava em guerra civil.

E que plano era este?

Então sua ideia, só para reiterar é enviar um grupo de judeus para um país muçulmano, para um lugar onde eles podem ser comidos por beduínos, para gerenciarem um hotel falso, com a finalidade de resgatar um grupo de judeus negros que podem ou não sobreviver a uma caminhada de mil quilômetros pelo deserto para serem levados pela Marinha de Israel em um navio disfarçado de petroleiro

Facil não?

E o pior é que o Ministro do Interior Israelense aceita a ideia.

Missão no Mar Vermelho - A Equipe
Missão no Mar Vermelho – A Equipe

Com isso, Ari monta um grupo de espiões (Uma loira fatal com conhecimentos de artes marciais, um médico, um mergulhador e um atirador de elite) e seguem para o Sudão, para a primeira parte do plano: Alugar o “resort” Red Sea Diving Resort, que dá nome em inglês para o filme e que fora construído na costa do Sudão por Italianos, mas  que tiveram que fugir dali devido às diversas brigas tribais da região.

Missão no Mar Vermelho - O Resort
Missão no Mar Vermelho – O Resort

Neste ponto a historia lembra um pouco o filme Argo. A diferença é que em Argo a CIA simulou a criação de um filme para em uma semana retirar americanos do Irã. Aqui, neste esquema da Mossad, a ideia acabou tomando outro rumo, e para criar uma maior cortina de fumaça sobre o esquema, o hotel fake acabou virando um hotel de verdade, onde nas barbas dos turistas estrangeiros, eram retirados enormes grupos de refugiados. Este esquema permitiu a retirada de milhares de judeus que saíram da África e foram para Israel durante alguns anos.

Parece doido?

Pois é!

E isso rendeu um bom filme?

Em minha opinião sim, apesar de sofrer de uma crise de identidade em um filme que tenta ser muitas coisas em um filme só. Ora quer ser politico, ora quer ser dramático, ora espionagem, ora aventura.

Mas já aviso: Se você procura um filme politico, com grandes discussões humanitárias, aqui vai encontrar muito pouco, mas como filme de ação o que nos entrega é de um nível muito bom, pois tem sequencias muito legais e cheias de tensão.

Curti o roteiro, que começa mais lento, mas logo nos imerge na estória e faz com que nos preocupemos cada vez mais com os personagens. E haja situações tensas. Passamos o filme todo achando que eles serão pegos.

E além dos cuidados que eles precisam tomar com as milícias sudanesas, cada vez mais desconfiadas, ainda existe a CIA no papel de Greg Kinnear (Melhor é Impossível) se metendo no meio, com a intenção de evitar uma crise entre Sudão, Etiópia e Israel.

Temos bairros de refugiados inteiro desaparecendo. Assim, do nada. A ONU oferece uma comissão aos sudaneses para cada refugiado que eles abrigarem, então quando eles começam a desaparecer…é ruim para o negocio.

Dá para imaginar uma coisa assim? Quanto mais refugiado vivendo em níveis abaixo da pobreza, melhor para o Sudão.

É incrível como tem coisas neste contexto geo politico que não fazemos a mínima ideia.

Outros pontos fortes em Missão no Mar Vermelho são a reconstituição de época e as atuações de todo o elenco. Tanto os coadjuvantes que estão muito bem, principalmente seu melhor amigo, o médico representado por Alessandro Nivola. (Desobediência), quanto Chris Evans, que mesmo seu personagem tendo um complexo de herói às vezes difícil de entender, consegue mostrar que é um ótimo ator, pois consegue trazer muitas camadas para seu personagem. Mas infelizmente o filme ainda traz muitas cenas desnecessárias de Evans sem camisa ou fazendo ginastica com shortinhos curtos.

As críticas vem reclamando que o filme mostra pouco o lado dos refugiados.

Missão no Mar Vermelho
Missão no Mar Vermelho

Mas será que a intenção do diretor era mostrar o sofrimento dos refugiados ou simplesmente mostrar o grande plano criado por pessoas que se importavam com estes?

Pode ser que o filme não explore o ponto de vista dos negros, mas também não denigre suas imagens.

Sendo assim, acho que vale muito a pena assistir a este filme, pois nos mostra um lado que não conhecemos da história mundial recente e ainda funciona muito bem como um filme de aventura, pois nos faz torcer pelo sucesso desta equipe.

Vale a pena também, após assistir ao filme, dar uma pesquisada sobre o assunto na internet.

Terminamos o filme como uma boa imagem do plano do Mossad. Boas pessoas que se preocupam com os outros. Pessoas com empatia, que sacrificam suas vidas para salvar semelhantes.

Mas infelizmente, se formos pesquisar mais a fundo, vemos que o inicio foi assim, mas no fim Israel nunca teve estrutura para receber estes refugiados. Vieram em nome da religião, mas a diferença cultural era gritante, o que acabou criando uma classe social inferior no país, formada hoje por aproximadamente 150 mil pessoas que vivem em extrema pobreza.

No mínimo, um filme para refletir.

Incrível que no século XXI o homem ainda seja tão desumano.

Segue o trailer do filme.

E você, já assistiu a este filme? Gostou ou esperava mais?

Vamos conversar nos comentários.

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