Crítica | Little fires Everywhere 

Little Fires Everywhere é uma série original do serviço de streaming HULU que chega no Brasil pelo Prime Vídeo e é estrelada e produzida por Reese Witherspoon (Big Little Lies e The Morning Show) e Kerry Washington (Scandal), baseado no best seller de Celeste Ng lançado no Brasil pela editora Intrínseca como Pequenos Incêndios por Toda a Parte.

Logo na  primeira cena de Little Fires Everywhere vemos a personagem de Witherspoon olhando chocada enquanto sua casa está em chamas, logo descobrimos que foi um incêndio criminoso, isso por si só já nos instiga a acompanhar a trama, logo depois somos levados ao passado para que possamos entender o que culminou nessa fatídica cena. Os primeiros episódios levam seu tempo a apresentar as personagens de Mia e Elena que são extremamente bem construídos de forma fluida e interessante, há pequenos conflitos que são jogados de maneira muito inteligente e que cria uma tensão que só cresce durante a temporada.

Kerry Washington e Reese Witherspoon brilham e seus papéis em “Little Fires Everywhere”.

Em Shaker Heights (subúrbio de luxo) conhecemos Elena (Witherspoon) casada, mãe de quatro filhos e repórter em meio período que logo de cara sente uma curiosidade sobre a vida de Mia (Washington) isso sempre disfarçado de um falso senso de caridade, seja alugando uma casa com um preço mais acessível ou oferecendo um emprego de governanta em sua casa, já Mia uma mulher negra   e misteriosa que aparentemente age por impulso e se mostra extremamente protetora em relação a sua única filha Page (Lexi Underwood). 

Lexi Underwood e Kerry Washington em cena de “Little Fires Everywhere”.

Atuações são o destaque

A série trabalha todas as nuances de cada uma dessas mulheres de maneira tão espetacular, que se torna impossível demoniza-las, pelo contrário, nos sentimos conectados a elas e entendemos suas escolhas. Há inúmeros flashbacks que aos poucos nos mostram todos os arrependimentos e traumas das personagens deixando o espectador mergulhado em cada drama proposto pelo roteiro.

Por mais que alguns dos diálogos tendem a parecerem novelescos às atuações compensam totalmente essa sensação, como Elena  Reese Witherspoon que traz alguns trejeitos de sua personagem Madeleine de Big Little Lies mas isso se perde conforme conhecemos a personagem, e talvez esse seja o melhor personagem de sua carreira na tv, já Kerry Washington através de cada gesto, palavra que sai de sua boca ela incorpora um peso enorme e é incrível como a atriz passa para todos uma postura de mulher inabalável mas com a filha ela se desarma e mostra todos seus medos.

Elenco Infanto Juvenil também bem afiado.

O elenco infanto juvenil é também bem trabalhado, todas as subtramas e ações são de alguma forma  ligados a relação deles com suas mães, refletindo diretamente em suas vidas, a trama também trabalha como a pressão dos pais pode afetar a vida dos filhos. Dentre o elenco juvenil vale destacar o trabalho de Lexi Underwood no papel de Page a filha de Mia, de como a atriz transmite muito bem deslumbre de uma vida que ela considera normal e de como ela vê em Elena um exemplo de uma mãe, que aparentemente coloca os filhos sempre em primeiro lugar, que é exatamente o contrário de sua mãe. Outra atuação forte e marcante é de Megan Stott que interpreta Izzy Richardson a filha caçula de Elena, a atriz consegue passar o desespero que sente por ser desprezada pela  mãe e sua descoberta pela sua sexualidade é sem dúvidas um dos arcos mais sensíveis da série.   

Little Fires Everywhere.

Vários debates necessários

Talvez o maior trunfo de Little Fires Everywhere é trazer através de duas mulheres debates sobre assuntos como racismo, privilégio, maternidade, aborto, depressão pós parto e homossexualidade de maneira sensível e honesta. Como a série se passa em 1997, fica muito mais claro a questão de racismo estrutural já que o subúrbio de luxo em Shaker Heights é cenário principal da minissérie. Seja em uma simples abordagem policial, seja pela a própria figura de Mia e Pearl ou até a relação da filha mais velha de Elena, Lexie (Jade Pettyjohn) com Brian (Stevant Hart).

Por fim Little Fire Everywhere é um drama intenso e cheio de personagens marcantes e conflitos atuais, discutindo problemas  que não mudaram desde a década de 90, com um final extremamente emblemático que funciona até como uma metalinguagem.

Para os fãs , é preciso dizer que há diferenças na adaptação. Porém, a maioria não prejudica o desenrolar da história. E a própria autora Celeste Ng atua como uma das produtoras da trama.

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