Crítica | Jamais Foram Vencidos (1969)

John Ford como cineasta polvilhou seus filmes com eventos da vida cotidiana, e influenciou vários diretores, como no caso de Andrew V. McLaglen, que em Jamais Foram Vencidos (The Undefeated, 1969) exibe muitas das marcas comerciais de Ford. Filmado com panoramas ao ar livre, subenredos sentimentais, incluindo o romance quase obrigatório entre adolescentes, personagens heróicos nos papéis centrais, rodeados por uma galeria de atores, cujas interpretações se divergem entre grandes e pequenas, índios, etc, tendo como cenário um período da história americana.

O diretor Andrew V. McLaglen

Um filme produzido por Robert L. Jacks (1927-1987) para a 20th Century Fox e com roteiro escrito por James Lee Barretty (1929 -1989) vagamente baseado em um fato histórico: a marcha confederada do general James Orville Shelby que fugiu para o México após o Guerra Civil  e tentou juntar as forças imperiais mexicanas de Maximiliano da Áustria com o apoio dos regimentos imperiais franceses enviados pelo imperador Napoleão III.

Análise

Jamais Foram Vencidos poderia ter sido um faroeste muito bom se algum bom senso tivesse prevalecido no roteiro, para haver coerência no desenvolvimento de uma história em que, progressivamente, além de seu marcado direitismo, é uma mistura de tudo que o gênero já apresentou sem oferecer a menor explicação.

Mesmo com a música de Hugo Montenegro, a grande fotografia de William H. Clothier e a montagem de Robert L. Simpson, o desenvolvimento da história não é sentida. Quem assiste se pergunta o que os confederados fazem no México? E a mudança de atitude de apoiar Maximiliano I para Benito Juárez sem motivo? E os coronéis, interpretados por John Wayne e por Rock Hudson se comportam de forma irrisória diante das questões políticas de destaque.

Os dois atores não brilham especialmente o pouco convincente Hudson, que tinha menos cinema do que o próprio Wayne, que se limita a desempenhar um papel que não contribui excessivamente com nada de novo para sua carreira.

Percebe-se também que dentro da filmografia de McLaglen estamos presenciando seus melhores momentos como diretor, mas ainda não é o suficiente. O diretor consegue trazer o estilo de Ford, mas infelizmente não reune os apetrechos para tal feito. Aqui, duas histórias são contadas em paralelo durante a primeira hora ou mais: Hudson leva seus amigos confederados derrotados e família para o México em busca de refúgio, e Wayne lidera um bando de ex-soldados da União em uma caça a cavalos selvagens. Hudson e Wayne se encontram no caminho, se tornam amigos e então enfrentam perigos mútuos.

Até agora tudo bem. Até Ford poderia ter gostado da narrativa. Mas então McLaglen joga um triângulo amoroso de forma inepta envolvendo a filha de Hudson, o filho indígena adotivo de Wayne e um jovem confederado. O caso de amor consiste principalmente na moça trocando piadas com o reb e longos suspiros com o índio. Qualquer conotação racial é silenciada pela escolha de Roman Gabriel como o índio, que estava mais para um dos  Beach Boys do que um nativo.

O jogador de Futebol Amerciano, Roman Gabriel, como Blue Boy

Brigas sem sentido, bem orquestradas por sinal, pelo futuro diretor de cinema, Hal Needham, que coordenava os dublês. De qualquer forma, aos 62 anos, Wayne salva uma cena ou duas com sua presença e entrega. A propósito, neste filme sofreu uma grave queda a cavalo que o afastou das filmagens por mais de duas semanas e que por pouco não fez sair do filme.

Um filme bem típico, com boas cenas de ação e panorâmicas, um roteiro sofrível, uma visão um tanto xenófoba, mas que pelo menos servirá para relembrar muitas melodias antigas e charmosas do faroeste que estão constantemente tocando no filme.

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