Crítica | Eternos

Quando Chloé Zhao foi anunciada como a diretora de Eternos, um ambicioso projeto da Marvel Studios, era apenas mais uma aposta do estúdio dentre tantas outras. Do anúncio ao lançamento do filme, muita coisa mudou. Além de conquistar inúmeras premiações pelo mundo, a diretora saiu consagrada do Oscar de 2021 com as estatuetas de melhor filme e de melhor direção, concorrendo ainda pelo roteiro e pela edição por Nomadland. E, de repente, o projeto da Marvel atingiu um outro patamar de expectativa e a curiosidade de como uma diretora tão sensível e contemplativa encaixaria seu estilo ao titânico e sólido Universo Cinematográfico da Marvel aumentou exponencialmente.

Na história, acompanhamos os Eternos, antigos alienígenas que são enviados à Terra para protegerem o planeta dos Deviantes, enquanto vão ajudando os humanos a evoluírem enquanto espécie.

Quando os Eternos foram criados, para os quadrinhos da Marvel por Jack Kirby nos anos 70, o roteirista usou, como uma das inspirações, o livro “Eram os Deuses Astronautas?” de Erich von Däniken, um tremendo sucesso e apresentava a Teoria do Astronauta Antigo, que dizia que os antigos deuses de mitologias e religiões ao redor do mundo, na verdade, eram visitantes das estrelas. Hoje, a teoria ganhou força novamente, com a enorme popularidade do programa Alienígenas do Passado do History Channel. Então, anos depois, o momento parece oportuno para a apresentação desses personagens para o grande público.

Chloé Zhao consegue imprimir seu estilo na megaprodução. Para o bem e para o mal. A fotografia é deslumbrante, a diretora optou por gravar a maioria das cenas em cenários reais, o que também torna os efeitos especiais mais realistas e impressionantes. Os planos abertos característicos da cineasta, aqui, ganham escala colossal. A diretora demonstra um domínio surpreendente das cenas de ação, que não são perfeitas, mas transmitem um peso real.

Os personagens são cativantes, o que acaba gerando um problema. Como era de se esperar, o roteiro é lento e contemplativo, no entanto, nós temos 10 personagens sendo apresentados juntos com uma mitologia grandiosa. É claro que os personagens não serão aprofundados como mereciam, o que pode frustrar parte do público. Além disso, passagens importantes também não recebem a devida atenção e tempo, fazendo com que o filme pareça um pouco desconjuntado.

A história é épica de uma forma única, seja no campo das batalhas ou no sentimental: tudo é muito grandioso. Estamos diante de verdadeiras divindades e o filme consegue transmitir isso. Mérito, também, das boas atuações que entregam o divino sem perder a humanidade. O filme encontra um bom equilíbrio entre fantasia e realidade.

Eternos não é só diferente dos outros filmes da Marvel, ele é diferente de qualquer filme de super-heróis. É harmonioso, gigante, divertido e contemplativo. Um tanto lento e bagunçado, é verdade. Mas um verdadeiro alento ao gênero.

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