Crítica | Entre Facas e Segredos

Depois de algum tempo sem ir ao cinema, um filme de detetive estilo Sir Arthur Conan Doyle e Agatha Christie me chamou a atenção ao ponto de voltar a gastar com um bom kit pipoca.

Entre facas e segredos conta a história de um famoso escritor de histórias policiais Harlan Thrombey (Christopher Plummer) é encontrado morto dentro de sua propriedade. Logo, o detetive Benoit Blanc (Daniel Craig) é contratado para investigar o caso e descobre que, entre os funcionários misteriosos e a família conflituosa de Harlan, todos podem ser considerados suspeitos do crime.

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Se está no inferno, abrace o capeta.

Essa foi uma das frases que o detetive de Daniel Craig fala ao lidar com um possível assassinato e uma família completamente disfuncional que, ao primeiro olhar, parece ser perfeita. Ransom Drysdale (Chris Evans) é o neto rebelde, filho de Linda Drysdale (Jamie Lee Curtis), que construiu um império para si. Meg Thrombey (Katherine Langford) é a neta ativista, filha de Joni Thrombey (Toni Collette), e as duas são sustentadas por Harlam.  O último dos irmão, responsável pela editora do pai é Walt Thrombey (Michael Shanon), casado com Donna (Riki Lindhome) e que tem o filho racista Jacob Thrombey (Jaeden Lieberher). E, no meio dessa loucura, temos a empregada Fran (Edi Patterson) e a enfermeira Marta Cabrero (Ana de Armas).

A história começa com uma suspeita de assassinato de uma cena de um suicídio. O detetive Blanc precisa descobrir o que realmente aconteceu na morte de Harlam Thrombey, e quem o contratou para investigar a morte do escritor. Sabendo do problema de Marta em mentir – toda vez que a garota mente ela acaba regurgitando, Blanc conta com esse problema da garota que observou a família durante anos para saber o que realmente aconteceu e o porquê de estar ali.

O filme foi pensado em diversas camadas. a cada nova descoberta que é feita, a história muda de rumo e sua perspectiva dos personagens muda completamente. A principio, pensei que o filme era ambientado em outra época, visto o filtro e a escolha de cores, além da ambientação na antiga mansão, mas entendi que a mansão tornou-se uma bolha onde a maior parte da história se passa, além de mostrar que os personagens parecem presos àquele lugar. Sobre esse uso de cores, ainda não sei considerar se isso foi bom ou ruim, e ainda não me decidi quanto à isso.

A história é apresentada como uma concha de retalhos, com cada personagem dando sua versão da fatídica noite em que Haralm morreu, porém, cada um escondendo uma parte pessoal dos detetives. Assim vamos conhecendo quem são os personagens e porque eles escondem o que escondem. Todos são suspeitos até que se prove o contrário.

Parte do mistério já é entregue no meio de Entre facas e segredos, mas não acredite que isso faz com que isso vá diminuir seu interesse. Com essa revelação bombástica, outro mistério toma o lugar do anterior e acabamos novamente interessados em descobrir o que aconteceu. Uma coisa que me agradou pois lembra o estilo de Sir Arthur Conan Doyle é que os pedaços para montar o quebra cabeça estão todos ali o tempo todo. Uma frase, uma atitude, um jogo de palavras, mas estava ali na tela e alguns (como eu fui) não conseguem ver desde o começo.

Sobre a motivação de um personagem que acaba se entregando no final, eu já achei meio fraca para a trama construída. Como Harlam gostava muito de Marta e sempre a considerou muito inteligente, ganhando dele no gamão, eu esperava que no fim estivessem fazendo algo tipo de jogo de detetive com ela, pelo menos, acharia mais plausível do que o final simples que deram no filme.

Uma coisa divertida foi usar a incapacidade de Marta de mentir. Todos da família sabiam disso, inclusive o detetive, mas, ainda assim, ela conseguiu esconder muita coisa de todo mundo. Um mérito para a atriz Ana de Armas que conseguiu passar esse ar de inocência e ao mesmo tempo de preocupação para a sua personagem, pois, de todos os apresentados na película, ela era quem mais tinha o que perder. O restante do elenco teve seus momentos de brilhar em suas atuações, mas todas ela eram ficaram dentro da zona de conforto, sem apresentar grandes dificuldades para os atores.

Um filme de mistério bom, com algumas cenas de perseguição a carro e muito mais um mistério psicológico a se descobrir, Entre facas e segredos chegou discretamente e passou quase discretamente nas salas de cinema. Não espere uma grande reviravolta no final, mas garanto que o mesmo será divertido e vai te lembrar que tudo estava claro o tempo todo, mas muitos dos que assistiram só prestaram atenção no fim.

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1 COMENTÁRIO

  1. Realmente uma trama surpreendente com reviravolta no final, um suspende bem cheio com cenas de perseguição, quebra cabeça enfim..

    Destaque para a atuação da enfermeira e do Chris Evans que faz um vilão que age imperceptivelmente…..Marta da a emoção e o toque de drama para o filme.

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