Crítica | Daybreak (2019)

Após os filmes O Silêncio (2019) e Fim do Mundo (2019), a Netflix volta a apostar no gênero fantástico de um pós-apocalipse, onde temos um mundo sem adultos. A nova série, Daybreak, segue o sucesso da franquia Zumbilandia e de Todo Mundo Quase Morto, mas se apóia mais na cultura pop, num formato de comédia adolescente que realoca os conflitos clássicos desse tipo de série em um cenário de ficção científica e terror.

A narrativa é a seguinte: após um ataque bioquímico mundial, aparentemente toda a população adulta foi morta ou transformada em uma horda de zumbis-mutantes, os Ghoulies. Apenas quem fosse abaixo dos 19 anos sobreviveram, o que dá ao streaming de explorar outra vez um mundo sem adultos, como fez em The Society (2019), mas mudando radicalmente o tom. E assim conhecemos o trio de protagonistas, composto por Josh (Colin Ford), Angelica (Alyvia Alyn Lind) e Wesley (Austin Crute) que formarão laços para formar um tipo de família disfuncional em um mundo pós-apocalíptico.

Baseado na HQ homônima de Brian Ralph, Daybreak, que misturou O Senhor das Moscas (1963) com o universo de Mad Max (1979), trazendo o clássico ambientação do ensino médio, com as diversas tribos se transformando na série da Netflix em gangues com estereótipos exagerados e hilariantes, como os geeks. Além de William Golding e George Miller, temos George Romero e o icônico assentamento em um shopping como cenário relevante para a série.

Existem punks, fãs das Kardashian, atletas e outros grupos itinerantes baseados nos motociclistas de Mad Max. Além disso, existem inúmeras referências, entre as quais os personagens frequentemente se dirigem ao público como Ferris Bueller, protagonista de Curtindo a Vida Adoidado (Ferris Bueller’s Day Off, 1986), que serve como base para o personagem canadense, Josh. E de nenhuma maneira essa característica é escondida, e é claro, que incluindo ainda um Matthew Broderick em seu elenco como o diretor da Escola, ou seja, Ferris se tornou o seu maior inimigo. As referências são diversas, dos filmes de John Hughes, como O clube dos cinco (The Breakfast Club, 1985), entre outros como Os Bons Companheiros, Rei Arthur, etc.

O estilo Deadpool é usual, uma maneira de fazer a série dinâmica, de tornar o público cúmplice do fato de ser uma série que ri dos giros narrativos que usa e reutiliza, com truques cliffhanger, parodiando The Walking Dead (2010-) por exemplo. Outra característica é a mudança constante da narrativa, que diverte, ao alterar o narrador, de acordo com o episódio, indo da primeira pessoa a terceira pessoa (um rap narra para um dos protagonistas).

Apesar da ambientação pós-apocalíptica e de zumbis, nenhuma das ameaças são perigosas para criar uma tensão de outras produções similares. Os perigos se assume e os monstros são recursos usados para um bom efeito cômico, em mundo em que a violência extrema foi assimilada muito rapidamente.

Há cenas de ação e monstros com sangue e visualmente eficientes. Mas os melhores momentos vem da interação dos personagens. Há episódios baseados inteiramente em um deles e outros mais experimentais que servem como uma mudança de ritmo, mas como uma comédia adolescente só constrói bem os personagens, não chegando a desenvolver tão bem os mesmos. A parte dos flashbacks, que dão uma idéia de quem eram todos os personagens antes da bomba explodir é bem interessante, pelos relacionamentos que foram quebrados podemos até entender um pouco melhor como os personagens chegaram aonde estão quando os conhecemos. Destaco ainda a interpretação de Krysta Rodriguez como a professora que se tornou uma pseudo-zumbi-ghoullie e Broderick, como o diretor superengraçado que servirá como plot twist da série.

Daybreak tem a intensão de causar, porém há uma perda de sentido do meio para o fim, com as reviravoltas aleatórias, um ritmo diminua no meio da série, um humor que se torna tosco, mesmo assim o incômodo do estilo malicioso de não levar nada a sério é o que faz da série diferente do que temos em cartaz nos streamings e na tv. Diverte pelos momentos juvenis apresentados e pelo roteiro despretensioso, com um elenco expressivo e talentoso que releva os defeitos e ajuda a querer mais um pouco, especialmente Angelica, com quem realmente dá para passar mais uma temporada.

 

 

 

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