Crítica | Conan, o Bárbaro (1982)

Em 1932,  Robert E. Howard criou, entre outros grandes personagens, o lendário Conan, o bárbaro, que estrelou uma série de histórias na Weird Tales compiladas por aqui em três volumes caprichados pela editora Pipoca & Nanquim.  Graças a estes contos, o protagonista não demorou muito a ser tornar um clássico, assim como uma referência ao subgênero literário da espada e feitiçaria. No entanto, apesar do sucesso alcançado com os contos, foi através dos quadrinhos que muitos o conheceram. A Marvel e a Dark Horse publicaram as aventuras do Cimério em vários títulos e arcos maravilhosos. Além disso, seu sucesso serviu para promover a fama de outros personagens criados por  Howard, como Kull, Red Sonja ou Solomon Kane.

O diretor Millius e Schwarzenegger no set de filmagem.

Logo, o cinema não ficaria de braços cruzados com um personagem tão incrível quanto aquele. Foi assim que, sob a batuta de John Millius, em 1982, Conan, o bárbaro, veio a luz, estrelada por Arnold Schwarzenegger, um sucesso, cuja análise e algumas curiosidades, você pode ler nos parágrafos seguintes:

Antes da produção

O licenciamento para o cinema foi a maior barreira para termos Conan. Durante todo os anos 1970 foram feitas várias tentativas, mas foi o produtor Edward R. Pressman que adquiriu os direitos após a falência de um dos mantenedores. O sucesso de Star Wars trouxe a Hollywood um interesse maior em produzir filmes com uma temática de fantasia e aventura. E como Conan era bem popular na época, em especial pelas adaptações com a arte de Frank Frazetta da Marvel Comics. John Milius foi o primeiro a expressar o interesse em dirigir um filme em 1978. E logo procurou se aproximar de Pressman, mas os dois tinham ideias diferentes e não foram mais longe nas conversações. Pressman e a Paramount Pictures iniciaram o projeto naquele mesmo ano, que já tinha um orçamento bom se um “roteirista de nome” estivesse na equipe. Oliver Stone entra para o projeto e Pressman aborda Frazetta para uma consultoria visual do filme, mas não que chegam a um acordo. Então, contrata Ron Cobb, que concluía o design em Alien (1979). Cobb fez um sketchbook para Pressman, mas teve que sair para um projeto de John Milius. Daí, os problemas começaram a aparecer, o orçamento para o roteiro de Stone bateu US$ 40 milhões e os produtores não conseguiam convencer um estúdio a financiar seu projeto. Pressman passava por dificuldades financeiras e, para manter a produtora, pegou dinheiro emprestado. Outro problema foi a direção, Stone e Joe Alves (Tubarão 3), foram considerados possíveis co-diretores, mas Pressman queria Ridley Scott, que havia terminado de dirigir Alien, que rejeitou. Logo, Millius, devido a Cobb, contatou o produtor e chegaram a um acordo: Milius dirigiria o filme se pudesse modificar o roteiro. Mas, o diretor tinha sido contratado por Dino De Laurentiis para um filme e depois de um ano de negociações, Pressman e De Laurentiis concordaram em co-produzir o filme. Estávamos em 1979 e tinha iniciado a empreitada do filme.

Elenco

Arnold Schwarzenegger como Conan, papel que o levaria ao estrelato. Aos 33 anos, o austríaco teve que moldar seu corpo, sotaque e interpretação para compor o personagem.

 

O cinemático Thulsa Doom, interpretado por James Earl Jones, que entrou no filme de última hora por causa de compromisso na Broadway, alternando entre as filmagens e a estreia de uma peça.

O renomado ator Max von Sydow no papel do rei Osric, que aceitou fazer o filme, por causa do filho, grande fã de Conan.

A dançarina Sandahl Bergman encarnou a guerreira Valeria, recomendada para o papel pelo diretor Bob Fosse, que trabalhou com ela em O Show Deve Residencial (1979).

o Ex-jogador da NFL Ben Davidson (que interpreta a Rexor), Cassandra Gava (uma bruxa), o surfista Gerry López (Subotai), Makoto Iwamatsu ou Mako (mago Akiro) e Valérie Quennessen (princesa Yasmina) completam o elenco principal.

O roteiro

Oliver Stone escreveu uma narrativa bem ruim sobre o cenário em que o filme seria montado. Parecia um mundo pós-apocalíptico como Mad Max e ainda tinha zumbis. Quando John Millius assumiu o co-roteiro, se apropriou na mitologia do personagem e com a facilidade de escrever de Stone e o inestimável trabalho para o design de produção de Ron Cobb, chegamos ao roteiro final que foi levado a tela.

Desenho de Ron Cobb

O filme em si

Trazer para a tela um mito da literatura e dos quadrinhos foi muito mais complexo do que seu poder físico poderia denotar – não foi uma tarefa fácil. No mínimo, ele exigiu a capacidade de traduzir esse antigo mundo mítico cheio de bárbaros e feiticeiros em imagens. De maneira particular John Milius, apesar das pressões de Dino de Laurentiis, conseguiu compor o filme durante o ano de 1980/81 em locações espanholas. Analisarei o filme com o melhor do filme, a trilha sonora de Basil Poledouris, uma das melhores trilhas sonoras da história do cinema, que obviamente, o diretor o montou de acordo com a música de Poledouris.

Na Era Hiboriana, antes das civilizações conhecidas, um menino chamado Conan é escravizado depois de testemunhar o assassinato de seus pais e toda a sua tribo. Ao longo dos anos, ele se tornará um poderoso guerreiro que, enquanto procura o assassino de sua família, viajará pelo mundo conhecendo os mais diversos personagens e vivendo extraordinárias aventuras. A primeira parte do filme é como uma espada sendo forjada, criando a personalidade dura e crua de Conan, a espada sendo moldada a marteladas na bigorna e Conan sofrendo os reveses da vida daquela era era selvagem.

Algo curioso ocorre no filme, como fã de quadrinhos, em especial de A Espada Selvagem de Conan, sempre fiquei animado desde a primeira vez que vi e em suas sucessivas reprises ao longo dos anos – inclusive a última a fazer essa análise – mesmo com suas óbvias deficiências, Conan, o Barbáro tem um magnetismo poderoso e força e personalidade extraordinárias que o tornam um clássico e um dos representantes mais valiosos do gênero de espada & magia.

Arnold Schwarzenegger como o personagem entrou na Riders of Doom, a música que mostra a passagem de Conan de menino a adulto. E o austríaco, aos 33 anos, era provavelmente o único “ator” com um físico para o personagem. Entretanto, mesmo tendo ganho um Globo de Ouro como revelação, suas limitações como ator eram (são) mais do que evidentes, embora tanto James Earl Jones quanto Max Von Sydow o ajudaram muito durante as filmagens. Mas foi capaz, com base no entusiasmo de sua juventude abençoada, de entrar no personagem e dar-lhe credibilidade, apoiado por sua imposição física e ajudado pelas poucas e simples linhas de diálogo, tendo o Destino ajudado ou não, ele se tornou o Schawarzenegger que conhecemos a partir de Conan, o Bárbaro.

Milius e Stone escrevem o roteiro juntos, numa narrativa não muito fiel às histórias e aos quadrinhos, focada mais em mostrar um cenário épico cheio de personagens peculiares e todos os tipos de perigos, incorporados em episódios, às vezes sem muita conexão e às vezes sem equilibrar o ritmo, em vez de seguir um enredo coerente. Tampouco houve interesse em desenvolver melhor os personagens e sim destacar o físico, o seu poder em combate ou ao resolver situações de risco.

Também é notório a preocupação da equipe em transmitir todo o ar mitológico e lendário da história, há muitas sequências e diálogos de enorme solenidade (às vezes um pouco excessiva), com frases grandiloquentes e cerimônias luxuosas que dão ao filme uma magnificência muito oportuna.

As cenas de batalha são muito bem filmadas, tanto que a cena da floresta do exército de Thulsa Doom serviu como base para uma outra muitos anos depois em Gladiador, já as cenas de lutas corpo a corpo não são bem executadas e mostram uma coreografia muito básica. A presença de James Earl Jones ou Max Von Sydow (perfeito, como sempre, em seus poucos minutos) e a interpretação de Sandahl Bergman contrastam com o trabalho discreto de outros personagens, em sua maioria atores não profissionais, no que foi uma decisão arriscada.

Figurinos competentes, mas manchado pela maquiagem e perucas engraçadas. Os efeitos especiais são apresentados em passagens esquecíveis, que são eclipsadas por outras que se tornaram verdadeiros clássicos, como a transformação da criança no espantoso bárbaro que empurra aquela roda pesada por anos ou a metamorfose de Thulsa Doom em serpente.

O tom adulto do filme, com violência explícitas e doses de sexo e nus femininos foi apropriado ao filme. Mesmo irregular, em momento lento e às vezes como série B, mas com uma personalidade inquestionável, Conan, o Bárbaro se tornou um clássico para os amantes do gênero, que resultou em uma sequência e mais recentemente a um remake, estrelado por Jason Momoa, que embora melhore as coreografias no combate, os efeitos especiais, o ritmo e o enredo não alcançaram o poder, a alma, a paixão, a grandiosidade e o ar lendário do filme de Arnie e Milius.

Por último deixo o trailer, para convidá-lo a revisá-lo novamente e deixe-me seus comentários abaixo.

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