Crítica | Cidade Invisível

Você precisa assistir Cidade Invisível, a nova série nacional que estreou na Netflix nesta sexta feira.

A série da Netflix traz uma história de suspense muito bem amarrada, mas com uma característica muito especial e diferente: as vítimas são personagens do nosso folclore, algo que me trouxe um enorme sorriso no rosto.

O elenco de Cidade Invisivel, nova série nacional da Netflix
O elenco de Cidade Invisivel, nova série nacional da Netflix

Em Cidade Invisível temos Marcos Pigossi como Eric, um policial florestal que fica viúvo quando sua esposa morre em um incêndio numa comunidade ribeirinha onde ela trabalhava e que está prestes a ser comprada por uma grande corporação.

Marcos PIgossi, é Eric, policial que encontra um boto cor de rosa na praia
Marco PIgossi, é Eric, policial que encontra um boto cor de rosa na praia

Após o acidente, ele segue tentando superar o luto junto com sua filha pequena, até que um dia ele descobre um boto cor de rosa morto na praia do Flamengo no Rio de Janeiro.

Um boto cor de rosa numa praia?

Achando aquilo muito estranho, ele inicia uma investigação e percebe que aparentemente a morte da sua esposa não foi um acidente e está relacionada com este boto.

Esta investigação o leva até Inês, a misteriosa personagem de Alessandra Negrini que trabalha em um bar na Lapa e aparentemente esconde muitas coisas.

A belissima cena das borboletas no necrotério. Uma nova versão da Cuca
A belissima cena das borboletas no necrotério. Uma nova versão da Cuca

A partir daí a história nos pega e ficamos colados na cadeira, maratonando esta série sem querer parar, já que os episódios têm 30 minutos que passam voando.

Eu sempre achei interessante que lá fora, principalmente nos EUA e Inglaterra existem diversos livros best sellers criados em cima de mitos, como Deuses Americanos, Percy Jackson,  Harry Potter e porque não Crepúsculo.

O que nos move nestas narrativas é imaginar como seria se Deuses, Bruxos ou Vampiros vivessem em nosso mundo, levando vidas comuns.

Confesso que gosto muito destas narrativas, mas há tempos me pergunto:

Por que não temos um Percy Jackson nacional convivendo com figuras do nosso folclore assim como Percy convive com deuses gregos?

Infelizmente, parece que nossa literatura e produções associadas aos mitos de nosso folclore pararam no antigo Sitio do Pica-pau Amarelo e Monteiro Lobato.

Mas vendo as entrevistas de Carlos Saldanha, o criador de Cidade Invisível eu fiquei extremamente feliz em ver que não fui o único a pensar nisso, já que é exatamente o que ele traz nessa sua série.

A bela cena da Sereia levando sua vitima para o mar
A bela cena da Sereia levando sua vitima para o mar

Carlos Saldanha é um dos diretores de Era do Gelo e diretor do belo desenho Rio, que fazia uma grande homenagem ao Brasil.

Mas nada chegava aos pés da homenagem feita a cultura do país aqui nesta série, que é um primor.

Tudo aqui se encaixou perfeitamente.

O roteiro coeso, a escolha perfeita do elenco, as atuações, a fotografia belíssima do Rio de Janeiro em locais vistos de uma maneira diferente daqueles que já cansamos de ver nas novelas da Globo e os efeitos especiais, que trazem cenas incríveis, como as cenas dos redemoinhos do Saci e a cena das borboletas no necrotério que enchem nossos olhos.

Menção honrosa também para a cena em que Eric conhece Camila no bar. Simplesmente sensacional! Impossível não ser seduzido por aquela mulher(Jessica Cortes, maravilhosa!)

A voz sedutora da sereia
A voz sedutora da sereia

Aparentemente os crimes que estão acontecendo estão relacionados com as entidades do folclore que tem como objetivo proteger as florestas brasileiras.

Mas quem as está matando?

Será que é o dono da grande incorporadora que quer transformar a floresta em um eco resort? Ou será que é o proprio Eric que aparentemente estava em todos os lugares onde os crimes vão acontecendo?

Felizmente as soluções aqui não são simplórias e maniqueístas e confesso que curti bastante o rumo que a história tomou, apesar de ter descoberto o plot um pouco antes e achar o final um pouco abrupto demais.

Mas está ali o ganchinho para uma segunda temporada.

O único ponto negativo para mim nesta produção foi a definição de idade indicada pela Netflix que colocou este filme como 16 anos, o que me impediu de assistir com meus filhos.

Porem após assistir, eu digo que pode facilmente ser assistida por crianças desde os 10 anos. Acredito que a indicação mais alta tenha sido feita por causa de algumas cenas de nudez, mas garanto que até estas cenas estão tão no contexto que se tornam necessárias, sem nada que traga constrangimento a família.

Cidade Invisível é um grande acerto da Netflix que já começa o ano com o pé direito.

E que bom seria se Cidade Invisível bombasse em todos os 190 países onde a Netflix, e que o mundo passe a acessar o Google para saber o que são Saci, Curupira, Iara e até a velha Cuca da canção de ninar.

Tomara que o mundo esteja de cabeça aberta para conhecer novas culturas.

E se não estiver, azar o deles. Bora lá proveitar, pois nossa cultura também é muito legal!

E você, já viu esta série? O que achou?

Surpreendeu-se como eu ou não achou nada demais?

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