Crítica | Casa Gucci

Neste ano de 2021, tivemos dois filmes mainstream que trataram sobre o mundo da moda: Cruella e Noite Passada em Soho. O primeiro é extremamente pop e marca pelo seu ritmo ágil, trilha sonora moderna e visual chamativo. O segundo também é pop, mas homenageia o clássico, encontrando um bom equilíbrio, e promove uma ponte entre os tempos atuais e os anos 60. Casa Gucci claramente tenta encontrar esse equilíbrio, porém fica só na tentativa.

No filme, acompanhamos a história de parte da família Gucci, responsável pela criação da, mundialmente famosa, grife. Quando o negócio de família passa a ser tratado como ultrapassado, a integridade da família também é posta em risco.

O grande destaque é o estrelado elenco. Lady Gaga está totalmente à vontade com o seu papel e todas as nuances surgem com muita naturalidade. Adam Driver não é tão exigido, mas entrega um personagem que diz muito sem falar nada, com excelente resultado. O trabalho do elenco de apoio também é muito bom, que mais chama a atenção é o irreconhecível Jared Leto, que opta por uma interpretação mais teatral do personagem, em alguns momentos parece passar um pouco do ponto e pode acabar atrapalhando a experiência de parte do público.

O diretor Ridley Scott, na maior parte do filme, escolhe fazer um estilo mais clássico de cinebiografia, mas, como o tema de moda permite ousar uma linguagem mais moderna, ele tenta encaixar essa mistura. No entanto o faz de forma tão superficial que o filme nem é clássico e nem moderno.

Com 157 minutos de duração, fica claro que o filme poderia ser menor. Ironicamente há muita coisa mal trabalhada na história: cortes abruptos, passagens de tempo mal explicadas e acontecimentos importantes sem seus devidos pesos colaboram para criar essa impressão.

Casa Gucci até tem uma boa história, dá vontade de ver até onde ela vai nos levar. A questão é que poderia ser uma viagem mais agradável. Alguns dizem que o elenco já vale o filme, tem que ver se isso basta.

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