Crítica | Capitão América: O Primeiro Vingador

A carreira editorial do Capitão América começou em 1941, pelas mãos do roteirista Joe Simon e do ilustrador Jack Kirby, mas o que tornou tão famoso? Com certeza, foi quando Stan Lee trouxe de volta para entrar nos Vingadores (1964). Portanto, quando a Marvel iniciava seu Universo Cinematográfico sua inclusão era precisa e inevitável. Além do que o personagem, na época, não tinha os problemas autorais como as franquias do Homem-Aranha, dos mutantes X-Men ou do Quarteto Fantástico. Seria o quinto longa metragem do UCM, após os filmes do Homem de Ferro, Hulk e Thor e que analisaremos a seguir.

ELENCO

Sob a direção de Joe Johnston, Captain America: The First Avenger, é estrelado por Chris Evans (como Steve Rogers / Capitão América ); Hugo Weaving (no papel de Johann Schmidt/Red Skull ); Hayley Atwell (Peggy Carter); Sebastian Stan (James ‘Bucky’ Barnes ); Dominic Cooper (que interpreta Howard Stark); Neal McDonough (Timothy ‘Dum Dum’ Dugan); Derek Luke  (Gabe Jones ); Stanley Tucci (Dr. Abraham Erskine ); Tommy Lee Jones (coronel Chester Phillips) e Kenneth Choi (Jim Morita). Também dignos de nota são Toby Jones (o cientista Arnim Zola), Samuel L. Jackson (Nick Fury ) e, claro, a usual participação de Stan Lee que, nesta ocasião, dá vida a um Militar de alto escalão em uma cena divertida do filme.

O cara do lado de Stan Lee é Reb Brown , que interpretou o personagem-título em Capitão América (1979) e Capitão América II: Morte cedo demais (1979).

Desenvolvimento e Produção do Filme

Em abril de 1997, a Marvel entrou em negociações com Mark Gordon e Gary Levinsohn (O Resgate do Soldado Ryan de Steven Spielberg) para produzir o filme, mas não foi acordado pelos valores apresentados. Em 2000, foi negociado com a Artisan Entertainment que financiaria o projeto e seria co-produtora para vários outros filmes. No entanto, o processo de Joe Simon, sobre a propriedade dos direitos autorais do personagem, interrompeu o desenvolvimento do filme. O processo interrompeu o projeto até 2003, quando a Marvel ganhou judicialmente os direitos do personagem.

Em 2005, a Marvel recebeu um empréstimo de 525 milhões de dólares do banco Merrill Lynch, permitindo que produzissem independentemente dez filmes, incluindo o Capitão América. Seria a aposta da editora, pois desde 1990, tinha perdido os direitos de seus personagens para vários estúdios. A Paramount Pictures distribuiria o filme, diretores como Jon Favreau e Louis Leterrier estavam interessados ​​em dirigir o projeto antes da aprovação de Joe Johnston em 2008. O elenco principal foi escalado em 2010, a produção começou em junho e as filmagens ocorreram em Londres, Manchester, Caerwent, Liverpool e Los Angeles.

Narrativa

2ª Guerra Mundial. Steve Rogers é um jovem que se torna voluntário em uma experiência que visam criar o supersoldado americano. Se tornando uma arma viva, os militares logo percebem que o supersoldado é valioso demais para pôr em risco na luta contra os nazistas. Desta forma, Rogers é usado como uma celebridade do exército, marcando presença em paradas realizadas pela Europa no intuito de levantar a estima dos combatentes. Para tanto passa a usar uma vestimenta com as cores da bandeira dos Estados Unidos, azul, branca e vermelha. Só que os nazistas avançam, com planos orquestrados pelo maléfico Caveira Vermelha, fazendo com que Rogers reaja, assumindo a alcunha de Capitão América e usando seus dons para combater os inimigos no teatro da guerra.

Análise

O personagem Capitão América, depois de algumas produções muito ruins em 1979 (duas partes dirigidas por Rod Holcomb e Ivan Nagy) e em 1990 (Albert Pyun), aguardado e antecipado por anos, ganha seu remake, após 15 anos, como mais uma das peças do grande projeto da Marvel.

É um filme que exala classicismo por todos os lados e reflete perfeitamente a época em que a história se desenrola, num estilo retrô de fotografia que se adapta muito bem ao cenário do período. Não é um dos melhores filmes do Universo Cinematográfico da Marvel, mas sua essência o diferencia, pela ambientação da década de 1940, pela composição do tom patriótico, compreensível dentro de um contexto como a da Segunda Guerra Mundial.

Christopher Markus e Stephen McFeely foram responsáveis ​​por adaptar corretamente o trabalho de Simon e Kirby, compondo uma história de origem e vinculá-lo ao próximo filme, “Os Vingadores”, de Joss Wheadon. Os roteiristas sabiam que tinham em mãos um conceito/formato já conhecido, dentro do imaginário popular. Mas, alcançam uma boa proposta ao garantir um roteiro leve pra o filme do primeiro vingador, integrando a simbologia à narrativa sem esquecer do lado realista.

 

 

E a experiência de Joe Johnston, vencedor do Oscar de efeitos especiais por Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida, além de diretor de filmes como Rocketerr, Jumanji e Jurassic Park 3, dotou o filme de boas doses de ação. Direção eficiente, mesmo sendo um filme introdutório, Johnston dá um sabor de entretimento que se adere bem à narrativa, equilibrando o herói original, como pensado por seus criadores, mas também às aspirações do público de hoje.

Ao adaptar a primeira era dos quadrinhos, aquela em que o Capitão era pouco mais que um instrumento de propaganda pró-americana contra o nazismo alemão, abordar a questão do liberdade seria importante, afastando o patriotismo em questão. A simplicidade esquemática do bem contra o mal é esclarecida desde o início. Sem qualquer nuance. Por um lado, a pureza do símbolo americano. Por outro, a malignidade alemã.

Os efeitos especiais foram bem desenvolvidos pela Lola Visual Effects. A técnica do CGI. já utilizada em outros filmes, coloca o ator Chris Evans bem franzino no início e de repente bem robusto e musculoso.

Quanto ao elenco, Chris Evans se destaca, mostrando que ele é mais do que um rosto bonito. Está bem no papel e interpreta muito bem o desenvolvimento do arco de seu personagem, dando-lhe verossimilhança, lutando de todas as formas contra o nazismo. O que dizer sobre o sempre maravilhoso Tommy Lee Jones, que interpreta o coronel Chester Phillips ou Toby Jones, que interpreta o Dr. Zola. Já o Caveira Vermelha de Hugo Weaving é eficaz, sua interpretação transmite o que deseja, mas ficou meio caricato pelo o que conhecemos do ator ou seja, foi subutilizado.

Uma história de origem. Uma reflexão sobre a natureza e o senso de retórica e propaganda patriótica. Uma carta de reconhecimento ao patriotismo de outrora que se alia a valores mais modernos. Uma composição que dá ao personagem a representatividade da liberdade de todas as democracias.  Um filme divertido, com cenas de batalhas bem feitas, um pouco de romance e o mais importante passar na tela a mesma sensação dos quadrinhos.

CURIOSIDADES

Chris Evans recusou o papel por duas vezes antes de aceitar em 2010. Não pela personagem, mas devido ao temor frente a sua vida privada. Então conversos com amigos e conhecidos, mas foi Robert Downey Jr. o convenceu a se reunir com o diretor e os produtores do filme e assim aceitou o papel. Ao contrário de outros colegas que atuam no filme, Evans não teve que fazer o teste para o papel, já que queriam muito ele fizesse o papel. Era o sexto filme baseado em quadrinhos de Evans, depois de Quarteto Fantástico (2005), Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado (2007), Heróis (2009), Os Perdedores (2010) e Scott Pilgrim Contra o Mundo (2010). Ele dublou Casey Jones em As Tartarugas Ninja: O Retorno (2007), também baseado em uma HQ.

Originalmente,  James “Logan” Howlett (Wolverine) e Erik Lehnsherr (Magneto) apareceriam no filme, pois estavam presentes durante a Segunda Guerra Mundial (Logan era um soldado e Lehnsherr estava em um campo de concentração). Essas participações especiais foram descartadas devido a problemas de direitos.

As aeronaves futuristas da HYDRA seguem conceitos alemães da época da Segunda Guerra Mundial, como o bombardeiro Horten H.XVIII e o avião de combate Triebflügeljäger.

Aqui, Howard, o pai de Anthony Stark, apresentando suas invenções.

Howard Stark demonstra sua tecnologia semi-funcional “Reversion”. É um precursor dos “Repulsores” de Tony Stark, aperfeiçoados para a armadura do Homem de Ferro.

Durante a fuga das instalações da HYDRA, Timothy “Dum Dum” Dugan (Neal McDonough, irreconhecível) e Gabe Jones (Derek Luke) roubam um tanque. Enquanto se afastam, ouvimos Dugan gritar “Wahoo!” Nos quadrinhos, este é o grito de guerra dos Comandos Uivantes, membros de um batalhão especial, liderados por Nick Fury.

Hugo Weaving baseou o sotaque do CaVeira Vermelho (Red Skull) no renomado cineasta alemão Werner Herzog e no ator austríaco Klaus Maria Brandauer.

O último filme da Paramount Pictures produzido com a Marvel Studios. A Disney comprou os direitos de Os Vingadores (2012) e Homem de Ferro 3 (2013).

Sobre o autor

Cadorno Teles
Professor de Ciências Biológicas e Física, Historiador, idealizador do Canto do Piririguá, astrônomo amador e curte Mestrar RPG e jogar um bom boardgame/videogame.

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