Crítica | Capitã Marvel

A Capitã Marvel chega ao universo da MCU com duas grandes responsabilidades nas mãos, que é apresentar uma personagem que teoricamente teria papel definitivo na derrota de Thanos em Vingadores: o Ultimato, e a primeira heroína com filme próprio. Eis que Capitã Marvel chega e o saldo de tudo isso é positivo.

Capitã Marvel apareceu nas Hqs do Capitão Marvel a primeira vez em 1968, como Carol Danvers, que era a chefe de segurança de uma base da NASA e apesar do cargo que na época era considerado masculino, ela era constantemente salva pelo herói Kree. Só lá em 1977 a personagem assume o nome de Ms. Marvel na sua própria HQ, aproveitando a segunda onda de feminismo que estava acontecendo nos EUA naquele momento. Vale lembrar que a heroína já passou por maus bocados nas Hqs, incluindo alcoolismo e estupro e somente em 2012 nas mãos de Kelly Sue DeConnick que Carol Danvers finalmente se tornou Capitã Marvel o que transforma a adaptação para o cinema ainda mais importante e desafiadora.

Capitã Marvel

O filme toma seu tempo em explicar de forma bem calma a origem da heroína, a trama conhecemos Vers (Brie Larson), uma das principais peças do exército Kree, que luta para se encontrar já que a mesma não se lembra de seu passado, em meio a uma guerra contra outra raça de alienígenas os Skrull que são capazes de mudar de forma. O roteiro consegue muito bem encaixar a trama principal no desenvolvimento da Carol Danvers até se tornar a Capitã Marvel, em meios a flashbacks pontuais que nos dá sempre um breve vislumbre de seu passado. O roteiro sabe muito bem usar os seus personagens, a dinâmica entre a Capitã e os coadjuvantes como Nicky Fury (Samuel L. Jackson) evoca o melhor clima dos filmes de ação dos anos 90 como Máquina Mortífera, e os dois têm uma química muito boa em cena, sem contar a interação dele com o Gato Goose, que é definitivamente um dos pontos altos do filme.

As cenas com Maria Rambeau (Lashana Lynch) e Monica Rambeau (Akira Akbar) emocionam com um texto forte de sororidade, e a relação de Carol Danvers com Annette Bening é inspiradora, apesar de pouco mostrada no filme. Ben Mendelsohn, o líder dos Skrull possui uma trama com camadas secretas, que se desabrocham com o passar da trama, o que o torna um dos personagens mais interessante do longa. Ao fim há uma virada muito boa na trama que coloca um fim a meses de especulação dos fãs ao futuro da MCU daqui pra frente.

Capitã Marvel.

A direção do longa fica a cargo de Anna Boden, Ryan Fleck que seguem a  risca a fórmula da Marvel Studios, eles não tomam nenhum tipo de risco na direção, se o roteiro conta a origem da heroína de uma forma diferente do que estamos acostumados a direção não consegue fazer jus a esse trabalho. As cenas de ação são cheias de cortes o que as torna inverossímil, não há nenhuma cena de ação que seja memorável ou que contenham qualquer tipo de originalidade, a montagem e edição até fazem um bom trabalho (as cenas de flashbacks são sensacionais), mas ao fim fica uma sensação de que o filme não tomou nenhum risco em termos de direção. Os efeitos visuais são bons, mas nada comparado ao que filmes anteriores do MCU.

Brie Larson entrega uma Capitã Marvel tensa e sempre em guarda para inevitáveis conflitos, ao mesmo tempo que entrega uma mulher sensível e cheia de dúvidas e problemas de raiva, talvez a atriz tenha entendido a personagem  e a grandiosidade dela durante as filmagens, a Capitã debochada (não no estilo Tony Stark de ser) e ciente da magnitude de seus poderes presente nos quadrinhos está lá o que deixa a personagem muito mais interessante e relacionável. Curioso vai ser vê la em Vingadores: O Ultimato já que sua participação foi gravada antes de Capitã Marvel.

Capitã Marvel.

Mesmo com alguns problemas de realização Capitã Marvel mostra a primeira personagem feminina da Marvel de uma maneira muito bem representada e que conversa muito bem principalmente com o público feminino. Capitã Marvel é uma história de uma mulher resiliente, cheia de falhas e que acima de tudo que briga por seu lugar no universo e isso bem representado em uma das poucas cenas emblemáticas do filme onde ela cai e se levanta, e que deve fazer muito sentido a milhões de mulheres pelo mundo. Comparações com Mulher Maravilha vão surgir, mas vale lembrar que Diana nasceu uma deusa, fora treinada como uma deusa, enquanto Carol Danvers é uma mulher que abraça seus erros e aprende com eles a tornando mais real.

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