Crítica | Caça-Fantasmas

Tem algo de estranho no seu filme, Quem você vai chamar? Bill Murray!!!

Atualmente uma respeitada professora da Universidade de Columbia, Erin Gilbert (Kristen Wiig) escreveu anos atrás um livro sobre a existência de fantasmas em parceria com a colega Abby Yates (Melissa McCarthy). A obra, que nunca foi levada a sério, é descoberta por seus pares acadêmicos e Erin perde o emprego. Quando Patty Tolan (Leslie Jones), funcionária do metrô de Nova York, presencia estranhos eventos no subterrâneo, Erin, Abby e Jillian Holtzmann (Kate McKinnon) se unem e partem para a ação pela salvação da cidade e do mundo.

Em uma determinada cena deste remake, Erin Gilbert (Kristen Wiig) conversa com Abigail (Melissa McCarthy) e Holtzmann (Kate Mckinnon) após uma bem sucedida filmagem feita pelo trio de um fantasma. Abigail cita que o vídeo já tem 100 comentários no youtube e nem todos são mimimi, o primeiro que Erin lê, entretanto, dizia “Vadias, vocês não servem para caça-fantasmas!”. A piada, óbvia referencia a todo o rage que o filme recebeu desde quando descobrimos que teríamos um remake e não Caça-Fantasmas 3, e que ganhou contornos patéticos com os comentários machistas quando foi acertado que seriam mulheres a protagonistas serve bem para ilustrar o que é o filme. Um barco no meio de uma tempestade de intolerância tentando mostrar um pouco de amor. Acontece que a qualidade do barco nem de longe é a caravela que foi o filme original.

A pior parte é que estes machistas que criticaram o filme depois do (péssimo) primeiro trailer só por causa das mulheres não receberam o cala-boca merecido. O roteiro entrega sim alguns bons momentos que justifiquem sua existência neste contexto, mas ele falha miseravelmente ao encaixar o plano de fundo ao filme em si. E acredito que boa parte disso veio de que os produtores saíram na contramão de filmes como Mad Max – Estrada da Fúria ou de Star Wars – O Despertar da Força de aceitar que o que vimos antes realmente existiu e apresentar novos elementos ao universo. Ao invés disso usaram um reboot total, que foi absurdamente engessado na tentativa de referenciar o Caça-Fantasmas original, é legal ver o monstro de Marshmellow, o fantasma gárgula e o Geléia, mas não fazer disso a força motriz do produto…

A trilha sonora também merece um paragrafo. se no original ela nasceu clássica, aqui ela só empolga quando os acordes originais tocam. A versão da música tema tocada pelo Fall Out Boys é estranha, pra não dizer ruim. E olha que eu curto Fall Out Boys.

Uma coisa também que deve chamar a atenção está na escolha do diretor Paul Feig de misturar efeitos em computação gráfica e efeitos práticos para criar as criaturas. Escolhas como estas geralmente são aplaudidas por aqueles que já não se impressionam com qualquer monstro de CGI que aparece por ai, e o uso do gelo seco e da meleca nas cenas de “terror” ajudam a dar um pouco mais de peso para as criaturas, porém diferentemente de um Christopher Nolan, Joss Whedon ou J. J. Abrams, Feig não é um diretor de filmes cheios de efeitos, e fica claro o peso da mão do diretor nestas cenas, ficando fácil perceber o que é e o que não é real. Ajudaria também se ele tivesse algum talento para criar suspense, e não ficasse apenas nos famigerados Jump Scaries…

O filme é então a pior porcaria já criada? Não exatamente. Como disse há algumas piadas interessantes no filme, quase todas por referenciar filmes de terror clássicos, como O Exorcista, aos papéis anteriores de alguns personagens, como o Chris Hemsworth ou mesmo ao filme original (todas as outras são quando dão tempo de tela pra Kate Mckinnon). Há porém uma pequenina chama de esperança quando aparece o ator mais carismático já nascido. Bill Murray. Ele tem pouquíssimo tempo de tela, mas é o suficiente para mostrar o óbvio: Seria muito melhor terem colocado e o resto do elenco original como parte forte no filme, não um breve e melancólico aceno para o saudosismo…

PS: Se no primeiro filme conseguiram fazer comédia com a ciência sem mostrar os cientistas como boçais, porque aqui eles apelaram pra isso?

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