Crítica | Bloom (1ª Temporada)

Em 2019 tivemos várias séries sendo lançadas, entre elas, uma que foi indicada por um amigo de uma rede social, a série australiana Bloom, que analisaremos a seguir.

A história de Bloom trata de uma situação passada um ano após uma inundação devastadora que causou uma tragédia numa pequena cidade, onde uma misteriosa planta surge com o poder de restaurar a juventude. Um milagre que algumas pessoas irão fazer qualquer coisa para manter em segredo.

De inicio, parece meio bobo, uma planta mágica que lhe rejuvenesce, mesmo que seja por alguns dias, como um efeito clássico da procura da fonte da juventude. Mas, como muitas outras histórias com elementos de fantasia, Bloom tem essa estrutura para explorar algo mais profundo. No caso, o que está profundamente enraizado nas psiquês dos personagens, aqueles arrependimentos que ao longo da vida esquecemos e que seria a única coisa em sua vida que desejaríamos poder fazer de novo.

Criada pelo roteirista Glen Dolman, conhecido pelo drama adolescente High Life (Nine Network) e co-escreveu a comédia animada CGI de John Stevenson, The Ark and the Aardvark. Em Bloom roteirizou como se o arrependimento sustentasse as ações de seus personagens, sejam essas ações destrutivas, amorosas ou apaixonadas.

A pequena cidade de Mullens, Victoria, Austrália ainda não tinha se recuperado com a tristeza de perder cinco de seus moradores nas águas de uma inudação terrível que ocorreu um ano antes. Mas onde as vítimas morreram, a natureza deu algo em troca – uma planta mágica, semelhante a um bulbo, com o poder de restaurar sua juventude.

Brian Brown e Phoebe Tonkin em cena de Bloom

Para Ray Reed, interpretado por Bryan Brown (Cocktail,1988), as possibilidades que a planta oferece são nada menos que um milagre. Casado com Gwen (Jacki Weaver), uma ex-atriz que sucumbe rápida/comoventemente aos estragos do Alzheimer. Ray dá a planta a Gwen, após descobrir acidentalmente seus efeitos quando seu idoso Labrador a ingere no quintal. A juventude de Gwen é restaurada ao auge de sua condição física, como seu eu de vinte e poucos anos (Phoebe Tonkin), com o apetite sexual voraz e o desejo de combinar.

Há outros personagens, como o do Ryan Corr, que aparece no segundo teaser apresentado aqui na crítica, experimentando a juventude e a rebeldia que nunca teve em sua outrora vida. Assim, a descoberta desta planta traz aos cidadãos de Mullens uma introspecção selvagem sobre o que significa ter uma segunda chance, ou se deveríamos ter uma segunda chance. E o custo, aqueles que a tomam lutam pelo próximo concerto, o próximo arrependimento, se tornando um vício, uma crítica à obsessão da sociedade.

O que separa Bloom de outras dramas sobrenaturais é que as atuações são realmente excelentes. Quando você tem atores de primeira classe, como Brown, isso faz toda a diferença quando depende de espectadores que compram o realismo mágico de seu mundo. E o elenco trazem gravidade a uma ideia que poderia facilmente se tornar ridícula. As atuações sutis infundem em seus personagens empatia e humanidade nem sempre presentes em muitos desses tipos de séries. E temos que dá crédito, pois combinar as duas versões, mais velha e a mais jovem de forma convincente é para poucos.

Jacki Weaver em Bloom (2019)

A série do streaming Stan Entertainment (ou simplesmente Stan) traz uma história de amor sobrenatural, cheia de aventura, mistério e um pouco de horror/sci-fi. Com seis episódios, foi produzida pela Playmaker Media para o serviço de compartilhamento australiano, como também para a ABC e Netflix, mas a distribuição globalmente será feita pela Sony Pictures Television. A série foi premiada como Melhor Minissérie e Atriz Coadjuvante (Jacki Weaver) no Logie Awards 2019 e melhor Série Dramática no Screen Producers Australia Awards nomeada para o AACTA 2019 e Australian Writers’ Guild 2019. A série já ganhou sua segunda temporada, que estreou este ano lá na Austrália.

É uma série intrigante e bem elaborada, com um sci-fi discreto. A fotografia e os cenários são visualmente agradáveis, seu uso de câmera lenta é pesado, como se estivesse tentando criar um clima, pode até estranhar, mas vale as cenas que é usado esse recurso. A narrativa faz daquele tom que expõe lentamente as fragilidades dos personagens e suas decisões de revisitar sua juventude. E a ótima atuação, em meio a uns furos de roteiro, faz com que Bloom não seja perfeita, falta um pouco de elegância, mas é uma série realmente envolvente, com uma premissa que nos deixa bem envolvidos por seis horas. Aguardando já a Segunda Temporada.

Sobre o autor

Cadorno Teles
Professor de Ciências Biológicas e Física, Historiador, idealizador do Canto do Piririguá, astrônomo amador e curte Mestrar RPG e jogar um bom boardgame/videogame.

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