Crítica – Avatar: A Lenda de Aang (Terra)

Livro 2: Terra

Muito mais que apenas uma expansão

Continuando a nossa série sobre Avatar: A Lenda de Aang chegamos no livro 2, Terra. Aang, após conseguir refinar a sua dobra de água, deve conseguir achar um mestre para que aprenda a dobra da terra e dar mais um passo em direção à batalha contra o senhor do fogo e que traga o equilíbrio para o mundo. Porém, diferente da primeira temporada que tinha uma necessidade de ser acelerada para apresentar elementos, personagens e situações para conseguir ganhar o expectador. Aqui, fato que deveria ser aprendido por muitas produções que resolvem virar trilogia, dá-se um tempo para que os personagens sejam explorados e evoluam. Isso faz toda a diferença.
Por exemplo, a ideia do estado Avatar está presente desde o primeiro episódio da primeira temporada, mas lá o conceito aparece de maneira simplória, lembrando muito mais os animes japoneses em que sempre há um poder oculto dentro do personagem principal. Esta questão acaba sendo muito mais explorada, arranhando de leve a ideia do ser superior de Aleister Crowley, onde teoricamente grandes magos poderiam alcançar e entrar em contato com um “eu” mais puro e poderoso. Toda esta modificação na forma de se enxergar cria todo um arco de histórias com um tom mais místico. Uma ideia corajosa que aumenta o escopo do desenho.
Outra grande sacada dos roteiristas é de criar uma gama de personagens dúbios. Toda a estrutura da série parece dar a entender que o reino do fogo é o mal, e todos os outros elementos são bons, mas nesta temporada isto se inverte de maneira poderosa, mostrando que todos os personagens tem toda uma psique, que os dão o poder de escolher entre fazer a coisa certa ou a errada. Por mais de uma vez no arco de Ba Sing Se você se pegará, ou se pegou, tentando entender o porque de tal personagem agir de tal maneira.
Estes elementos, além de uma notável melhora na animação das lutas e na direção de arte, já faria a primeira temporada ser muito melhor de que a primeira. Mas aí vem a jogada de mestre da equipe do desenho: Toph. A menina cega, que virá a ser a mestra da dobra de terra para Aang, é a personagem mais interessante dos desenhos que eu já vi. Não só pelo fato de ela conseguir lutar sendo cega e muitas vezes ter que fingir ser muito menos poderosa do que realmente é, isso já havíamos visto nos quadrinhos do Demolidor por exemplo, mas Toph é extremamente forte, e ela sabe disso. Com isso em mente, ela poderia facilmente se tornar uma Vegeta mulher, com toda sua arrogância, mas os criadores deram a ela dois pontos fracos que a enchem de humanidade: O orgulho e a necessidade de ser notada e se fazer valer. É impossível você ter um episódio om ela sem que por um segundo você não a questione, para logo em seguida se apaixonar. Se Sokka era o cérebro e os músculos, Aang o espírito e Katara os ossos que os mantinham unidos, Toph é o coração.
Outra coisa que deve ser ressaltado é o quão mais sombria ficou a série. O encontro com o espírito coruja, por exemplo, é assustador o suficiente para ficar na memória. A trama da perda do Appa, igualmente triste… São tantos momentos icônicos que é difícil acreditar que o livro 2 seja realmente uma temporada do desenho… No fim, o caminho para o derradeiro livro e fecho da história foi seguido com sucesso. Em breve, nossa análise sobre o livro 3, Fogo.
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Fundador - CEO - Designer - Líder da casa Mundo Hype! Desenvolvedor Front End, Designer e Fotógrafo. Apaixonado por cinema, viciado em séries e colecionador de HQs. Super-Heróis favoritos: Iron Man e Spider-Man.

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